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| Reflexões acerca de um êxodo nortista |
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| Sex, 26 de Novembro de 2004 17:37 |
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Zilmar Wolney Aires Filho (Zilô)* A história do êxodo nortista se repete ao longo dos anos. O homem do norte busca o centro-oeste, sul ou sudeste, ao encalço de adequação profissional, avanço intelectual e até conquista material. Alguns se deixam vencer pela fadiga; outros vencem pela obstinação, e por isso logo são estereotipados de sábios, gênios. Aliás, neste particular, não sabem os de cá, acerca da refrega daqueles outros, em suas noites de insônia, tempo que lhes restava aos estudos, após a longa jornada de trabalho, no curso do dia. Após alguns anos distanciados do sertão tocantinense, a reflexão que se chega é que lá tudo é norte, nada é desnorteio. Por aqui, nada que o belo e extraordinário comova ou corrompa, chega a demover este homem da terra. Nele, resiste a esperança do reencontro com o seu mundo, com seu canto, com a sua gente. Se é mero bairrismo ou ufanismo, só mesmo o cronista desprovido de paixões e sentimentos poderá emitir sua opinião. O certo que é este homem do cerrado possui um visgo que o prende em definitivo com seu povo e lugar. Ele pode até, por algum instante, inibir as expressões ligadas às suas origens para adequar-se ao meio. Todavia, é cônscio que adormecidos permanecem, desenhados em sua alma, o mapa e impressões do seu folclore, costumes e tradições, acautelados pela régua e compasso que o Tocantins lhe outorgou no passo da despedida. Assim, a cada sol, tais impressões, antes de serem apagadas se renovam, deixando seus sulcos bem definidos, para que culturas alienígenas, antes de Talvez, por isso, um sotaque carregado, também se agregue como símbolo de Noutra perspectiva, cabe refletir se a exposição de tais posturas, não estaria revelando uma busca sistemática de auto-afirmação? Ou, se tal manifesto buscasse apenas encontrar fundamentos para reafirmar convicções e valores pessoais? Ora, por muito tempo, a ave que deixa o norte em busca de novas paragens, muitas vezes já se contem em seu modus vivendi em nome da adequação ao meio em que subsiste, muito embora o seu vôo possua sincronia que oferta lições gratuitas, atestadas pelos indisfarçáveis ciúmes oriundos daí, sem embargo da inexistência de transtornos ou incômodos, em tais revoadas, que sejam suficientes para abalar a espécie. Em nome das festejadas garantias e princípios da liberdade de expressão e manifesto, o que se presume é que todos possuem embasamento na lei para dar evasão às suas posturas, estilo, enfim, manifestos culturais, pela garantia de uma personalidade e em nome da manutenção de uma identidade. De outra parte, cabe salientar que, em dias de globalização, limites e divisas de um planeta são vencidos em nome do neoliberalismo e do império comercial. Por isso, se vê culturas orientais que sempre estiveram distante, caminharem agora para um convívio harmônio com um Ocidente, apesar de sermos cônscios que Sul-coreanos só estarão sorrindo ao lado de Ianques apenas para uma fotografia que garanta interesses mercantilistas, já que, no fundo, no fundo, eles jamais terão algo em comum, a não ser a insuperável condição de filhos de um único Deus. Ademais, merece refletir que em se tratando das diferenças culturais, nacionais ou regionais, vencer barreiras e limites, não significa suplantar elementos culturais, como costumes, tradições e folclores, já que tais caracteres estão inseridos na própria identidade de um povo, e por isso merece sejam respeitados, antes que violados. Ao final, o que se pode concluir é que permanece bastante atual as teorias do Lamarckismo e Darwinismo, preconizadas por Jean Baptiste Lamark e Charles Darwin, quando asseveraram que: a adaptação ao meio ainda tem sido a melhor forma de convivência e subsistência da vida em grupo. Ou seja, se possível for, devemos manter os trejeitos da nossa origem, adormecidos no berço esplêndido do Tocantins, em nome do bom convívio, pois como preconiza a cultura popular, isso é coisa de pele. Amanhã, felizmente, haverá sempre um grandioso momento para que eles possam se reencontrar em exuberância em seu próprio ciclo existencial.
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