Sobre mim
| Segurança nua |
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| Sex, 08 de Dezembro de 2006 20:17 |
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Em recente viagem ao Estado da Bahia, entre uma conversa e outra, entre um aperto de mão e outro, me identificando como um legítimo “tocantinense do pé rachado”, fui interrogado “N” vezes sobre o nosso Estado, sobre nossas potencialidades, nossas riquezas, perspectivas de crescimento, a política local, qualidade de vida, custo de vida e, ainda, sobre os nichos de mercado mais promissores para o momento. Falei do nosso enorme potencial hídrico, sobre as perspectivas de industrialização e geração de muitos empregos, o agronegócio, o comércio ainda frágil mas crescente, da rede de ensino, faculdades, turismo, prestação de serviços... enfim, fiz o que é costume em minhas andanças: vender o nosso peixe. Até que, ao falar sobre a qualidade de vida, me lembrei da segurança pública. Recordei a noite do 30 de setembro de 2006, onde fui covardemente e arbitrariamente detido e espancado, numa sala da Delegacia de Polícia de Dianópolis –TO, por dois policiais civis, aliás, diga-se de passagem, são Agentes Penitenciários, mas que há algum tempo vinham desempenhando – sem qualquer preparo – as atribuições de um Agente de Polícia Civil naquela cidade. Dianópolis- meu berço, minha “célula-máter”, meu tesouro, minha história, já me deu tantas alegrias. Minha infância, minha juventude, meus filhos... Ah Dianópolis, acolhestes em seu seio, pessoas sem honra, desnaturadas e paridas ao léu. Pessoas provenientes de um mundo diferente, onde as pessoas agridem, maculam, constrangem, desconhecem o que é o inalienável direito à dignidade humana. Mas é assim mesmo, esse mundo tornou-se muito estranho, um imenso liqüidificador, um “mix” de grandes contradições. Enquanto uns sorriem, outros choram; enquanto uns têm o que comer, outros morrem de fome; enquanto uns trabalham corretamente, outras atropelam normas; enquanto uns têm um emprego, outros não o têm. Coisas do mundo contemporâneo: ou é oito ou é oitenta! Mas, o que soa aos nossos ouvidos o termo “segurança pública”? Evidentemente foram tomadas todas as medidas cabíveis junto ao Ministério Público Estadual e junto ao Centro de Direitos Humanos em Palmas. A Secretaria de Cidadania e Justiça designou pessoal para apurar os fatos. A Corregedoria da Polícia Civil foi incumbida de apurar os fatos e estes serão encaminhados ao MPE. Foi instaurado inquérito policial e veio à tona o mais impressionante, não fosse partir do próprio Secretário de Cidadania e Justiça: um dos agentes que me espancaram naquela noite ( o mais sedento por violência), foi promovido através da Portaria n.º 1.661, no Diário Oficial n.º 2.283, de 09 de novembro de 2006. Vai passar a responder oficialmente pela Chefia da Casa de Prisão Provisória de Dianópolis. É desse jeito que se promove segurança pública, premiando um agente reincidente e que já responde a dois inquéritos na justiça, além de sindicância? Lamentável! O fato é que ao longo dos últimos tempos a segurança pública - em todos os segmentos - está à margem da “segurança”, a criminalidade está a solta. A exemplo, a população da capital está assombrada, sendo acuada por uma onda brutal de assaltos a residências, roubos, furtos de carros e motos, o tráfico de drogas está instalado em várias escolas. Não se recupera um carro roubado, não se acha uma moto roubada por aqui; parece que existe um “sumidouro” encravado no plano diretor da capital, e isso numa cidade de somente 200 mil habitantes, cercada pela Serra do Carmo a leste e pelo lago a oeste. Incompreensível! Urge que as entidades classistas, empresários, estudantes, os meios de comunicação, enfim, a sociedade civil como um todo, promovam discussão pública para propôr planos de melhoria da segurança em nosso Estado. É imprescindível a reformulação de conceitos, romper paradigmas e a implementação de ações realmente voltadas para a eficácia desse segmento público. A intolerância é generalizada e o medo fala mais alto. Mas questiona-se: devemos temer o criminoso, ou aquele pago pelo Estado para dar segurança? Robispierre Melo Xavier |



