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Políticas para juventude de hoje

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Nos anos 60 os jovens eram a vanguarda das lutas sociais e, mesmo a partir do final da década de 70, quando os trabalhadores ascenderam ao cenário político nacional pelo “Novo Sindicalismo”, os jovens não deixaram de ser a presença mais marcante em grandes mobilizações como as campanhas pelas Diretas Já!...Fora Collor! No entanto, percebo que este fenômeno que atingia a grande maioria de nossa juventude, hoje atinge apenas grupos isolados regionalmente.

A juventude está em todas as camadas e, portanto, a tarefa de organizá-la é muito ampla e jamais poderá ficar circunscrita à insuficiência de uma organização de estudantes, ou daqueles que, não atuando em qualquer instância política ou movimento social, sobram para atuar na juventude. Nada mais estéril do que isso para a elaboração de uma política para a juventude. Ao contrário, organizar a juventude no cenário político significa organizar os jovens camponeses, operários, populares, desempregados, estudantes, para que possam refletir coletivamente a sua existencialidade. Refletir sobre os problemas sociais, inclusive a partir do meio em que atuam, pois é nele que radica a sua socialidade cidadã.

As políticas públicas para juventude podem atacar estes problemas estruturais qual afasta o Brasil da justiça social. O “jovem de hoje” deve ter como um dos principais objetivos, eliminar o quadro de que 1% da população brasileira tenha renda equivalente à de 50%, gerando assim violência, desemprego e miséria. O desafio do “jovem de hoje”, também mudou nos últimos anos. O jovem antes tinha como papel garantir a liberdade de expressão e os direitos democráticos, mas o “jovem de hoje” vive em um país que ainda muitos de seus compatriotas encontram-se afogados na exclusão social e no analfabetismo. Um país que ainda está longe da inclusão digital e dos direitos mais primitivos como saneamento básico e o direito de alimentação.

Os jovens de antigamente se uniam aos professores em suas greves, hoje eles questionam os prejuízos no ano letivo. Esquecem-se que por serem jovens, na área da educação sairão mestres e doutores, que como antes tiveram aulas, amanhã passarão a ser aqueles que introduzirão na mente dos alunos todo ensino necessário para serem outra vez dominantes da sociedade. O papel de política pública é de uma importância tão grande que enfim, trará sempre a renovação para que o país cresça e sempre esteja sendo uma forte nação, um jovem Brasil. Agora deixar a juventude isolada; totalmente periférica das ações governamentais é um erro continuo porque nós devemos olhar a juventude como o nosso próprio futuro, o futuro de nossos netos, pois hoje, um jovem é filho de bandido, mas investimentos podem o torná-lo livre, mas se ações não forem tomadas o seu futuro será o mesmo que do pai e assim crescerá essa bola de neve cheia de erros e descasos sociais.

É nessas políticas para juventude que surgirão os jovens apaixonados pela cultura, pelo esporte, ou mesmo pela contracultura. Não é que se dividam entre críticos e alienados. É que todos têm, nas suas mais variadas formas de apego, de identidade e manifestação social, uma necessidade imperiosa de externar os conflitos que sabem existir entre si e o mundo, e aqueles que não sabem, entre si mesmos.

Os velhos se apaziguam; os jovens se revoltam (independente da variável ideológica) porque sabem, ou sentem que têm o seu futuro à sua frente, enquanto os velhos o têm às suas costas...

Mário Sérgio Mello Xavier, 25 anos, pres. da Associação do Sudeste do Tocantins em Palmas e vice-presidente do D.A. (Diretório Acadêmico) da UNITINS

 

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