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Lula e Deus PDF Imprimir E-mail
Ter, 14 de Setembro de 2010 21:21
De acordo com o IBGE, no Brasil cerca de 12,5 milhões de pessoas se declaram sem religião, entre ateus, agnósticos e deístas, o que representa 7,4% da população.  Segundo as últimas pesquisas, Lula detém cerca de 80% de popularidade. É quase um Deus. A continuar assim e tendo em vista o aumento de pessoas desiludidas com a divindade, não demora e o nosso presidente atinge a onipotência eleitoral. Na medida em que a fé em Deus se arrefece, aumenta a crença no “Salvador da Pátria”.

Mas o que Lula fez de tão divino para merecer tamanha consideração e adoração? Ora, preencheu milhões de estômagos vazios. O mais incrível é que outros governantes não tiveram essa ideia. Como não pensaram que bastaria criar um programa como o Bolsa Família, oferecendo em troca uma módica quantia para os pais colocarem os filhos na escola? Para quem não tem muito apreço pelo trabalho é um prato cheio, literalmente. O sujeito contenta-se com um bocado de arroz e feijão, palita os dentes fagueiro, afaga a própria barriga e agradece ao seu senhor, Luiz Inácio.

Dificilmente Lula chega aos 100% de aprovação, e talvez nem ele gostaria disso, afinal, como diria Nelson Rodrigues, em célebre e exaustiva frase, toda unanimidade é burra. Aliás, nem Deus consegue ser adorado por todos, assim não seria o nosso Luiz Inácio a  pretender tamanha ousadia.

A popularidade presidencial chegou a patamares tão elevados que até a oposição está colando sua imagem à dele. Ficar contra o governo Lula é considerado erro crasso em estratégia eleitoral. No programa do José Serra, recentemente, utilizaram a imagem do presidente e até o jingle da campanha do tucano traz um versinho simpático em alusão ao nome do santo Luiz Inácio.  Nunca antes neste país se viu algo parecido.

Tudo indica que, caso a Dilma Rousseff vença as eleições – e isso parece quase certo, a se levar em conta os mais de vinte pontos que a separam do Serra – daqui a quatro anos o Lula volta com mais vitalidade, e tudo leva a crê que ainda mais amado e fortalecido, afinal serão dias difíceis sem o Pai da Pátria. Para que não fiquemos desamparados, Lula “entregou” o povo nas mãos da Dilma, elevando-a da categoria de “genitora do PAC” para “mãe da Nação”. Como se vê, seremos embalados pelos braços maternos que outrora embalaram metralhadoras e fuzis. Mas o povo aguentará o período de carência lulista, com a certeza de que ele estará por ali, sempre a espreita, pronto para aconselhar sua pupila, dando-lhe todo o respaldo necessário.  

Aconteceu o que muitos não acreditavam, inclusive eu. Houve nítida transferência de votos de Lula para Dilma. Quem vota nesta, na verdade pensa naquele, o ungido, o milagreiro. Ao que parece, quem está com Lula dificilmente perderá as eleições, com pouquíssimas e raras exceções, afinal há sempre os incômodos ateus, capazes da inenarrável petulância de se dizerem descrentes e dispostos a nadar contra a maré, chegando ao cúmulo de se declararem céticos com relação a Lula e sua igreja, o PT. Mas a esses despossuídos de fé será reservada a merecida condenação ao inferno da derrota eleitoral, do ostracismo e do desprezo. Se a popularidade divina é de 92,6% no Brasil, e a de Lula é de 80%, míseros 12,6% separam o profano do sagrado. Assim, espera-se que Deus, que apesar de tudo “ainda” consegue uma ligeira vantagem na preferência popular, tenha piedade de todos nós.  
 
Dídimo Heleno, advogado, membro das Academias Palmense, Dianopolina e Tocantinense Maçônica de Letras