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O estranho mundo da física quântica PDF Imprimir E-mail
Seg, 20 de Dezembro de 2010 06:17
A estranheza da física quântica fez com que Einstein se recusasse a estudá-la. O ganhador do Prêmio Nobel de 1965, Richard Feynman, afirmou com segurança que ninguém consegue entendê-la. Ora, se um cientista de alto gabarito admite isso, o que dizer de nós, meros mortais? Mas o leigo que tiver contato com essa fascinante descoberta não conseguirá mais abandoná-la, afinal é difícil saber que existe algo tão inusitado e simplesmente ignorá-lo. É como um vício.

Mas o que é física quântica? É a ciência que estuda as partículas subatômicas. É o estudo do microscópico, o que acontece no mundo pequeno. A física clássica newtoniana estuda o macroscópico, o que existe enquanto matéria, tudo aquilo que faz parte da nossa realidade. Nesse estranho mundo dos átomos e suas partículas acontecem fenômenos que nem mesmo o mais imaginativo dos cientistas poderia prever.  

Quântica vem do latim quantum, que significa quantidade, termo esse utilizado para designar, também, toda a medição do mundo minúsculo, daí os nomes “física quântica”, “mecânica quântica” ou simplesmente “teoria quântica”.  Depois de ler sobre ela, nunca mais você verá o mundo como antes.

Imagine a hipótese de um átomo de hidrogênio do tamanho de uma bola de basquete. Proporcionalmente, o elétron que gira em seu redor estaria a 32 km – e todo o espaço entre eles, vazio. Dizem os cientistas que há mais energia em um centímetro cúbico de espaço vazio do que em toda a matéria do universo conhecido! Você leu certo, é isso mesmo.

Seguindo esse raciocínio e levando em conta que tudo é formado por átomos, numa parede ou pessoa, por exemplo, existem muito mais espaços vazios do que solidificados, justamente por conta desse vácuo entre os elétrons e o átomo. Em nossa frente, na realidade, há minúsculos pontos de matéria cercada de nada.

Outra interpretação da física quântica é que “a consciência cria a realidade”. E chegaram a essa conclusão depois de observarem as partículas subatômicas. Quando elas não estão sendo observadas, se apresentam em forma de ondas; quando alguém as observa, elas se “colapsam” e se tornam sólidas novamente. Ou seja, elas sabem quando estão sendo observadas e são modificadas por quem as observa, ou melhor, pela consciência de quem está olhando. O observador modifica o observado, assim, em tese, teríamos a capacidade de modificar a matéria que está em nossa volta apenas contemplando-a. Só não fazemos isso porque, dizem alguns cientistas, ainda não aprendemos a observar corretamente.

Na física quântica não há tempo e espaço, conceitos tão básicos e caros para entendermos o mundo à nossa volta. Descobriram que ao separar duas partículas sobrepostas ou “emaranhadas” e dispará-las para lados opostos do espaço, caso você faça algo que altere o estado de uma delas, instantaneamente a outra se alterará para adotar um estado correspondente, mesmo estando tão distantes, justamente porque tudo, em quântica, está sempre se tocando, é uma coisa só, desde o universo, os objetos que existem e todos os seres vivos, inclusive nós. É o que chamam de interconectividade. Einstein preferiu denominar tal fenômeno de “ação fantasmagórica a distância”, afinal isso é infinitamente mais veloz do que a luz.

Física quântica se parece mais com mágica do que ciência, daí sua estranheza. Os cientistas descobriram que, segundo a referida teoria, um objeto pode estar em vários lugares ao mesmo tempo. Uma partícula, por      exemplo, foi encontrada em três mil posições distintas. Veja bem, não é que essa partícula tenha se dividido em três mil partes, mas é ela mesma em vários lugares.

Sendo possível modificar a realidade apenas com a consciência, por meio da observação, as partículas subatômicas necessitam ser observadas para que sejam modificadas, certo? Assim, se o mundo é feito de tais partículas e está em constante evolução, haveria um grande observador por trás disso? Os místicos diriam que se trata de Deus. Os cientistas responsáveis não afirmam isso, mas dá o que pensar. De qualquer forma, se a ciência pretende provar a existência de algo divino, o caminho parece ser o da física quântica.  


Dídimo Heleno, advogado, membro das Academias Dianopolina, Palmense e Tocantinense Maçônica de Letras.