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| Projeto de irrigação do rio Manoel Alves |
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| Qua, 16 de Junho de 2004 17:07 |
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Texto de Wilson José Rodrigues Gomes, advogado, com pós-graduação em gestão ambiental. O texto abaixo foi publicado dia 05/06, dia mundial de meio ambiente, no Jornal do Tocantins. Parabéns, primo! "Seria uma falta de senso não reconhecer a importância do projeto de irrigação ora germinando entre os municípios de Dianópolis e Porto Alegre, no Rio Manoel Alves, Estado do Tocantins. A estimativa dos sessenta mil empregos diretos e indiretos a serem criados numa região que há alguns anos foi pejorativamente denominada de “corredor da miséria”, promoverá um monumental impacto na economia da região, bem como do Estado do Tocantins. Falar sobre esse assunto é como reprisar piada, pois todo mundo tem notícias de tão importante projeto. Mas é imperioso abordar outro impacto que ele vai causar e que nem todo mundo tem conhecimento, ou está interessado, mas que seus efeitos podem ser desastrosos para todos, indistintamente. Falamos do impacto ambiental. Represar as águas de um rio não é como brincar de fazer represas nas enxurradas das chuvas, as conseqüências são muitas vezes imprevisíveis e irreversíveis, por isso, medidas profiláticas tornam-se indispensáveis para atenuar tal impacto, haja vista que não se pode eliminá-lo por completo. Certamente a obra em questão não tem o mesmo impacto de uma grande hidrelétrica, mesmo assim o ecossistema fica profundamente alterado. Ademais, quando se trata de preservação do meio ambiente deve-se pensar globalmente e agir localmente. Imagine-se um país como a China, com um bilhão e duzentos milhões de habitantes, cujos dirigentes determinassem em caráter emergencial, que cada habitante escolhesse a camisa mais bonita e a ela acrescentasse um botão apenas. Onde encontrar um bilhão e duzentos milhões de botões? Certamente em todo o mundo não seria possível encontrar, à pronta entrega, esta quantidade de botões. Raciocinando nesse diapasão, fica mais fácil compreender que uma ação, mesmo que aparentemente inofensiva, pode fazer a diferença. A física quântica afirma que o deslocamento de ar provocado pelo movimento das asas de uma borboleta na Índia, pode integrar as forças devastadoras de um furacão nos Estados Unidos. Alguns fatos concretos para introduzir consistência a este modesto ensaio: A construção da pequena usina hidrelétrica de Izamu Ikeda, no Rio Balsas Mineiro, município de Ponte Alta, nos anos 80, gerou sérios problemas ao meio ambiente. Primeiro, porque não foi construída a “escada para peixes”, um canal que permitiria os peixes alcançar a parte superior da barragem (montante), na época da piracema. Nesse período cardumes saltam chocando-se contra o paredão de concreto e morrem com o impacto. A mortandade é uma crueldade. Segundo, devido os peixes não poderem transpor a barragem, vários quilômetros acima desta a pesca para subsistência das famílias ribeirinhas ficou seriamente comprometida, pois estes simplesmente desapareceram. No lago formado pela usina de Tucuruí, no Pará, as árvores não foram todas retiradas. Com a decomposição das folhas dentro da água, houve a formação de gases, o que ocasionou o aparecimento de doenças respiratórias na população local. Devido a processos arcaicos de irrigação, grandes rios como o São Francisco, estão passando pelo doloroso processo de morte lenta e junto com ele milhares de pessoas que se aglomeram em suas margens. Os pivôs instalados indiscriminadamente e os canais sulcados na terra (sem esquecer a poluição), estão decretando a extinção destes sagrados mananciais, e, se providências urgentes não forem tomadas vamos desaguar numa crise muitíssimas vezes mais grave do que a crise da energia elétrica. Sem eletricidade ainda pode-se viver, ainda que primitivamente, com lamparina de azeite de mamona, e sem água? “Não sou contra o progresso, mas apelo pro bom senso...”, pelo amor de Deus, vamos ser mais racionais com a preservação do meio ambiente, pois trata-se da sobrevivência do próprio Planeta e de todos os seres que nele vive." |



