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Enxerto fraco PDF Imprimir E-mail
Seg, 29 de Novembro de 2004 17:37

Os dianopolinos que moram em Goiânia têm um time de futebol: RAD – Renovação Atlética Dianopolina. Ele foi criado há 25 anos e até hoje reúne a turma nas peladas de final de semana e em torneios. Em 2002, por exemplo, o RAD foi ao Rio da Conceição jogar contra o time local, numa confraternização organizada por Ende (coordenador do time). Ele é quem escala o time, organiza os jogos e as confraternizações do time. Enfim, é o “dono do time”. Volta e meia Ende convida alguns atletas que não são de Dianópolis, mas jogam no time pra “reforçar”. São conhecidos pela turma como os enxertos.

Todo ano acontece um torneio chamado Campeonato do Nordeste, em alusão ao antigo nordeste goiano (Dianópolis, Taguatinga, Ponte Alta, Paranã, Arraias e toda aquela região). O RAD já foi campeão do certame inúmeras vezes, mas nos últimos anos não tem obtido muito sucesso.

Ano passado o time participou do referido torneio. Após algumas derrotas, chegou um momento crucial no campeonato: tinhamos de ganhar para continuar na competição. A turma estava eufórica e sabia da necessidade de obter um resultado positivo. Ciente de tal situação, buscando ajudar o time, Ende mais uma vez convidou alguns enxertos.

Só que, desta vez, o bicho pegou. Amilton, conhecido como Nego Mita, era até então titular do RAD. Com a entrada dos enxertos, ele foi colocado de fora. Não ficou muito satisfeito. “Não admito ficar de fora. Jogamos o torneio todo. Agora neste momento de decisão, Ende me põe na reserva”, esbravejava ele.

Antes de começar a importante partida, Ende reúne a turma toda e apresenta os enxertos. “Fulano de tal, atacante. Este é beltrano, lateral esquerda. E este aqui joga no meio de campo”, apresentou. Mas algo me chamou a atenção: havia mais um convidado que não tinha sido apresentado: o goleiro. Ende convidou um goleiro pra reforçar a defesa do time e, curiosamente, foi o único que não foi apresentado à turma. Achei aquilo estranho e fiquei de butuca.

Pouco antes de começar, Ende distribuiu as camisas para os jogadores: “Fulano, esta é a sua. Beltrano, a sua”. Foi aí que notei o porquê da não apresentação daquele jogador. Finalmente anunciou o goleiro: “Mão De Quiabo, toma aqui a sua camisa”.

Valei-me! Um goleiro que responde pela alcunha de Mão de Quiabo? Como confiar num homem deste?, pensei.

Infelizmente o time perdeu. Se não me engano, foi 6x1. Nego Mita, fulo da vida, esbravejou: “Achei foi pouco. Me botou de reserva desse tanto de enxerto fraco e levamos uma taca”.

Geraldo Neto