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Voto: cidadania já! PDF Imprimir E-mail
Sex, 06 de Agosto de 2004 17:08

Texto de Robim, publicado na edição de ontem, na seção Tendências e Idéias, no Jornal do Tocantins.

Voto: cidadania já!

Robispierre Melo Xavier
É acadêmico do curso de Direito e Agente do Fisco-TO.

Eis que estamos no porvir de mais um processo eleitoral, onde escolheremos nossos prefeitos e edis. Aqueles que estão na extremidade do sistema político, mas que inegavelmente são tão importantes quanto outros cargos políticos, no tocante à manutenção do município. Entretanto, no cotidiano, é notória a utilização do discurso ambíguo, calculista, demagógico e eivado de paradoxos, como objeto de persuasão. Por outro lado, somos os únicos seres com capacidade de discernimento nesse expediente e com o inalienável dever de reger o nosso “habitat social”.O neófito que vos escreve, na condição de um mero indagador e bem longe de ser um chauvinista, nada almeja, nada persegue no contexto político do nosso Estado. Apenas não abdica do direito de questionar os entraves sociais, econômicos e políticos que acometem o lado servil da sociedade, no que tange à importância do voto como instrumento de transformação e como função social.

É indubitável a relevância do caráter participativo do sufrágio numa democracia representativa, na exata medida em que se escolham representantes legitimamente investidos de preceitos morais e éticos, verdadeiramente concatenados com a nobre missão de promover inovações sociais, em prol do bem comum.

Para se transformar a sociedade, é imprescindível que a mesma encontre o seu ponto de equilíbrio, sua essência, seu “DNA”; que ela questione os parâmetros sociológicos em voga, se submetendo a uma introspecção filosófica acerca das agruras despejadas em seu meio, refletindo sobre o verdadeiro sentido do voto e, ainda, a influência direta desse empirismo dentro do processo evolutivo, visto a sua condição de existência. Senão vejamos que num Estado Democrático, seu fundamento está na supremacia da vontade popular e a sua soberania é exercida pelo povo. Dentro dessa concepção, torna-se relevante salientar a ilibada, irrefutável e erudita ótica de Miguel Reale, que assim assinala: “Soberania é o poder de organizar-se juridicamente e de fazer valer dentro do seu território a universalidade de suas decisões, nos limites dos fins éticos de convivência”.

O filósofo Sócrates utilizava-se da dialética para se chegar à verdade dos fatos. No entanto, naquela época os governantes já pareciam não admitir o questionamento sobre os desmandos cometidos por eles, pois desse exercício Socrático em difundir a filosofia como instrumento de indagação, pregando o método da ironia e maiêutica, restou-lhe a absurda condenação à morte por envenenamento, uma vez que foi acusado de estar “educando” os jovens daquela época de maneira que eles começaram a esboçar opiniões contrárias aos atos governamentais.

Creio na pertinência e urgência da adoção da filosofia e da sociologia nas escolas, como um grande salto para a formação de eminentes cidadãos, constituindo sólida base intelectual de um futuro paradigma governamental fundamentado em preceitos morais e éticos. Deve-se, pois, semear e aperfeiçoar o poder de participação nessa contextualização política.Fico imaginando... o que direi aos meus filhos quando perguntado sobre o que fizemos para que a geração deles (num futuro próximo) sofra as terríveis conseqüências de tamanho descaso político? Essa pergunta já me deixa angustiado desde já!

Infelizmente a inércia nos mostra perspectivas de requintes de crueldade para com os direitos naturais e imprescritíveis do homem, declarados durante a Revolução Francesa e que serviram de legado para a instituição da nossa Constituição Federal: a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão.

Portanto, esse é o chamamento que faço a todos os segmentos da sociedade. Façam valer o seu poder de decisão. O seu voto é o seu escudo contra os males que os afligem. Pensem nisso! O recado está no ar, o futuro é com a gente.