O povo dianopolinos é “craque” na arte de apelidar as pessoas e muitos desses apelidos acompanham o indivíduo para sempre. É como se fosse um chiclete grudado na sola do sapato. O curioso é que o hábito de inventar alcunhas, algumas até maldosas, ferinas, são mais comuns nas cidades do interior, onde muita gente passa a vida toda sem saber qual o verdadeiro nome de alguns dos habitantes da cidade. Se por um acaso anunciar na rádio local que morreu Jurvalino Francisco da Silva, ninguém nem dará muita importância, mas se falar que o falecido era conhecido como “Boca de Litro”, todo mundo na cidade saberá quem era o rapaz. Dianópolis sempre foi famosa pelo espírito satírico da população. Dizem que ninguém passa por lá sem sair com um apelido qualquer e, a propósito, ouvi outro dia a seguinte história: Um desses viajantes, conhecendo a fama dos dianopolinos, enfurnou-se no Hotel Fazenda (centro da cidade), trancou-se no quarto e procurou não manter contato com ninguém durante a estadia na cidade. Para ir até a rodoviária, por exemplo, telefonou para um taxista e pediu que ele fosse buscá-lo. Enquanto o carro não vinha, o viajante já meio impaciente com a demora, resolveu abrir a janela por duas vezes pra espiar lá fora. Isso já bastou. Quando ele estava saindo do hotel, um gaiato que estava sentado na porta do hotel levou dois dedos à aba do boné, cumprimentou o viajante e soltou a seguinte frase:- Moço, sê parece que é parente de “João de barro”, não saiu de dentro do quarto pra nada, só agora na hora de ir embora!
As piadinhas e os apelidos não respeitam patente, posição social, defeitos físicos, deformidades, cacoetes, absolutamente nada! Eu mesmo, no decorrer de minha existência, já tive alguns apelidos: “Peta preta”, “Neném”, “punhetinha”, “Biscoito”, “João Correia” e mais contemporaneamente “Morcegão”. O pior é que não é qualquer pessoa que aceita tranquilamente os apelidos, já ouvi histórias de brigas por conta de um simples apelido. O mais certo é que se zangar é pior, o negócio é receber os apelidos sem se preocupar com prazo de validade. Cito aqui alguns exemplos de famosos alcunhados em Dianópolis: Adálio Teles (que morou e trabalhou com agente por muitos anos) conhecido como “Gauchinho”; Edilton de Souza Lima (foi um excelente músico, pai de nosso amigo Luciano Lima, também conhecido como “Fite”), ele era chamado de “Zé Bostinha”; Nicolau Pereira, ou “Nico Pánca”; Abner Wolney conhecido como “Bora”; Gerson Ramos Lima (o pai de nossa querida amiga Isis Laura), que é chamado de “Gerson Papagaio”; Mario Xavier Filho (Meu pai) como “Mário Careca”; Luiz Heraldo Nunes Povoa (Pai de “Leo peba”, “Xexéu”, Eraldo e Túlio), os mais íntimos chamam ele de “Mecoguinha”; Paulo Wolney Costa (Pai de “Fenômeno”) que é conhecido como “Paulo Reco”. Até mesmo o prefeito José Salomão não escapou, os mais íntimos o chamam de “Zé Rola”. José Jacinto Silva é conhecido como “Zé de Mulata”; Edson Parente como “Bode Rouco” e por aí vai...
Sem falar na geração que está aí, alguns jovens da contemporaneidade, que citando seus apelidos nem será preciso falar revelar seus nomes verdadeiros: Seu Cem, Seu Madruga, Manel’Aires, Tinga, Cristiano Hauli, Nanim ou Zé Rocho, Radar, Coração, Bob Bill, Pescoço, Grandão, Guinombo, Meleco, Tubão, Dunga, Sem divisão, Bocão, Cascão, Singelo, Cabeça de balão, Paca de brinco ou Paquinha, Boca de ventilador, Boca de Jaú, Gentes Quadrada, Coquinho, Digão, Sobrancelha de Espanador, Pereba, Burrinho, Quindoba, Perereca... E muitos, muitos outros que não caberiam aqui no texto. Quando morei em Porto Nacional-TO, conheci um coitado que sofria de uma lesão na espinha — andava com a cabeça para trás, o peito pra frente, a bunda pra trás, as pernas pra frente. Chamavam ele de “Gogó-da-Ema”. Já vi pessoa aleijada que arrastava as pernas paralisadas, que caminhava estremecendo todo o corpo desengonçadamente e muita gente chamava ele “Zé lambada”. Tinha um rapaz baixinho, era garçom de um boteco, o pessoal chamava ele de “Amostra Grátis”.
As pessoas que se irritam com os apelidos nunca mais se verão livres deles, pois aí é que as pessoas farão questão de chamá-los apenas pelos apelidos. Em muitos casos, os apelidos fazem (ou fizeram) até bem aos apelidados ao eternizar os nomes das pessoas. Em outros casos, viram até sucesso, como o CD das pegadinhas do Mução, onde ele liga para pessoas chamando-as pelos seus apelidos. Por falar nisso, eu até arrisco explicar de forma “poética”, as diferenças entre apelido, pseudônimo, nick e codinome: “Apelido, diria eu, pode ser um nome maldoso, muitas vezes carinhoso, até suave e mimoso! Ninguém escolhe um apelido e às vezes, ele pode também ser sofrido, quando é pejorativo! Pseudônimo é uma coisa mais quente, algo escolhido, geralmente, por pessoas mais tímidas. Eles serão colocados em suas publicações, melodias e canções. Já o codinome, é algo mais de guerra, de alguém perigoso e esperto, de um verdadeiro fera! O nick, nada mais é, que um falso nome virtual, muitas vezes, escolhido para o mal ou de forma especial (por quem deseja ser vedete), mas são coisas da democrática internet!”
Mário Sérgio Melo Xavier




