Sobre mim
| Mais parada que água de barragem |
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| Seg, 23 de Agosto de 2004 17:11 |
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Nasci dia 25 de junho de 1978, em Dianópolis. Ali no Hospital São Vicente, ao lado do Colégio João de Abreu. Deste dia até a data de 26 de janeiro de 1996 eu morei naquela cidade. Mudei pra Goiânia nesta data e aqui estou, até hoje. Mesmo assim, trago DNO em meu coração e lá volto, pelo menos, três a quatro vezes por ano. Em 2002 bati meu recorde, fui lá oito vezes (revellion, carnaval, maio, julho, duas vezes em outubro e dezembro). Amor pela cidade, não falta, nunca faltou e, com fé em Deus, nunca faltará. Quem me conhece, sabe bem disso. O que escrevo agora é justamente por amar demais minha cidade natal e querer vê-la crescer mais e mais. Há tempos reparo que Dianópolis vive num paradão sem fim. Apesar de vivermos exaltando as indagas, as farras, as festas, a cidade vem, cada vez mais, chegando a uma situação preocupante. Vou me explicar melhor. Até quando morei em DNO, lembro-me que tínhamos duas boates, além dos bares e serestas. Sem falar nas várias opções para os finais de semana, como a Palmira, Rio da Conceição, Cachoeira, Corrente e vários outros. Ou seja, o lazer em Dianópolis já teve bem mais atrações que os dias de hoje. Principalmente se falarmos do movimento na cidade, nas suas ruas. De lá pra cá, parece que o povo foi sumindo. A “minha geração” (pessoas que tem hoje entre 22 a 30 anos) sumiu da cidade. Quase todos meus conhecidos desta faixa etária moram principalmente em Goiânia, Brasília, Gurupi e Palmas. E parece que pouca gente deste grupo tem voltado lá. É a impressão que me dá. Muitos lembram bem de como eram cheias as férias de julho em Dianópolis. Era nossa maior atração. Dezembro também “bombava” de gente. Sempre se tinha boates abertas e cheias, além de várias festinhas para a juventude, nas casas. Lembro da época que o Star Light abria de segunda a segunda, sempre mantendo um bom público. De uns tempos pra cá, apenas poucos finais de semana dos meses de férias e algumas festas, como carnaval e aniversário da cidade, apresentam bom movimento. Fora disso, vivemos paradão tamanho.Dianópolis tá mais parada que água de barragem. Citarei alguns exemplos recentes, pontuais, vividos por mim. O caro leitor deve ter também suas experiências e delas poderá se lembrar. Há algum tempo venho reparando que esta geração que eu citei recentemente sumiu de Dianópolis. Na época das férias, se vê claramente nas ruas a moçada mais nova, uma galerinha de 15 a 18 anos. Para isso, basta freqüentar a praça Getúlio Vargas e o Tarantas, região que mais aglomera esta turma. Para eles, a cidade deve estar ótima – no que diz respeito, ao menos, a companhia. Nestes últimos anos, muitas vezes, sinto-me perdido, por ter poucos amigos ou conhecidos contemporâneos. De duas boates, praticamente não temos mais nenhuma em DNO. Temos uma lá que está num fecha-e-não-fecha. Vale destacar que, no setor Cavalcante, a situação não é tão parecida quanto a “lá de baixo”. O Cavalcante sempre teve sua boate, sua agitação noturna e, agora, com Luciano comandando o Áquários, o agito está cada vez maior. Graças, também, a sua competência. Mas voltamos ao paradão de Dianópolis, como um todo. Saia nas ruas para ver. Não só à noite. As ruas estão paradas, sem movimento. Penso eu que tal situação se reflita no comércio e na economia, de uma forma geral. Nestas férias de julho pude perceber a diferença do agito de meus conterrâneos em Dianópolis e na Capital do Tocantins. Em Palmas, onde esta geração dianopolina que citei acima é bem representativa, tivemos boas opções de badalações e encontros. Liguei sexta-feira passada para um amigo em Dianópolis e perguntei como estava o movimento. Ele, sem hesitar, respondeu: “ta um paradão danado”. Minha tia Tereza (irmã de minha vó) passou cerca de vinte dias por lá e chegou decepcionada com a situação da cidade. “Dianópolis está num paradão terrível. Não se vê as pessoas nas ruas. Situação contrária de Almas, onde há movimentação na cidade”, comentou ela. Certa vez, há uns dois anos, ouvi da boca de Leonardo, vulgo Waldema (DF), numa manhã de terça-feira, mês de julho: “já que não tem nada pra fazer mesmo, vamos beber uma ali no Cocho”. E pra lá fomos. Inicialmente, parece pura gozação. Mas reparem se ele não tinha razão. Além do "sumiço de uma geração", outro fator contribui para esta sensação de esvaziamento, de "paradão". Nunca vi uma programação cultural em Dianópolis para incentivo ao teatro, para jogos municipais (englobando não só o futebol, mas vôlei, baralho, concurso de dança, e vários jogos e atrações que podem movimentar a população de forma geral), festivais, ou coisa do gênero. A sociedade tem que se mobilizar! Recentemente comentava com mãe sobre esse assunto. Daí nasceu a idéia de escrever este texto. Falávamos sobre a quantidade de opções culturais, muitas delas de graça, oferecidas numa cidade grande, como Goiânia. Show, apresentações culturais, ensaios, teatro...várias e várias opções. Lógico que sabemos das diferenças e limitações, entre uma Capital de um milhão de habitantes e uma cidade do interior. Ao lembrar de Dianópolis, do marasmo que vem nos assolando há anos, me preocupo ainda mais. Minha intenção é externar uma preocupação - algo inclusive que já ouvi da boca de vários conterrâneos. Vejo minha mãe relembrar sua infância e adolescência. Naquela época, a agitação entre os jovens era bem maior. Nas escolas, nas praças e nas ruas, o teatro, o circo, o tal “drama” era febre entre a juventude. A sociedade precisa discutir e se organizar para alterarmos tal quadro. Geraldo Neto |



