Sobre mim
| Um ano sem Luzia |
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| Qui, 02 de Dezembro de 2004 17:39 |
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O texto abaixo foi publicado na edição desta semana do jornal Primeira Página, de Palmas. Luzia, pra quem não conhece, é mãe das dianopolinas Rosângela, Débora e Ana Paula. Confira: "Faz agora em 20 de novembro um ano que Luzia morreu. Luzia Rosa dos Santos, vejam, minha grande amiga, morreu aos quarenta e poucos e deixou muita gente saudosa. E frustrada com a medida intempestiva da Providência. Pô... por que não foram garimpar noutras paragens? Andava o céu assim tão carente de pérolas? Além das três filhas, Rosângela, Ana Paula e Débora, e a neta quase bebê Maria Eduarda, deixou triste um sem-número de amigos em Palmas. Foi pioneira, nascida em Goiânia, mas moradora inicialmente de Dianópolis onde conviveu com gente como o advogado Leonardo Fregonesi, também morto precoce e surpreendemente algum tempo antes dela. Tenho dela uma irreparável saudade, foi a maior perda dos últimos muitos anos, e também uma vasta e alegre lembrança do convívio, minha vizinha de frente da Vila dos Deputados, de cerca de cinco anos. Estava muito próxima, e era uma interação de muitos frutos que resultava nos passeios periódicos pela cidade que tanto me estimulavam e evocavam um lado bom (eu era assim?) da minha vida. Foi ela por exemplo, que todo mundo conhecia, que me apresentou nas famosas reuniões das sextas-feiras na casa do advogado da Arne 13. Numa delas – foi a primeira em que me levou lá – fiquei conhecendo meu vizinho de muro Freire Júnior, então deputado federal, também amigo seu e lá encontrei toda a gente vera de Palmas, pois numerosos eram os freqüentadores da agenda recheada do advogado de prestígio que era Leonardo. E aqui rendo minha melhor homenagem à Luzia. Pois preciso mencionar algumas das qualidades. Foi a mais acurada observadora de caracteres de pessoas e situações que conheci em Palmas. Era a mais contundente e suave – quando lhe dizia isso, irritava-se comigo, para disfarçar, penso – observadora imparcial de todas as situações psicológicas, sociais, morais, prosaicas. Vou dar exemplos. Fazendo uma desesperada terapia de regressão em Goiânia, logo que voltei a Palmas lhe perguntei, numa assomo de burrice, o que significava anamnese. Com calma e sorrindo, como lhe era peculiar, me disse, Lúcio, penso que é o contrário de amnésia. Sempre respeitosa e, o que é raro no relacionamento humano, atenta ao interlocutor. Doutra feita, outra sexta, morando eu só, depois de termos estado no bar da moda que então funcionava na JK da saida de Paraíso, e ela ter saudado muita gente, me lembro do Genésio Tocantins e de nosso afável Grego, viemos para minha casa e, algum tempo depois, comecei a pintar, por ela incentivado. Estiquei a tela, na qual então trabalhava, no piso da varanda e conversando, bebendo cerveja, ela sempre lhana, ficamos ali até cerca das 3 da madrugada, quando parei de pintar, e fomos para a conveniência do Tucanaré. Aquele tempo era 24 horas e lá encontramos amigos comuns e muitos outros a quem me apresentou. O arquiteto Fernando, o analista Wagner. Ficamos 24 horas conversando, depois num clube da Arso 62, numa jornada inesquecível. Foi a dileta professora do Frederico, a humilde e resignada amiga, que merecia ter voado mais alto e principalmente vivido mais. Ficou doente em agosto, um acidente vascular cerebral e, sem saber do fato, quando a procurei no pequeno apartamento da Arse 75 e meio brincando lhe disse que nesse caso eu me mataria, ela me sorriu pela última vez: só Deus pode nos tirar a vida, disse. Verdade? Morreu três meses depois, quando já parecia se ter recuperado. Nossas homenagens – minha e dos amigos, ainda que não autorizado por eles – a essa dileta figura, cujo desaparecimento me atrapalha a emoção até hoje. Como disse Don Juan em relação à morte do próprio filho: nunca mais verei seu perfil sereno pisando a face desta Terra. Lúcio Alves de Lima é bacharel em direito, poeta, tradutor do romance O tambor, do escritor alemão Gunter Grass (Prêmio Nobel de Literatura de 1999) – lal.palmas@uol.com.br" |



