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Uma inovadora maneira de aprender PDF Imprimir E-mail
Ter, 11 de Janeiro de 2011 07:33

Os pesquisadores dizem que somente 50% do que se expõe em sala de aula é assimilado pelos alunos.

Um dos maiores desafios da humanidade é entender o mundo e a si mesmo. Para isto, busca sempre compreender como adquirir, memorizar e recuperar o conhecimento assimilado. É através do conhecimento que os seres humanos relacionam com o universo e com seu semelhante. O Mapa Mental surgiu como ferramenta de apreensão do conhecimento e pode elevar essa capacidade de assimilação.

Os cientistas têm feito vários estudos do cérebro na tentativa de entender o seu funcionamento. Isto ganhou maior atenção quando Sperry publicou estudos apontando a existência de diferentes funcionalidades em cada hemisfério cerebral. O cérebro humano é dividido em duas partes iguais: hemisfério direito e hemisfério esquerdo.

Dr. Roger Sperry – ganhador do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1981 - caracteriza o lado direito do cérebro como verbal, imaginativo e holístico; e que é voltado mais ao todo, do que as partes; é orientado à integração e síntese do que para análise. Tende a desenvolver atividades artísticas. É visual, musical e aprecia o ritmo. Trabalha de modo intuitivo, baseado em metáforas e subjetividade. Age independente do tempo.

Já o hemisfério esquerdo é marcado pelo estilo pensante, sequencial, temporal. Seu estilo de trabalho é analítico, verbal, sequencial, linear e objetivo. Prefere um ambiente de trabalho limpo, organizado e sem elementos que desvie sua atenção. É detalhista e de uma mentalidade fechada e formal.
Estudos comprovam que cada indivíduo tem sua própria maneira de adquirir conhecimento. Isto se chama Estilo de Aprendizagem. Não é o que ela aprende, mas o modo como ela se comporta para aprender.

Uma criança pode aprender todo o alfabeto lendo um livro de alfabetização, enquanto outra aprende com blocos contendo letras, outra já aprende cantando uma música do estilo “Canção do ABC”.

Estilo de aprendizagem é uma preferência característica e dominante na forma como as pessoas recebem e processam informações, considerando os estilos como habilidades passíveis de serem desenvolvidas. Alguns aprendizes tendem a focalizar mais fatos, dados e algoritmos enquanto outros se sentem mais confortáveis com teorias e modelos matemáticos. Alguns também podem responder preferencialmente a informações visuais, como figuras, diagramas e esquema, enquanto outros conseguem mais a partir de informações verbais – explanações orais ou escritas. Uns preferem aprender ativa e interativamente, outros já tem uma abordagem mais introspectiva e individual. Considera-se que, se as informações nos chegam das mais diversas formas, poderemos ser mais eficientes se desenvolvermos essas diferentes habilidades de lidar com as informações.

Os especialistas dizem que se o professor utiliza uma abordagem que privilegia um determinado estilo de aprendizagem, os alunos que não desenvolveram essa mesma habilidade tenderão a desinteressar-se e sentirão dificuldade em aprender. Por outro lado, se o professor simplesmente preocupar-se em atender cada aluno de acordo com seu estilo de aprendizagem, não permitirá que ele desenvolva outras habilidades de lidar com as informações, prejudicando seus desempenhos acadêmico e profissional. Para eles, um dos objetivos da educação deveria promover o desenvolvimento dessas habilidades.

Cada estilo de aprendizagem tende a explorar mais um dos lados do cérebro do que outro. Isto não impede que não se aprenda a usar o outro lado. Quem é lógico pode aprender a usar a intuição, a musicalidade.
Buzan afirma que 99% da população mundial foi ensinada a escrever usando palavras, linhas, números, lógica e sequência. Apesar de termos um cérebro poderoso, fazemos uso apenas do lado esquerdo e usamos muito pouco o lado direito que é intuitivo, subjetivo, musical e dá noção de espaço. Portanto não aproveitamos toda a inteligência que nos é possível. Isso nos torna seres “meio-inteligentes”, literalmente.
A sociedade moderna, preocupada com resultados, exige especialmente as qualidades da metade esquerda do cérebro, ou seja, pensamento lógico orientado a um fim, habilidades matemáticas e talento para línguas.
O nosso alfabeto, por ser silábico, estimula o lobo esquerdo; os ideogramas dos orientais, utilizando símbolos, desenvolvem o lobo direito. No idioma japonês, por exemplo, que são usados símbolos e sílabas, os dois hemisférios são estimulados no ato da leitura.

Percebe-se que a cultura ocidental tem características que estimulam o uso do lado esquerdo do cérebro com maior frequência. A educação é voltada para resultados. O raciocínio é lógico. O pensamento é sequencial, passo a passo. Isto exige menos  o uso de todo o potencial do cérebro, pois, a criatividade está ligada à combinação das atividades, tanto do lado esquerdo, quanto do direito.

O Mapa Mental melhora a organização, aprendizagem, memorização, classificação de informações e facilita sua posterior recuperação de forma natural e imediata. E ainda, contraria o pensamento de que quanto mais informações há na memória, torna-se difícil o seu resgate; isto ocorre pelo fato do Mapa Mental criar uma estrutura hierárquica de memorização e lembrança pela associação de informações com imagens, códigos e palavras chave.

Os Mapas Mentais apresentam algumas características básicas: o tema principal é representado por uma imagem central; as ideias ordenadoras irradiam da imagem central de forma ramificada; os ramos do mapa servem de suporte para uma imagem, símbolo, desenho ou palavra-chave, associados ao tema central.

Os passos para elaborar um Mapa Mental são:

a) Comece no centro de uma folha de papel em branco no estilo paisagem. Iniciar no centro permite expandir o mapa e o pensamento em todas as direções;
b) Use uma imagem como central. Imagem mantém o foco, evita a dispersão, mantém a concentração;
c) Use cores durante todo o processo. As cores acrescentam vibração e dá vida ao Mapa Mental, quebra a monotonia, energiza a imaginação e desperta o pensamento criativo;
d) Ligue os ramos principais à imagem central e uma os ramos secundários ao principal. O cérebro trabalha melhor com associações. Os ramos interligados provocam a compreensão e a lembrança;
e) Desenhe ramos curvos, não linhas retas. Linhas retas provocam tédio. Os ramos curvos estimulam os olhos e são mais atraentes;
f) Use uma única palavra-chave por linha. Palavra ou imagem sozinha funciona como multiplicador, provoca a criação de mais ideias associadas. Frases inibem o desencadeamento de ideias;
g) Use imagem por todo o Mapa. Imagens dizem muito mais que palavras.

Este artigo proporcionou maior entendimento sobre os dois hemisférios do cérebro e suas formas de comportamento diante da assimilação de informações e produção do conhecimento. O hemisfério esquerdo é lógico, sequencial e analítico enquanto o direito é intuitivo, subjetivo e musical. E ainda o que se busca é o cérebro pensante.

O Mapa Mental surgiu como recurso gráfico de aprendizagem que explora todas as características cerebrais, criando uma visão única de todo conteúdo. Técnica de memorização desenvolvida por Tony Buzan na década de 70. É considerado como um eficiente recurso didático. Surgiu como elemento integrador dos vários estilos de aprendizagem.

Esta técnica de aprendizagem mostra ser bastante eficiente, pois, estimula a imaginação e mudança de padrão de aprendizagem da educação ocidental que é sequencial e linear. O Mapa Mental é baseado no pensamento irradiante. A partir de uma ideia central, irradia outras ideias secundárias formando uma estrutura hierárquica de pensamento.

Estudos apontam que os Mapas Mentais podem ser aplicados em diversas áreas do conhecimento humano como estratégia de aprendizagem: nas salas de aula; nas empresas para elaboração do planejamento estratégico; no preparo de um churrasco; no planejamento de uma festa de formatura.

Quem quiser conhecer um pouco mais sobre Mapas Mentais, acessem os sites: http://www.mapasmentais.com.br; http://www.possibilidades.com.br.

Jader de Melo Rodrigues