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Ao meu amigo Ramirão (in-memoriam), que era fã do meu pai, a quem sempre se espelhou no trato do caminhão. Olha! Lá vai o Juvêncio, Será que é ele mesmo? Foi embora faz tanto tempo Faz tanto tempo que não o vejo A altura e a dele, Os cabelos baixo também O corpo magro sempre ereto E a postura de ninguém. Será que estou enganado Faz tanto tempo, porem, Ainda não vi outro homem Com o carisma que ele tem. Puxo na minha lembrança Algum detalhe a mais Pra me fazer ter certeza as duvidas que o tempo me traz. Lá vai o Juvêncio pelas ruas Ruas que sempre foi dele É rua de cima rua de baixo Rua dos nove ou rua do beco. Faz tanto tempo! Lembro-me do seu caminhão Do barulho da buzina Pelas estradas do sertão Acho que é ele mesmo A mansidão no falar A elegância no andar O modo de cumprimentar Mas faz tanto tempo! Eu ainda era um garoto Mais já sabia o que queria andar na boleia de um caminhão E ser o Juvêncio um dia. Andar nas estradas sem fim Passar em mata-burro e pontes ruins Passar dias em atoleiros sem dormir Ver o carro quebrar sem peça para Substituir E a fome a sede e o corpo quebrado Resistindo A não prosseguir E foi lembrando de tudo isto, E abraçando a coragem que ora Veio-me Cheguei bem perto e o abracei E sem falar uma palavra, chorei! Faz tanto tempo! Dorgival A. Souza (Dorjão)
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