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Educação como base para o desenvolvimento PDF Imprimir E-mail
Qui, 02 de Julho de 2009 00:00
Estabelece a Constituição da República Federativa do Brasil em seu artigo 6º, a educação como direito social de todo e qualquer brasileiro. Mas qual seria essa educação? A educação que “forma” analfabetos funcionais? Ou àquela capaz de formar cidadãos céticos, racionais e capazes de entender o mundo? É notória a relação ensino-desenvolvimento social e econômico. As nações mais educadas são por consequência as mais desenvolvidas, seja do ponto de vista humano ou econômico-financeiro.

Relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra que o Brasil está próximo de universalizar o acesso à educação. O relatório revela que 97,6% das crianças entre 7 e 14 anos estão matriculadas na rede de Ensino, o correspondente a 26 milhões de estudantes. Inédito, o documento relaciona informações sobre acesso, permanência, aprendizagem e conclusão da educação básica entre os alunos. A partir desses dados, o Unicef trilha o cenário de avanços e de desigualdades do sistema de ensino brasileiro.

O Brasil parece querer despertar para o desafio da educação. Não se pode falar em desenvolvimento humano sem falar em educação. Mas há um longo caminho a percorrer. Não se trata apenas de universalizar o acesso, o cerne da questão é a qualidade do ensino que se aplica no país. É desanimador o fato de estudantes passarem do ensino fundamental ao médio sem conseguir ler e compreender o que está escrito num texto de poucas linhas e de fácil entendimento.

Como toda regra há exceções, na educação não deixaria de ser diferente. Só que aqui os campos se invertem. O que é exceção, o ensino com qualidade de primeiro mundo, deveria ser a regra. A partir do desenvolvimento de crianças e adolescentes tendo como base o ensino de qualidade é que se constrói um país fincado sob bases fortes. A democracia plena, o exercício da cidadania e o conhecimento dos direitos individuais e coletivos, além da formação de um ser humano preparado para entender e  enfrentar o mundo, todos esses aspectos estão intimamente relacionados ao desenvolvimento da educação.

A educação é estratégica para a consolidação do projeto de Nação e para um novo modelo de desenvolvimento que conjugue crescimento sustentado, estabilidade econômica e justiça social. Educação é investimento, não gasto. Nos países em desenvolvimento, baixos níveis de escolaridade provocam gargalos estruturais que comprometem severamente a coesão social, o combate às desigualdades e a competitividade. Nas nações desenvolvidas, com economias intensivas em conhecimento e tecnologia, investimentos globais em educação elevam os níveis de eficiência econômica por meio dos ganhos de produtividade resultante da maior qualificação profissional.
 
Investimentos educacionais produzem maior retorno econômico do que os famosos projetos de assistência social, as “bolsas de esmola” que o Estado distribui por todo o país. Por outro lado a educação tem importância humanística intrínseca, que vai além do cálculo econômico, significa inclusão social, cidadania e liberdade.

Para a viabilização de um projeto educacional que esteja no centro da estratégia dos países em desenvolvimento no cenário internacional, com a produção de ciência e pesquisa, é preciso voltar o foco para a qualidade do ensino deixando de priorizar apenas a quantidade, número de acesso às escolas. A melhoria da qualidade do ensino engloba um leque de fatores, entre os quais, remuneração digna dos professores, bem como maior qualificação técnica desses profissionais e reestruturação da rede de ensino, seja no aspecto físico como também no pedagógico ou didático. A reforma na educação brasileira tem que partir da base, ou seja, do ensino básico para o superior.

Não traz efeitos duradouros a mudança apenas na concepção de ensino superior, para se chegar lá, na graduação, o cidadão passa primeiro pelos ensinos básico, fundamental e médio. Ou seja, a transformação visando aspectos principalmente qualitativos na educação brasileira precisa partir da raiz da questão. Só assim o país se desenvolverá sobre bases sólidas.

Kelson Póvoa é bacharel em Ciências Contábeis