Sobre mim
| Entre a pressa e a calmaria |
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| Qui, 16 de Março de 2006 20:00 |
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Não é certo, mas até involuntariamente estamos querendo caminhar na mesma velocidade da comunicação virtual, ainda que não sejamos a explorer, o google, enfim, a internet. Ora, nós não somos máquinas e até mesmo o festejado princípio constitucional da automação já resguardava esse zeloso particular, quando afirmava que a máquina jamais poderia substituir o homem. Tanta pressa adotamos em nosso modus vivendi que os nossos pai-nossos e ave-marias têm sido proferidos de forma mecânica, ou soado na cor das preces das nordestinas carpideiras, que em tantos terços e novenas encomendadas, e bem pagos por políticos, para “bondosos” defuntos, têm derramado lágrimas que fazem inveja aos crocodilos, na mesma pressa e gesto mecânico que proferem suas orações, para ainda alcançarem um outro enterro. Apesar de sermos ciente de que o apressado come cru, criamos mecanismos de controle e aceleração aos nossos gestos. Por isso, além da coleira eletrônica – o celular, agora somos assumidamente escravos do calendário e das horas, muito embora caiba ressaltar que a vida se constitui exatamente dos momentos, principalmente improvisados. Os corvos-humanos, prostrados em praças públicas, à espreita do primeiro otário ou desesperado, para lhes empurrar soluções mágicas e desesperos futuros, se sustentam no seguinte slogan: Os apressados não têm tempo para pensar, por isso não aprenderam a ganhar dinheiro! Tanta pressa temos para isso e para aquilo outro, que esquecemos de apreciar o casto streape tease da natureza trocando as vestes das suas estações; o dia se transmudando em noite, a lua minguante desnudando-se rumo ao quarto crescente. Tanta pressa criamos que o incômodo pequeno de ontem era apenas um diminuto caroço, que dada a ausência de tempo para a assistência médica, tornou-se o grande tumor maligno. Tanta pressa temos, apesar de sabermos que todos caminharemos para o mesmo lugar – sete palmos de terra e um cruzeiro. Por isso, não justifica o axioma que carrega consigo muito mais epigrama do que lógica: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Outra frase de efeito teria melhor alcance e aceitação: quem corre cansa, quem caminha alcansa. É certo que o ponto ideal está entre, nem muita pressa e nem muita acomodação, pois que os “lentões” e ressaqueados pela via dos alucinógenos não encontram a paz almejada, a não ser a fuga extemporânea. Aliás, nem tanta rede de preguiça de Dorival Cayme irá ser o antídoto ideal, pois que tal conduta se revela exceção em face daquilo que organismo humano necessita, ou seja, no mínimo oxigenar o seu cérebro através das práticas físicas, para produzir e pensar, sem embargo de impulsionar as correntes sanguíneas gerando uma boa circulação. Enfim, é bom refletir que: corpo sadio gera mente sadia. E, acima de tudo, não esquecer, que cabeça vazia constitui-se a oficina do capeta. Zilmar Wolney Aires Filho (Zilô), advogado, professor universitário e pós graduado em Processo Civil |



