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Então eu não serei avó? PDF Imprimir E-mail
Ter, 07 de Novembro de 2006 20:14

“O presente artigo tenta trazer à reflexão a profundidade e extensão do problema da agressão ao Planeta pela destruição da camada de ozônio, o que tem nos trazido muitos transtornos ambientais com perspectivas desastrosas. Não bastando isso, eu ainda corro o risco de não ter netos.”

 

E Deus fez o mundo e viu que tudo era bom, diz a Bíblia. O Planeta é a casa dos humanos. Lugar onde moramos sob a lei “crescei e multiplicai-vos”. Porém, assusta-me a possibilidade de não ter netos em vista das perspectivas científicas a respeito da vida no planeta Terra. Urge tomar consciência e agir.

Daqui do alto dos meus cinqüenta anos de vida, me lembro muito bem de quando morava na roça. Tudo “funcionava” regularmente. As estações eram duas apenas: o inverno que para nós era o tempo das chuvas e o verão a época das estiagens. Naquela época, os fazendeiros da região mandavam seus rebanhos pastarem nos Gerais, região no alto da Serra Geral. Era preciso peão esperto, ágil e conhecedor dos sinais do cerrado, para identificar a proximidade de onça ou bicho peçonhento, à noite especialmente. Durante o dia, a viagem era um colírio para os olhos com a bela vista das paisagens: Ipês floridos, Sucupiras e Pequizeiros. As águas puras e frescas dos riachos e corredeiras eram um refrigério para tropas e cavaleiros, cujos estômagos também celebravam a abundância dos frutos do cerrado: cagaitas, mangabas, araçás, puçás, pequis e muricis. Os animais silvestres, habitantes das campinas, alegravam o cenário. Era um tempo de abundância e de respeito entre as espécies.

A Terra é a mãe de todos nós. Enquanto pôde, nos proveu de tudo que precisávamos. A família cresceu. Uma descendência enorme. Seus filhos tiveram sortes diferentes uns dos outros. Espalhados pelo Planeta todo e falando “línguas diferentes”, já não se entendiam mais. Quem tinha mais riqueza e poder, queria mais e mais. Começamos então a espoliar a mãe Terra. A partir daí a “coisa esquentou”. Foram desmatamentos, estradas gigantes que não levam a lugar algum, madeireiras e mineradores inescrupulosas; assoreamento dos rios; poluição das águas, do solo e do ar chegando ao limite do nosso teto! A nossa casa, o Planeta, tinha um teto maravilhoso, perfeito. Não era de gesso nem de concreto. Não era de PVC nem de madeira. Era muito mais que tudo isso junto. E não tinha goteira. Sabe o que é goteira?

Estudiosos afirmam que: “A Natureza sabiamente protegeu o planeta Terra com um escudo contra a irradiação ultravioleta prejudicial. Esse escudo, a camada de ozônio, absorve grande parte dessa irradiação perigosa, impedindo que ela chegue até o solo”¹. Mas conseguimos furar o nosso teto: a camada de Ozônio. E não foi com pedrada de estilingue, não! O mesmo estudo acima citado constatou esse fato: “Nas últimas décadas, entretanto, vem ocorrendo uma diminuição da concentração de ozônio, causada pela emissão de poluentes na atmosfera e o maior responsável é o clorofluorcarbonetos, utilizados nos repelentes de sprays, em embalagens plásticas; chips de computadores, geladeiras e ar-condicionado”¹. E a Terra não conseguiu manter-se equilibrada diante disso tudo.

Outra teoria científica sustenta que “Todos os organismos, agindo em conjunto, formam um sistema ativo cujo objetivo é manter a Terra habitável, porém o organismo que afetar o ambiente de maneira negativa acabará por ser eliminado. Como o aquecimento global foi provocado pelo homem, está claro que corremos o risco de ser extintos”².

Ao criar o homem à sua imagem e semelhança Deus disse: crescei e multiplicai. Está na Bíblia. Também me lembro de como as famílias eram numerosas. Minha bisavó materna teve 23 filhos, minha avó materna teve 11 e minha mãe teve 7. Primos? Muitos! Já eu tive apenas três filhos porque a s concepções mudaram. A mulher também precisa trabalhar fora de casa, pois as exigências da vida familiar e social modernas são grandes. Os meios de transportes mudaram; os de comunicação já não são mais os mesmos. Agora é a era dos computadores e celulares, invenções que a cada dia são descartadas por tecnologias mais novas. E tudo vira sucata e acaba indo para o lixão. Poluição do Planeta. Muitos desses lixos que lidamos diariamente duram anos e até séculos pra se decompor. Neste cenário, a resposta do Planeta é por meio de altas temperaturas, de enchentes em alguns lugares, longas estiagens em outros, tsunamis e furacões.

As constatações científicas, como a de A Vingança de Gaia são: “O Aquecimento Global já não tem mais volta. A situação se tornará insuportável até o ano 2040”².

Então me pergunto: como é que fica a ordem “Crescei e Multiplicai”? Meu filho, consciente de tudo isso foi logo dizendo “ Por isto é que eu não vou ter filho! Coloca-lo no mundo só pra sofrer? Um mundo que só promete fome, sede, doenças e guerras?” E o meu desejo de ser avó, como fica? Estaria meu filho pensando com maturidade e responsabilidade ou com medo? Até onde interferem as conseqüências do desequilíbrio ecológico?

Mas existe também uma legião enorme de filhos pródigos. Estão de volta para a mãe Terra. Alguns vêm num transporte relativamente novo chamado ONG, do fabricante tão conhecido quanto desprezado por todos nós: a responsabilidade. Seu combustível, a coragem, tem um tanque especial chamado consciência e a bomba que o distribui é o coração. O velho coração do homem. É dele que emana todo bom sentimento, toda boa iniciativa. É maravilhoso perceber este movimento que já faz brotar em nós pequenos gestos como selecionar o nosso lixo doméstico, usar saquinhos para coleta de lixo no interior dos carros para não poluir as ruas. É preciso assimilar esta mentalidade. Reparar o mal coletivo. Não envergonhar-se de viver ecologicamente correto. Quem sabe ainda poderei ser avó!

Referências bibliográficas:
¹ www.brasilescola.com/geografia/camada-de-ozônio.htm - 26/10/06 19h39min.
² Revista Veja Ed. 1979 de 25/10/2006 – págs. 17 e 20

 

Mary Ruth Rodrigues, aluna do curso de Letras na Universidade Estadual de Goiás