Sobre mim
| O fantasma ladrão de lenha |
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| Qua, 01 de Julho de 2009 00:00 |
Em outras épocas, o Barreiro era palco constante de causos e acontecimentos inusitados. Ali a garotada jogava bola, tomava banho de bica, pegava lenha, caçava passarinho de baladeira, bodoque ou simplesmente ia para passear, bater perna.Atualmente, a comida é, na sua totalidade, feita em sofisticados fogões a gás. É raro ver fogão a lenha em plena atividade, até mesmo, porque lenha não é tão fácil de encontrar. As terras, outrora livres, encontram-se divididas em cercas separando propriedades particulares. O acesso é restrito e à vezes sob vigilância armada. O fogão a gás era para poucos. O jeito, então, era ir pro mato pegar lenha. Algo muito comum e corriqueiro. O campo não tinha limitações. Este momento era, muitas vezes, verdadeiro lazer. Aí, iam pais, mães, filhos, enfim, a família inteira. Forma-se verdadeiro comboio. Caminhar naquelas trilhas estreitas cheias de encruzilhadas, bifurcações, podia esperar aparecer cachorro doido, boi-de-careta, casa de marimbondo e diziam até que por ali alguém tinha visto o pé-de-garrafa perambulando – as marcas invertidas dos seus pés apareciam sempre depois da chuva; outros viram livuzia. Em uma dessas “buscadas de lenha” foram os dois filhos e a mãe. A mãe dos garotos, já de idade avançada, caminhava a passos lentos. Chegam ao local. Começam as buscas. Procuram aqui, procuram ali, juntam uns galhos, cortam outros. Seguem adiante. O tempo passa e sem pressa continuam na sua busca pelos galhos secos e bons de brasa. No avançar das horas é tempo de ir embora. Agora é hora de juntar a lenha. Amarrar o feixe. Enrolar a rodilha de pano para colocar na cabeça. Cada qual com seu feixe de lenha já prontos para a partida, erguem com esforço o pesado fardo de madeira. Certo ar de satisfação pelo dever quase cumprido, apesar do cansaço. Começam a caminhada. Um atrás do outro. O silêncio toma conta. Só ruídos típicos da mata. Neste instante algo não previsto acontece. Um vulto atravessa a estreita trilha. Atravessa de novo. De repente aparece por completo e fica estático diante deles. Os feixes de lenha são jogados no chão e todos se lançam em disparada pelo cerrado adentro. Depois de tanto trabalho, lá se foi toda lenha. Muito tempo depois, se descobriu que o tal fantasma era um vizinho seus. Jader de Melo Rodrigues, técnico em Telecomunicações, bacharel em Administração e pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior
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Em outras épocas, o Barreiro era palco constante de causos e acontecimentos inusitados. Ali a garotada jogava bola, tomava banho de bica, pegava lenha, caçava passarinho de baladeira, bodoque ou simplesmente ia para passear, bater perna.