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Pequeno tributo

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Sou dos que transitam entre os trinta e nove e quarenta anos de idade; faço parte de uma geração pós-revolução e pré-internet. Quando adolescentes, não tínhamos o e-mail, MSN e salas de bate-papo para nos comunicarmos. Éramos seres diferentes, amantes de músicas armazenadas em fitas cassete. Não que eu seja um adepto da nostalgia; na verdade a repudio em certa medida.

Vivi sempre cercado por conceitos definidos, amigos diletos, francos, mas, de certa forma, travados. Elogiar, para o meu grupo, é algo que deixa tímido o elogiador, não o elogiado. Sou de uma geração que não aprendeu a dizer “eu te amo”, filha de outras tantas que conheceram o carinho através do temor pelo pai e da candura da mãe. E só. Beijos e abraços sempre foram mais indefectíveis no dia do aniversário e no Natal, mesmo assim, por Cristo. Sou, ainda, de uma geração que pede bênção. Faço parte de um “sistema” que prefere homenagear os mortos, colocando seus nomes em ruas e avenidas, batizando filhos e netos com apelidos in memoriam.

Mas, chega disso! Quero, agora, dizer às pessoas, quando ainda vivas, o quanto as admiro, o quanto são importantes. Já vi o Marcelo Santos ser finalista de um Prêmio Esso (o maior do jornalismo brasileiro), e fiquei calado. Agora, ao vê-lo ser homenageado na Assembléia Legislativa do Estado do Tocantins, fico pensando na sua trajetória. Quando o conheci, era      apenas um jogador de futebol talentoso, esquecido de ser levado para fazer um teste em algum time grande do Brasil.  

Depois, esse menino, pai de João Afonso e filho de seu Afonso Cardoso e dona Zô, se tornou, diante de muitas agruras e sofrimento na Casa do Estudante, em Goiânia, um jornalista premiado. É claro que Marcelo tinha tudo para não dá certo. Ele é vítima, como tantos, de uma sociedade hipócrita, cheia de defeitos, cuja elite, com aquele olhar de soslaio, diz: “está perdido!”. Vejo nele um tantinho de muitos dos que fazem parte da sua geração, e me regozijo com o seu sucesso.

Marcelo é respeitado como profissional, capaz de exercer sua função em qualquer empresa deste país, qualificado, experimentado e experiente. Ao vê-lo ser homenageado – e certamente esses momentos serão repetidos ao longo de sua vida – fiquei pensando cá comigo: vou utilizar esse “gancho” (como costumam dizer os jornalistas) para dedicar um pouquinho de atenção ao meu amigo, que trabalha com talento, que merece uma palavrinha só de incentivo, por isso decidi que já era hora de lhe fazer um elogio, por escrito e de público.

A sisudez e o sentimento recolhido dos nossos antepassados são os responsáveis por aquele nó na garganta que até hoje trazemos e ainda não foi desfeito; é o que explica nossa dificuldade de chorar e elogiar; que nos causa aquela dor no peito que só passa quando as lágrimas descem através de soluços solitários e descompassados. E morremos, às vezes, por conta desse atavismo mal curado, que nos faz engolir seco com os olhos rasos de lágrimas, segurando a vontade de abraçar e ser abraçado.  

Sentirei remorso se um dia transitar por uma rua ou avenida que tem o nome de quem na vida tive a oportunidade de prestar um pequeno tributo e não prestei. Meus filhos, Marcelo, ao atravessarem aquela ponte que trará o seu nome, dirão com orgulho: “Meu pai foi amigo desse cara!”.

Dídimo Heleno, advogado, membro das Academias Dianopolina, Palmense e Tocantinense Maçônica de Letras
 

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