|
O texto abaixo é de Wilson José Rodrigues Gomes. Confira O conceito de reencarnação é milenar. O Bramanismo ou Hinduísmo é a religião mais antiga do planeta, sendo a primeira que compreendeu a evolução do princípio espiritual pelo renascimento. As primeiras escrituras da doutrina espiritual hindu são os Vedas. A idade dos Vedas ainda não pôde ser fixada. Souryo-Shidanto, astrônomo hindu, cujas observações sobre a posição e percurso das estrelas remonta a cinqüenta e oito mil anos (a. C.), fala dos Vedas como obras já veneráveis pela sua antiguidade. Os Vedas constituem o molde que formou a religião primitiva da Índia. Os Vedas afirmam a imortalidade da alma e a reencarnação: “Há uma parte imortal do homem que é aquela, ó Agni (fogo, espírito criador), que cumpre aquecer com teus raios, inflamar com teus fogos. – De onde nasceu a alma? Umas vêm para nós e daqui partem, outras partem e tornam a voltar”. Krishna foi o inspirador das crenças dos hindus. Essa grande figura aparece na História como o primeiro dos reformadores religiosos, dos missionários divinos. Renovou as doutrinas védicas, apoiando-se sobre as idéias da Trindade, da imortalidade da alma e de seus renascimentos sucessivos. Krishna, rodeado por certo número de discípulos, ia de cidade em cidade espalhar os seus ensinos: “O corpo, dizia ele, envoltório da alma que aí faz sua morada, é uma coisa finita; porém, a alma que o habita é invisível, imponderável e eterna”. “O destino da alma depois da morte constitui o mistério dos renascimentos. Assim como as profundezas do céu se abrem aos raios dos astros, assim também os recônditos da vida se esclarecem à luz desta verdade” “Quando o corpo entra em dissolução, se a pureza é que o domina, a alma voa para as regiões desses seres puros que têm o conhecimento do Altíssimo. Mas, se é dominado pela paixão, a alma vem de novo habitar entre aqueles que estão presos às coisas da Terra”. “Todo renascimento, feliz ou desgraçado, é conseqüência das obras praticadas nas vidas anteriores”. Tais são importantes pontos dos ensinos de Krishna sobre a reencarnação, que se encontram nos livros sagrados conservados ainda hoje nos santuários do sul do Indostão. Os budistas também têm conhecimento da reencarnação. As escrituras sagradas do budismo denominam-se tripitaka, que apesar de ter surgido aproximadamente seiscentos anos a. C. e das inúmeras ramificações sofridas, a grande maioria ainda preserva o ensinamento de Buda: “Aquele que chegou ao fim da corrente dos renascimentos, é dono da sabedoria, tendo realizado tudo quanto deve ser realizado”. No islamismo, o livro sagrado Corão ou Alcorão, também faz referência à reencarnação. O Corão está dividido em suras (ou suratas). A Sura 2: 28, diz: “E Ele mandou as chuvas lá de cima em quantidade apropriada, e traz de volta a vida para a terra morta, tal qual serás renascido”. No judaísmo, apesar da maioria dos judeus, como dos maometanos, não serem adeptos da reencarnação, é possível encontrar diversos trechos que se referem a vidas sucessivas no livro Zohar, do rabino Moisés de Leon, bem como na Miscelânea Talmúdica de Hershon e outros. Do Zohar, que seria a Cabala recompilada e publicada no ano de 1.280 de nossa era, foi transcrito o seguinte texto: “...se não cumpriram essa condição durante uma vida devem começar noutra, e numa terceira e assim por diante...”. Masaharu Taniguchi, japonês fundador da Seicho-No-Iê, ensina: “A morte do corpo não pode significar a morte do homem. Ele apenas muda de nível, perdendo sua condição carnal. E passa a viver numa dimensão espiritual, retorna ao mundo terreno, para realizar uma segunda condição corporal, o que deixou de realizar na primeira, e essas passagens sucessivas pelo universo terreno vão permitindo atingir um estado de perfeição (...)”. A ciência, diante de irrefutáveis evidências, está desistindo de ignorar a reencarnação. Em várias partes do mundo cientistas têm se empenhado no estudo de tão séria questão. A título de ilustração, citamos pequeno trecho extraído da obra científica de autoria da filósofa e física, Danah Zohar e do médico psiquiatra Ian Marshall, intitulada Q S Inteligência Espiritual: “No The Soul’s Code, o psicólogo jungiano James Hillman apresenta a “teoria da bolota de carvalho”, que formulou para explicar nossas origens. Nós não somos, diz ele, simplesmente o resultado combinado de nossa genética, meio ambiente e educação. Todos nós temos um destino único, que trazemos ao mundo com o ato de nascer. Todas as pessoas têm uma singularidade que pede para viver e que já está pré-organizada antes de ser vivida”. A Bíblia cristã, apesar de muitos erros de tradução ou mesmo de interpretações tendenciosas, é um manancial riquíssimo em passagens evidenciando a reencarnação. A reencarnação por mais de quinhentos anos fez parte dos conceitos dogmáticos da Igreja. Segundo anotações contidas no livro A Reencarnação na Bíblia, de Hermínio C. Miranda, ed. Pensamento, citando outros autores, o conceito de vidas sucessivas foi rejeitado pela Igreja Católica no Concílio de Constantinopla, ocorrido no remoto ano de 553, por votação, na qual a reencarnação perdeu por 3 a 2. Informa-nos Esse Capelli, em seu livro A Reencarnação, a Mediunidade e a Bíblia, ed. Proluz, que o banimento da reencarnação se deu por imposição de Teodora de Bizâncio; bela, inteligente mas vaidosa e ambiciosa esposa de Justiniano, imperador romano, que era totalmente dominado por sua beleza e diabólica inteligência. Teodora não queria ser considerada humana, mas divina. Mas se todos os seres humanos renascem para se aperfeiçoar e ela se encontrava na Terra, obviamente era imperfeita e não deusa. Enquanto a Igreja aceitasse a reencarnação, rejeitariam sua divindade. Sendo a Igreja Romana naquela época atrelada ao Estado, os bispos (parte deles), atendendo à imposição de Teodora, por intermédio de Justiniano, deliberaram pela proscrição da reencarnação da Doutrina Cristã. Quem a ensinasse a partir de então seria considerado herege e excomungado. Assim, a reencarnação naturalmente aceita por milênios e por povos de todos os quadrantes da Terra, e culturalmente transmitida aos primeiros cristãos, foi alijada do Cristianismo. E a partir do século VI, cada ser humano passou a “ter direito” a unicamente uma vida na Terra, uma única e exclusiva chance de se livrar do “fogo eterno”, aceso e mantido pelo diabo e seus anjos. Bibliografia: 1- A Reencarnação na Bíblia – Hermínio C. Miranda – Editora Pensamento; 2- O Guardião do Templo – Marislei Espíndula Brasileiro – Polieditora; 3- A Reencarnação, a Mediunidade e a Bíblia – Esse Capeli – Editora Proluz; 4- Vôo Livre - Um Estudo Sobre a Reencarnação – Ricardo Di Bernardi – Mundo Maior Editora; 5- Depois da Morte – Léon Denis – Federação Espírita Brasileira.
|