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IPcalipse: A Internet sumiu PDF Imprimir E-mail
Qua, 16 de Fevereiro de 2011 08:44
IPcalipse seria o Apocalipse da Internet. Sabe-se que a Internet foi criada na época da Guerra Fria. Inicialmente, sua função seria interligar órgãos militares, governamentais e acadêmicos. Seu principal objetivo é permitir que a comunicação entre eles continue ativa mesmo no caso de ataque em núcleos estratégicos. Isso é possível devido a sua característica de realizar múltiplas interligações.

A Guerra Fria acabou. A Internet foi liberada para uso comercial. O sucesso da rede proporcionou o seu crescimento ao ponto de causar preocupação com a falta de endereçamento. Cada computador conectado a Internet necessita de um número para que ele seja localizado por outro computador. É como se fosse o número de identidade, ou seja, o endereço IP.

O endereçamento dos computadores é composto de 32 bits. Isto permite que quatro bilhões de dispositivos possam ser conectados à rede mundial.  A forma inicial de distribuição dos endereços acelerou ainda mais a sua escassez. Poucas empresas, as de grande porte como: IBM; HP; Microsoft; receberam grande quantidade. Aproximadamente a metade dos endereços IP fica nos Estados Unidos. O restante foi distribuído entre empresas da America Latina, Ásia, Europa e África.

Nos anos noventa, o esgotamento da numeração IP já era motivo de preocupação. Os órgãos reguladores da Internet perceberam a necessidade de encontrar a solução para tal problema. A Internet corria sério risco de se estagnar. Com a falta de endereços, não haveria novas redes, novos usuários, novos serviços. A demanda por novas conexões é cada vez maior. Como ligar os celulares 3G, os Tablets e os Netbooks à grande rede?

Não há motivo para se preocupar. A solução já está a postos. O novo protocolo TCP/IP – a língua que os computadores da Internet usam para se comunicarem – atende plenamente a demanda por novos endereços e é capaz de oferecer muito mais recursos, como segurança, tão necessária para proteger informações bancárias, por exemplo.

Os novos endereços IP são compostos por 128 bits. Para se ter uma idéia da quantidade, é possível ter um endereço por centímetro quadrado da superfície da Terra. Cada habitante do planeta pode receber bilhões de números IP. Há a possibilidade de cada dispositivo conectado à Internet ter mais de um endereço. O endereçamento pode ser por serviço e não só por dispositivo.

O apocalipse da Internet não passa de simples especulação. Mesmo que não houvesse mais endereços para distribuir, a rede mundial de computadores continuaria funcionando normalmente da mesma fora que funciona hoje. O Orkut, o MSN, o Twitter, o DNOTO não deixariam de existir.

Não existe uma data limite para mudar do endereço de 32bits para o de 128. Os dois vão conviver por muitos anos. A mudança será feita, inicialmente, nos núcleos das redes dos grandes provedores, depois chegará aos computadores, celulares, Ipads dos usuários finais, como nós. Só que ela precisa acontecer para continuar a evolução das comunicações.

Que tragédia seria o fim da Internet. Havia muitos suicídios. Como seria a vida dos twitteiro de plantão? Como eu faria para brincar de “jogo da velha” com meu sobrinho em Palmas? Ainda bem que existem seres inteligentes que encontram solução para os problemas das máquinas e dos humanos.

Jader de Melo Rodrigues, técnico em Telecomunicações, bacharel em Administração e pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior