Sobre mim

Faz tanto tempo PDF Imprimir E-mail
Ter, 07 de Novembro de 2006 20:14

Ao meu amigo Ramirão (in-memoriam), que era fã do meu pai, a quem sempre se espelhou no trato do caminhão.


Olha! Lá vai o Juvêncio,
Será que é ele mesmo?
Foi embora faz tanto tempo
Faz tanto tempo que não o vejo

A altura e a dele,
Os cabelos baixo também
O corpo magro sempre ereto
E a postura de ninguém.

Será que estou enganado
Faz tanto tempo, porem,
Ainda não vi outro homem
Com o carisma que ele tem.

Puxo na minha lembrança
Algum detalhe a mais
Pra me fazer ter certeza
as duvidas que o tempo me traz.

Lá vai o Juvêncio pelas ruas
Ruas que sempre foi dele
É rua de cima rua de baixo
Rua dos nove ou rua do beco.

Faz tanto tempo!
Lembro-me do seu caminhão
Do barulho da buzina
Pelas estradas do sertão

Acho que é ele mesmo
A mansidão no falar
A elegância no andar
O modo de cumprimentar
Mas faz tanto tempo!

Eu ainda era um garoto
Mais já sabia o que queria
andar na boleia de um caminhão
E ser o Juvêncio um dia.

Andar nas estradas sem fim
Passar em mata-burro e pontes ruins
Passar dias em atoleiros sem dormir
Ver o carro quebrar sem peça para
Substituir
E a fome a sede e o corpo quebrado
Resistindo
A não prosseguir

E foi lembrando de tudo isto,
E abraçando a coragem que ora
Veio-me
Cheguei bem perto e o abracei
E sem falar uma palavra, chorei!

Faz tanto tempo!


Dorgival A. Souza (Dorjão)