Em notações históricas, merece lembrar que Dianópolis-TO ganhou notoriedade, em nível de Brasil ou exterior, exatamente a partir da atuação brilhante do advogado Abílio Wolney, no inventário da viúva de Vicente Belém, a fim de empreender o rito necessário ao inventário, que rastejava pelas prateleiras, enquanto os bens a serem inventariados se dilapidavam, no mesmo passo em que os sucessores do espólio se viam privados de mínimas necessidades. Enfim, sabe-se que a notável atuação advocatícia, de outro lado, produziu a insanidade das milícias goianas, culminando com o episódio intitulado “Barulho do Duro”, nos idos de 1918 para 1919. O certo é que tais fatos, mal contados ou não, já ganharam as telas de cinema, além de alguns notáveis romances que retratam a tragédia.
Os anais da história jurista brasileira ressaltam a nobreza do Curso de Direito, tal seja, o primeiro da Nação, que através de nomes como Rui Barbosa, Pontes de Miranda, Nélson Hungria, registraram suas passagens no santuário do Direito, em São Paulo, na Faculdade Largo do São Francisco. Conflitos e disputas, acerca da nobreza ou não, o certo é que os mais aquecidos ficaram entre médicos e advogados, que por tradição, recebem o tratamento cerimonioso de doutor.
No entanto, o foco da discussão faz remissão à velha forma de governo, exaltada pela Grécia antiga, nas linhas de Platão, ou seja, res (coisa), e pública, gestão popular. Assim, a Terrinha, dentre os seus diversos codinomes, tais como, Capital do Mundo, Princesinha do Sudeste do Tocantins, também, recebeu carinhosamente o título de República dos Advogados. Aliás, dado o seu caráter aglunitador e regional de mentes brilhantes, também foi o centro polarizador da cultura, produzindo uma gama de bacharéis notáveis, dentre os quais o maior número, segundo dados extra-oficiais, são de bacharéis em direito.
Coincidência ou não, assim como na velha República do Café com Leite, onde Minas Gerais e São Paulo alternavam elegendo os Presidentes da República, Bacharéis em direito. Em Dianópolis-TO, numa estatística, revelada pela vox populi local, a cada três rebentos, oriundos do ventre da Terras das Dianas, no mínimo, dois enfileram-se nos trilhos das Ciências Jurídicas. Com isso, um novo jeito de ser, vai esculpindo e definindo a imagem do povo do lugar. As discussões, defesas, pontos de vistas, sempre articulados como muitos gestos, constituem território comum entre bares e lugares, principalmente, no notável recinto da classe: o “Bar dos Advogados”.
Longe da pecha de vedetes do Direito, os Filhos da área de humanas, ou noutra adjetivação, os Republicanos Advogados Durenses se relacionam muito bem, numa diversidade de talentos, que se adequa no homogêneo, pelo visgo afetivo e natural que os une. O quadro que se vê são inúmeros bacharéis, de áreas diversas, conviverem prazerosamente com advogados e advogadas, sem se sentirem diminuídos ou exaltados. Sempre felizes, verrumando copos, ouvindo músicas, anedotas e apresentando soluções esperançosas, para salvar e recuperar o mundo e pessoas.
Ao vislumbrar a possibilidade da Faculdade de Direito para Dianópolis-TO, fomos tomados de súbita emoção, diante da luta do “Povo do Norte”, na defesa do seu próprio Santuário da Justiça. Em grata ocasião, acolho o ensejo para enaltecer a brilhante defesa da conterrânea Grazziella Póvoa Costa Rodrigues, Diretora Geral da FADES, em prol da Faculdade de Direito de Dianópolis. Em função disso, é que afinamos o verbo, sem desmerecer tantos outros bacharéis locais, de áreas diversas, e reviramos então os quintais da Terrinha, para exaltar a Velha República Nortista dos Advogados Dianopolitanos.
Dentre todos os impropérios menos contidos, que muitos impõem ao curso de Direito, em virtude do acréscimo de inúmeras Faculdades, e que por isso estas estariam a devolver à sociedade bacharéis pouco preparados, a experiência nos revela que este curso, por assim dizer, é independente, cuja atuação e aprendizado dependerá, acima de tudo, da vontade e pertinácia do acadêmico, que revelará um grande profissional pelo sacerdócio do estudo diário. Aliás, o símbolo da classe centra-se no golfinho, pela inteligência e rapidez, para solucionar questões, sem embargo das reflexões produzidas pela deusa Têmis da Justiça, que exorta a balança e o tampão aos olhos, ressaltando o necessário equilíbrio e imparcialidade nas questões postas em Juízo.
As lições e referenciais de regras de conduta são inúmeras. Cabe aos notáveis bacharéis seguir o trilho da ética, da moral e dos bons costumes, para que práticas não recomendáveis, como corrupção, tergiversação, não atinjam inocentes e justos, que orgulhosamente compõe a classe, enquanto a sociedade não faça a necessária distinção entre o joio e trigo.
Considerando respeitáveis omissões, este é um breve ensaio sobre os Filhos das Ciências Jurídicas de Dianópolis-TO, sem desmerecer tantos outros notáveis bacharéis, de áreas diversas. O registro constitui uma honraria àqueles que fizeram de sua vida um verdadeiro celibato da prática, estudo e ensino ao Direito. Tanto assim o fizeram, e vivem, que certamente serão capazes de, no constante conflito, entre Direito e Justiça, terem o senso, a ética, o caráter, de optarem pela Justiça, que poderá resguardar o bem maior, até que se vislumbre o Direito.
Zilmar Wolney Aires Filho (Zilô)



