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Sex, 28 de Maio de 2004 16:46

O texto abaixo foi escrito após uma indaga que fomos aqui em Goiânia. Eu escrevi isso e mandei pra alguns chegados. E o pior é que o "ofício" acabou chegando nas mãos de dona Lourdes. Valei-me!

“Ilma. Sra.
Lourdes Xavier
Dianópolis - TO

Boa tarde,

Em comunicado oficial, dirijo-me a V. Sa. para lhe informar sobre seu cabiçudinho, zé iéié, jibão, póvoa, pixuri, matador de onça da beira d'água, comedor de cokim macaúba do Corrente, amulegadô das partes das fia dos outros, boiolinha estadual, barriguinha de lameu, cabeça de balão, comedozim de pimenta macaco de dona Roxana, Robspierre Melo Xavier, vulgo Robim.

Dia 09/05/04 - dia das Mães, não foi um 11 de setembro, muito menos um 11 de março. Mas foi um dia terrível, de tragédia. Eu, na qualidade de expectador e partícepe da história, juntamente com Jacqueline e Tinga, estou estarrecido com o comportamento deste cruzadorzim, vosso filho.

No início do dia, saímos eu e vossa cria pra um passeio de moto. Andamos uns 50 km pela bela Goiânia, numa manhã ensolarada. Vários bairros foram percorridos, finalizando o itinerário ali pelas bandas da Vila União, próximo a residência do Coronel Custódio, aquele Pixuri indaguento. Já na base de meio dia, encostamos num buteco, intitulado Betos Bar, onde paramos pra mastigar algumas, pra dá uma aluída no apetite. Por ali passou Marcim de Mel, mais conhecido como Dudão de Alemiro, acompanhado de sua cumpanheira Zaine. Bebericamos algumas e fomos almoçar, um rango delicioso preparado por dona Mary. Até aí, o dia estava indo muito bem.

O trem começou a imbucetar foi quando, berando umas quatro da tarde, eu, Jacque, Tinga e aquele seu cabeçudinho, dadô de batente nos pião dos zanzotro, retornamos ao estabelecimento na Vila União, em busca de mais cerveja. Ali, aquele boiolinha furadô de zói dos cumpanheiro, começou a dar sinal do showzinho que, em muito breve, nos estarreceria. Após algumas geladas, na boquinha da noite, surupembamos pra o rumo dum pagode, que acontecia no cruzamento da T-10 com a Avenida Mutirão, no setor Bueno, na
Capital goiana.

Ali foi o palco de toda a fuzarca. Só de lembrar, já me dá uma gastura. Após algumas cervejas, aquele menino, já encandiado, danou a dançar, com aquele rebolado tipicamente boiola. Vale destacar a boquinha. Ah...que boquinha de gay este menino fazia. Uma vergonha! Não bastava aquela boiolagem explícita, o menino saia olhando pra tudo que era mulher comprometida, gerando, visivelmente, um desconforto nos casais, o que acarretou algumas confusões entre aqueles amantes. E no meio termo disso tudo, a velha polêmica, marca característica deste boiolinha póvoa. Nem o Clodovil e o Jô Soares juntos seriam tão polêmicos. Aliado a isso tudo, o carequinha da Rua dos Doidos, em alto e bom som, urrava palavrões, queimando o filme com as lolitas em redor da mesa. Pra completar o circo, faltava só mesmo jogar paia de arroz e cobrir com uma lona. Não obstante, seu filho teve o dispaltério de repetir, incansavelmente; "Eu sou foooooda"; "Eu boto é duendo"; "Num sei porque, mas estes dois dias eu ando bonito", numa incansável auto-afirmação. Só mesmo São José pra dar conta deste mininu ladino.

Com o término do pagode e com a atentação em excesso, pegamos o beco pra casa. Porém, ai porém! passamos num pit dog, no Setor Marista. Ao encostar o carro, este jogador de infinca da Rua da Biquinha deita no meio do asfalto, esparramado na rua, igual um sapo, quando carro passa em cima. E todo mundo no pit dog assistindo aquele show. Depois de levantado com ajuda de Tinga e Jacque, foi outra indaga pra se escolher o sanduíche. O lugar tava cheio e, enquanto uns riam, outros estavam chocados com a indaga do bombeiro Wladmir, com sua característica camisa vermelha. Depois de muita peleja por nossa parte, o moxezim parente de Nanim, aquetô! Já era hora.

Viemos embora e então resolvi lhe escrever, já que na maioria dos casos, a mãe não sabe o filho que tem, e em outros casos, tem pai que é cego. Diante do exposto, eu só tenho algo a dizer: é Deus que óia mesmo...

atenciosamente,

geraldim de mel, doce que nem os suco que Tinga faz lá em casa"