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Tio Coque, meu velho amigo PDF Imprimir E-mail
Qua, 10 de Março de 2004 16:45

O texto abaixo foi publicado na seção Carta do Leitor, no Jornal do Tocantins de hoje, 10/03. A carta foi enviada por Péricles José Cândido Povoa.

"Ao falar sobre o senhor neste momento, nossos corações pulsam mais forte, diante do sentimento que envolve a todos nós, ora pela tristeza, ora pela saudade, ora pela gratidão ao mestre e ao amigo que o senhor sempre foi.

Isto tem um significado especial para todos nós que tivemos o privilégio de conviver com o senhor por tantos e tantos anos, ouvindo os vossos conselhos e testemunhando os vossos exemplos, constantemente vendo vosso semblante carismático e um sorriso franco, que sempre foi o combustível de vossa alma, que transmitia a todos nós uma confiança salutar.

O senhor que sempre foi o mestre dos mestres: o técnico, o engenheiro, o arquiteto, o contador, o intelectual, o orador nato, que mesmo sem um diploma superior, executava com verdadeira maestria, da montagem de um minúsculo relógio, às grandes hidrelétricas.

Foi sempre injustiçado, não por Dianópolis, que sempre o amou, mas pelo sistema capitalista abominável e desumano vigente no país. Mas a sua recompensa foi através da grande família dianopolina e todos os familiares, que tivemos a honra de vos ter por noventa e cinco anos, lúcido e cheio de vigor.

Vossa esposa e vossos filhos guardarão para sempre e com saudade a imagem do esposo fiel, do cidadão honrado como pouco se vê, do homem fraterno, do pai amoroso; e nós outros, parentes e amigos, choramos a vossa falta.

Foi-se o mestre, mas ficou o seu grande legado. Foi-se o inesquecível amigo, mas ficou sua lembrança.

Foi-se o pai, o esposo, o avô, o irmão, o tio, mas ficou a imensa saudade.

O senhor, Tio Coque, foi o mestre e amigo sempre iluminado, por isso, erguemos a vossa memória a taça da honra e da dignidade, como tributo e respeito a vossa simplicidade de professor.

o senhor partiu sereno, puro e calmo, na altivez de quem deixou saudades, amor e gratidão, legando a todos nós um verdadeiro exemplo de vida.

Sempre que adentrava ao vosso lar para fazer minha visita quase que cotidiana, pedia a vossa bençao, e voce abria os olhos com um brilho ja ofuscado pelos anos, olhando para mim como que pedindo desculpas por não poder mais sorrir. Mas, com aquela alma infantil que sempre o animou, e que por isso mesmo o fazia um entusiasta do brinquedo da existência. Porem, o vosso espírito, Tio coque, tanto brincou que cansou, e resolveu retornar ao colégio dos magos, onde sempre soube que tinha assento permanente. Perde a escola da vida, uma de suas lições mais nobres. Sentimo-nos privilegiados por ter sido vosso amigo, meu tio, pois nas menores coisas tinha algo de sábio a ensinar e a dizer.

Bom seria se tivéssemos a sorte de conhecer todos os dias pessoas de coração e alma tão puros.

Vai-se o homem e fica o exemplo.
Deixamos aqui, Tio Coque, a nossa homenagem sentida, o nosso respeito, a nossa amizade imorredoura para com vossa memória.

Seu sobrinho e amigo.

Discurso por ocasião do sepultamento, no último dia 2, de Coquelin Leal Costa, Tio Coque, uma das figuras mais ilustres de Dianópolis, com pedido de publicação."