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Livros pra quê? PDF Imprimir E-mail
Ter, 17 de Abril de 2012 17:39

O livro era o maior manancial de cultura e conhecimento que tínhamos à nossa disposição desde as antigas civilizações. Impresso em papiros antes da descoberta do papel, em vários idiomas e dialetos, atendendo aos leitores desde os mais exigentes até os menos preocupados com conteúdos; independente dos interesses efetivos pelo aprendizado, os livros sempre foram os maiores instrumentos para os buscam conhecimento através da leitura e interpretações de textos. Não se podia pensar em aprender se não fosse pelos livros, com o auxílio dos professores dos ensinos regulares e de escolas criadas para atender às demandas específicas dos mais variados tipos de alunos.
 
As bibliotecas onde se disponibiliza grandes variedades de livros, sempre abrigaram proporcionalmente à quantidade livros, uma quantidade de informações para atender aos que buscam satisfazer suas necessidades literárias, sendo na maioria oriundas de comportamentos sociais, sejam eles de cunho estudantil, profissional, lazer, entretenimento, cultural ou qualquer outro que tenha surgido através do interesse pela leitura e consequentemente com possibilidades de ser atendido através dos conteúdos editados nas páginas dos livros.
 
Uma feira literária é o sonho de consumo dos leitores ávidos por conhecimentos, sejam eles lúdicos, formais, profissionais, culinários, gastronômicos, esportivos, religiosos ou simplesmente conhecimento de situações fictícias exploradas por autores de romances que possuem grandes capacidades de transportar o leitor para um mundo irreal muitas vezes recheados de novidades, prazeres e interação com situações que os livros apresentam.
 
Toda essa realidade literária onde o livro se configura como objeto de uso pessoal para os que buscam transformar informação em conhecimento, tem sofrido transformações estruturais inimagináveis ha trinta anos atrás. Quem em sã consciência imaginaria ver todas as enciclopédias do mundo dentro de um site de acesso livre e irrestrito. Quem poderia imaginar que os conteúdos de vários livros poderiam ser armazenados em minúsculos chips, onde as informações poderiam ser acessadas através de digitação de uma palavra chave. Quem poderia imaginar ter acesso à leitura de um jornal onde as informações fosse objeto de retroalimentação simultânea aos acontecimentos dos fatos. Quem imaginaria um sistema virtual onde em uma única tela, passasse todas as informações contidas nas páginas de todos os livros armazenados, na memória desse instrumento eletrônico aparentemente inexpressivo chamado tablet.
 
Há de fato uma grande revolução no mundo literário. Creio que estamos no início de uma grande mudança de hábitos e costumes, onde a transformação cibernética é e será o indutor de novas tecnologias, criando comodidades e maiores eficácias na busca e obtenção de informações capazes de revolucionar sistemas produtivos reais e virtuais.
 
O romantismo dos antigos veículos de comunicação impresso abre espaço para uma nova ordem mundial, onde a velocidade das informações passa a ser o grande diferencial para aqueles que buscam agilidade e menor espaço de tempo nas tomadas de decisões. Como leitor assíduo do Jornal do Brasil, vi com muito pesar o fim da edição impressa em setembro de 2010, data a partir da qual o jornal somente foi editado na versão on line via internet. Perde-se o charme dos velhos cadernos do jornal impresso e passa a ganhar a interação com o veiculo de comunicação onde o próprio leitor passa a ser parte das notícias na medida em que ele decide interagir com as informações, seja como leitor/editor ou como ator dos fatos citados.
 
O Tocantins buscando resgatar o interesse pela leitura e maiores oportunidades para aprimoramento dos que militam na educação através do uso diário dos livros, está organizando as feiras literárias itinerantes. Embora o hábito de leitura não seja algo inerente à maioria dos brasileiros, as opções de se ter contato direto com uma gama de títulos é sem dúvida uma opção para repensar a educação e os meios de se obter conhecimento. Temos um vizinho onde se valoriza muito os livros como instrumento de obtenção de conhecimento e até mesmo com hobby no que tange ao entretenimento. Se tem um quesito em que a Argentina ganha de goleada do Brasil é no hábito da leitura. Os argentinos são infinitamente mais chegados à leitura do que os brasileiros, fator que eleva o nível cultural e intelectual dos “hermanos porteños”. Exemplos argentinos à parte o fato é que os tocantinenses estão diante de excelentes oportunidades para reciclagem de conhecimentos, adquirindo livros e junto com eles o hábito da leitura, até porque ainda não se inventou um sistema de interpretação de texto e aprendizagem por osmose.
 
Nas feiras itinerantes tal como ocorreu na Coluna Preste que nos anos de 1925 a 1927 que percorreu o Brasil defendendo o ensino público gratuito e o voto secreto, Arraias e Dianópolis fizeram parte dos trechos percorridos e agora foram os primeiros contemplados. Esperamos que tal iniciativa do Governo do Estado não seja um projeto subutilizado, onde a população deixe de aproveitar os subsídios dos recursos públicos utilizados em infraestrutura, através das oportunidades literárias apresentadas e não tenham dúvidas, pra que servem os livros.
 
Geraldo Ivan Oliveira da Cruz, bacharel em Química Industrial, turismólogo, pós-graduado e mestre em Administração e Educação Ambiental, professor universitário, coordenador do Polo da UNOPAR - Universidade do Norte do Paraná em Dianópolis e Secretário da FACIET - Federação das Associações Comerciais e Industriais do Estado do Tocantins