Sobre mim

Um cara espetacular PDF Imprimir E-mail
Seg, 08 de Novembro de 2010 13:05
O que eu mais gosto em Pekin não é nem o fato de ele ser um cara espetacular, mas por ele ter três filhas. E quem tem três filhas naturalmente convive com quatro mulheres, e uma delas é a mãe. No caso dele, uma grande mãe e mulher chamada Simone, daquelas que nasceram para ter a alcunha de matriarca. Como disse o Joca, amigo do Adoniran, “Deus dá o frio conforme o cobertor”. Têm uns caras assim, nascidos para dar conta do recado. Outro é Jairo, que se esmera entre seis mulheres. Mas isso é caso para outra crônica.

Voltando a Pekin, há muito tempo alguém precisava dizer algumas verdades sobre esse sujeito. Talvez ele até pudesse achar que fosse passar assim, impune. Ele é daquele tipo de gente que todo mundo que está a sua volta admira. Começou cedinho, trabalhando com um uniformezinho azul de “tudo faz” no Banco do Brasil. Com pouco tempo, o homem foi crescendo profissionalmente e comprou um Voyage. E o dele era vinho, numa época em que carros na cor vinho eram raros. Numa época, aliás, raríssima para rapazes terem carro, ao menos em Dianópolis. Pekin nasceu para brilhar. Estava na cara, só não via quem não queria.

Quando abri os olhos um pouco mais para a vida estava adentrando a residência do Pekin, uma casa linda para os nossos padrões. Ele, com pouquíssimos anos de idade, construiu uma casa! Você, leitor, tem ideia do que é construir uma casa? Pekin fez isso no alvorecer de sua vida, enquanto muitos de nós ainda morávamos com os pais. E só constrói casa quem casa ou quer casar. E ele se casou com Simone. Eu, menino, ficava cá pensando: “É um cara de fibra”.

E eu não estava errado. Ele foi subindo lá no Banco do Brasil como quem sobe uma escada; com algum esforço, é verdade, mas com a certeza dos que vão atingir o próximo degrau. Foi, foi, foi,  e, quando menos esperávamos, Pekin, com seus óculos de aro preto, estava atendendo o público com aquela desenvoltura que o levou ao sucesso.

E quando falo em sucesso, nem me refiro à fama, grana e poder. Estou falando de alguém que construiu uma vida. Uma vida digna, diga-se. Para mim, Pekin sempre foi um exemplo. E acho que para toda sua geração. Quando eu estava começando a aprender a beijar e apreciar as mulheres, ele estava se casando e morando em sua própria casa. Ele já assumia responsabilidades quando eu só queria brincar. E nem pensem que somos tão distantes assim na idade. Ele é pouco mais velho do que eu, talvez dois ou três anos apenas.

Funcionário convicto do Banco do Brasil foi morar em Brasília, já de posse de seu amor pelo desafio. E queria melhorar; e melhorou. Passou no concurso do Tribunal de Contas e Simone foi cursar Farmácia. Hoje, tem uma mulher farmacêutica e são donos de uma farmácia no Distrito Federal. E dá expediente lá, depois do expediente do Tribunal. Pekin vende remédios, que ironia... Não poderia haver ninguém mais indicado para isso...

Bom filho que é, tem Thalita, Raíssa e Yasmin. Sorte delas, que tem um pai como ele. Sorte dele, que tem uma mulher como Simone. Sorte nossa, que temos ele. Num país tão carente de homens íntegros, resta-nos a esperança nesses que estão ao nosso lado e exercem tanta influência em nossas vidas. Quando a coisa ficar difícil, olhe para o lado e veja que nem tudo está perdido. Ainda existem muitos homens como Pekin, por isso o Brasil tem jeito...

Dídimo Heleno, advogado, membro das Academias Dianopolina, Palmense e Tocantinense Maçônica de Letras