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Os servidores mortos-vivos, os puxa-sacos, e o novo perfil dos servidores do executivo do estado do Tocantins PDF Imprimir E-mail
Sex, 01 de Abril de 2011 06:26
O “perfil” dos novos servidores estaduais que está se formando, nas diversas Secretarias do Poder Executivo, me faz lembrar de uma época em que setores de pouquíssima importância para os órgãos acabavam lotando pessoas de elevado conhecimento técnico e de grande prestígio (político). A "indicação política", como fator determinante para se avaliar a competência de um servidor público, nunca foi novidade aqui no Tocantins, porém, pelo que se vê nos comentários pelas ruas, é que hoje o Executivo está resgatando aquele passado injusto, onde dentro dos diversos setores, existem dois ou três servidores efetivos (mão de obra qualificada e barata) e cinco ou quatro "engravatados temporários" recebendo altíssimos salários para não fazer nada. Em pleno horário de expediente, vivem freqüentando as casas lotéricas, resolvendo os seus negócios particulares e políticos. Saem de casa fingindo que vão trabalhar, ocupam uma mesa, um computador e uma cadeira bem bonita, mas na verdade passam boa parte do dia só lendo os sites que tratam da Política.

Outro dia, conversando com um ex-colega de trabalho, que é funcionário estatutário a mais de 06 (seis) anos, ele me contava revoltado, que recentemente, lotaram no seu setor, um senhor já de idade, desses que se dizem advogados, mas que nunca conseguiram tirar uma OAB na vida. Na verdade, bem melhor que a carteirinha da Ordem, eles carregam no bolso um pomposo currículo de variados empregos públicos (para não dizer políticos), todos de alto escalão e em época dos primeiros Governos Siqueiristas. Pelo que meu ex-colega me contou, já fazia mais de 10 anos que ele não trabalhava, principalmente em um órgão público, mas mesmo assim, com tantas mudanças na forma de trabalhar com a coisa pública; mudanças de ordem técnica, tecnológica e até mesmo jurídica, será ele (o senhor feudal engravatado) quem comandará o setor de agora para frente. E o meu colega? Além de ter perdido a sua "gratificação", pois anteriormente era um dos responsáveis pelo setor, agora será o faz tudo do senhor engravatado, que ao final do dia, após voltar da rua resolvendo seus problemas particulares, vai apenas assinar tudo aquilo que já foi feito.

Em 2001, quando trabalhei na Gerência de Patrimônio da SEDUC – Secretaria de Estado da Educação, onde 99% da nossa equipe recebia entorno de R$ 450,00 reais por mês, havia lá um desses senhores. Era um advogado aposentado e que possuía um salário quase idêntico ao da Secretária do Órgão. Ele não tinha horário para chegar, não fazia questão de computador e todo o dia sentava na sua mesa, abria o  jornal do dia, e pronto... Era só esperar o tempo passar... Enquanto isso, nós ralávamos carregando mesas e cadeiras para cima e para baixo, inclusive o nosso próprio gerente ralava junto com agente. Mas os senhor lá não...Era intocável! Como se não bastasse só isso, surgia ainda, dentro desse cenário, um personagem que adora esse tipo de gente, que são os tais bajuladores de plantão. Verdadeiros puxa-sacos  dos servidores bons de QI (Quem Indica) como eles.

Portanto, entendo que enquanto não houver o cumprimento efetivo daquilo que foi determinado pelo STF, quanto a realização de concurso público para preencher as vagas de comissionados, e após isso, com o decorrer do tempo, as várias categorias não passarem a eleger presidentes de sindicatos que não tenham  ligações políticas e rabos presos, o quadro de servidores do Executivo do Estado, sempre será composto da seguinte forma:  A maioria absoluta de funcionários que são bons de QI, que eu chamaria de mortos-vivos (que não são fantasmas, mas também recebe sem trabalhar), em média quantidade, pelos funcionários efetivos e não efetivos puxa-sacos dos mortos-vivos e em uma proporção menor, pela única mão de obra efetiva dos órgãos, que serão os servidores estatutários que recebem pouco e realmente trabalham.
    
Mário Sérgio Melo Xavier
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