Sobre mim

O processo político: causas impulsionadoras e abordagem crítica PDF Imprimir E-mail
Seg, 19 de Setembro de 2011 19:05
Autores do nível de Max Weber já teriam afirmado que a mais nobre ciência seria a política, já que para ela trabalham ou convergem todas as demais. Na mesma perspectiva, o brazuca Rui Barbosa, em 1964, lecionou que a política afina o espírito humano. Educa os povos, desenvolve nos indivíduos a atividade, a coragem, a nobreza, a previsão, a energia. Cria, apura e eleva o merecimento.

No entanto, observa-se que os principais cargos políticos, salvo honrosas exceções, estão ocupados, por pessoas portadoras de caráter, ética e moral duvidosos. Todavia, nos ensinam os cientistas políticos contemporâneos, em suas reflexões, que a situação, se encontra como está, porque os portadores de boas virtudes e condutas exemplares se revelam omissos, refratários, ou indiferentes ao processo político.

Aliás, tanto assim se dá, que invarialmente, se vê um o ocupante de cargo político, apesar das imunidades do cargo e prerrogativas de foro, ser afastado, por um processo criminal, ou de impeachment, com a suspensão ou cassação dos seus direitos políticos.

Nos chama a atenção, também, a velha abordagem que diz que o político pode até entrar honesto, para o sistema, mas, logo, logo, se contaminará, no processo, ao ter que aderir aos conchavos e negociatas. Observo que, talvez, algumas expressões possam ter sido mal utilizadas, pois que no processo político, articular e transigir, em prol da coletividade, revela-se essencial, principalmente, para que se respeite, no seguimento, opiniões em contrário, num regime democrático.

O seguimento político possui vícios e mazelas, como qualquer outro. Talvez, por isso, além da propalada reforma partidária, exista tanta legislação buscando coibir e controlar, como a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei da Ficha Limpa, sem embargo dos dispositivos da Legislação Penal e Eleitoral com suas resoluções. Além disso, hoje há uma fiscalização, quase diária, dos Tribunais de Contas Estaduais, do Ministério Público e da mídia, que tem se revelado um quarto poder.

Outrossim, o que mais chama atenção, para aqueles afinados ao processo, é como apesar do rigoroso controle interno e externo. Bem assim da inescondível exposição pública pessoal e de familiares. Do pequeno salário e da alarmante carga de trabalho, tantas pessoas ainda postulam suas candidaturas a um cargo político.

Não se pode esconder, que para muitos, uma tola vaidade ainda constitui o mote impulsionador, em nome dos holofotes da mídia e notoriedade. No entanto, do nosso lado, observamos que o desafio, só se justifica, a partir de um irretocável idealismo, conjugado com um perfil estadista, em prol de uma nobre causa, onde, sempre, o coletivo prevaleça em face do individual.

Quando observamos foguetes, showmícios, festejos, ao final de uma campanha política, perguntamos o que se comemora? O gasto da verba de campanha, que, em seguida, deve ser recompensada nos cofres públicos? Ou, a derrota do adversário, que foi menos astuto em aliciar os eleitores menos esclarecidos? Neste momento, acreditamos que a melhor postura, seria o erguimento das mãos aos céus, rogando proteção e equilíbrio, para o enorme encargo e responsabilidade!   

Ao final, a título de última reflexão, longe de qualquer apregoamento de lição de moral, colaciono as linhas do inesquecível jurista do século, Rui Barbosa, quando afirmava que a política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis. Ou seja, não constitui um jogo de  criadagem, parolagem e afilhadagem. E, nem tampouco, de inveja, incapacidade, e intriga.

Zilmar Wolney Aires Filho (Zilô), advogado e professor especialista em Processo Civil, mestrando em Direito Civil, membro da Academia de Letras de DNO