Sobre mim
| Por que estamos aqui? |
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| Sáb, 27 de Novembro de 2010 08:16 |
A grande pergunta, talvez, seja essa aí do título. Quase todos levam a vida de forma mecânica, pouco se importando com tais questionamentos. Por que alguém iria perder tempo com algo assim, se há preocupações imediatas, como alimentação, aluguéis a pagar, tarifas de água, luz, telefone e mensalidade escolar dos filhos? É melhor acreditar que ao morrer eu vou para o céu e pronto; que existe um Deus bondoso me esperando após a morte. Essas são ideias, a princípio, bastante sedutoras. Mas o fato de eu estar aqui neste mundo é, convenhamos, intrigante. Em primeiro lugar, não se trata de uma escolha pessoal. Você simplesmente nasce no seio de alguma família, ou, no mínimo, terá uma mãe. Depois de nascido, alguns têm a sorte de poderem usufruir das inúmeras possibilidades materiais que são oferecidas aos mais abastados. Outros se contentam com o que o tal destino lhes oferece e se satisfazem com uma boa saúde, o que é uma grande valia. Para o preenchimento desse vazio, o homem inventou a religião. E ela tem oferecido conforto aos que simplesmente se realizam com as explicações dadas nos púlpitos e por meio das interpretações das palavras escritas nos livros ditos sagrados. Acho até que viver assim é mais cômodo, porém esses questionamentos são absolutamente necessários, senão não seríamos dotados de cérebro, mas apenas de um receptor de sinais. O problema de questionar a existência é que muitos religiosos se ofendem com simples perguntas. Quem tem fé, dizem eles, deve apenas acreditar e ponto final. Tenho para mim que quem criou este e outros mundos ficará bastante irritado com essa atitude, afinal foram muitos dias de sono perdido para dar vida a essa máquina fantástica chamada ser humano para que ele simplesmente se abdique de utilizar sua maior ferramenta, a mente. Ou, na melhor das hipóteses, utilizá-la para não pensar. Assisti ao vídeo de um iogue indiano onde ele diz que toda criação representa finitude. Quem cria, obviamente concebe algo pronto e acabado, daí a impossibilidade de se conciliar a criação, conforme ditam algumas religiões, com a evolução. Esta última implica em dizer que a criação não acabou e continua existindo, modificando-se, aperfeiçoando-se. Daí que se um Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo, ele provavelmente continua gozando do seu descanso e, enquanto isso, tudo evolui. Mas a criação estática, definitiva, é incompatível com a vida e com a própria ideia de Deus, que por ser perfeito não poderia criar algo imperfeito. Seria mais fácil admitir que um Deus é o responsável pela criação da evolução. O início, o estopim, o estouro, o Big Bang pode ter sido motivado por um Ser Supremo? Por que não? Quando Charles Darwin percebeu que os seres simplesmente evoluíam para se adaptar a uma nova realidade, a Igreja viu nisso uma ameaça ao seu Deus, visto que a evolução, mais cedo ou mais tarde, acabaria por matá-lo. Quem sabe apareça algum teólogo que resolva interpretar a Bíblia por outro ângulo, adaptando-a a teoria da evolução. Aí tudo ficaria mais nítido, ou menos nebuloso. Enxergar Deus nas coisas que evoluem seria mais lógico e agradaria até aos que não têm fé, mas o problema é que a religião, muitas vezes, não quer que o fiel pense assim. Enquanto esse enigma não é solucionado, Deus, da forma como costuma ser visto, tem trazido muito mais problemas do que soluções para a humanidade. E por que estamos aqui? Talvez nem seja preciso correr atrás da resposta, mas apenas ter a consciência de que o fato de existirmos queira dizer alguma coisa e uma delas é o dever que temos de ao menos tentar modificar o mundo a nossa volta. Para o bem, é claro. Dídimo Heleno, advogado, membro das Academias Palmense, Dianopolina e Tocantinense Maçônica de Letras |




A grande pergunta, talvez, seja essa aí do título. Quase todos levam a vida de forma mecânica, pouco se importando com tais questionamentos. Por que alguém iria perder tempo com algo assim, se há preocupações imediatas, como alimentação, aluguéis a pagar, tarifas de água, luz, telefone e mensalidade escolar dos filhos? É melhor acreditar que ao morrer eu vou para o céu e pronto; que existe um Deus bondoso me esperando após a morte. Essas são ideias, a princípio, bastante sedutoras.