E se não nos tivessem deixado, tão cedo, a minha irmã Margareth, a minha amiga Neta Pixuri; os amigos Solon Filho, Domiguinho Freire, Ailton Leal, Wellington Costa, Adonai Aires Carvalho, Néli e Joãozinho Nunes, Edilton Souza Lima, Vildez....?
E se os campos santos de Brasília, Goiânia, enfim, do Brasil, re-solvessem devolver os filhos de Dianópolis, a fim de que esses, mais de perto, pudessem receber, no campo santo de São José do Duro, a proteção do nosso padroeiro e as orações de seus amigos e familiares?
E se um dia os caminhos do Dep. Abílio Wolney e os do Senador Ramos Caiado não tivessem se cruzado?
E se um dia o Estado do São Francisco tivesse sido realidade, englobando parte do Estado da Bahia e do Tocantins, e fizesse de Dianópolis a capital desse novel eldorado?
E se o progresso inútil e vazio que se abateu sobre a “Terrinha” não tivesse arranhado a beleza da Lagoa Bonita (sua lagoa funda e seus sumidouros); bem assim, os Azuis do São Sebastião; as Quedas d´água da Cachoeira da Luz e, por fim, a Biquinha?
E se os administradores equivocados de Dianópolis não tivessem extirpados das nossas praças os pés de flamboyant, o mercadão, o sobrado e o coreto, arrostando esses imprescindíveis referenciais históricos no tempo?
E se a coalizão político-partidária, articulada por Coquelin Costa Leal tivesse sido uma realidade, e por isso as células familiares: Póvoa, Aires, Wolney, Costa, Leal, Rodrigues vivessem em plena paz e harmonia nos meandros políticos?
E se os nossos anti-heróis, zé-te-vi, urbano, zé roxo, velho anjo, agapito, “chica doida”, Xêro... pudessem revelar que atrás de suas incompreensões, sempre estiveram a sorrir e a ironizar do nosso mundinho, tão normal e ao mesmo tempo cheio de estresse, estafa, síndrome do pânico e de psicose maníaco-depressiva?
E se nunca tivessem ficado demodês, perdido o auge, as festas e encontros sociais do Clube Social Uirapuru, do velho Cine Atanaram, da Maranata, do Coreto, do Bandeirante de Valdó, do BAGÓ-Bar, do Casarão e do Varanda´s?
E se o educador de tantas gerações, o pastor de tantos rebanhos, Padre Magalhães, nunca tivesse deixado Dianópolis e os seus sermões continuassem libertando as gerações, e a sua Maranata continuasse a entoar todos os avisos públicos, e por final, esta, também, fosse a chave das alvoradas e o fechamento das tardes na voz da ave-maria de Gounod?
E se o avião aerocarga não tivesse caído, e menores tivessem sidos os surtos de coqueluche através de vôos restauradores, sem embargo dos vômitos depuradores nas alturas?
E se as empresas aéreas Cruzeiro e Vasp não tivessem cancelados seus vôos para o antigo Norte Goiano (Dianópolis), e uma ponte aérea tivesse se consolidado unindo, agora, o Sudeste à nova estação do progresso – o Tocantins?
E se os jovens dianopolitanos do movimento maré mansa, ocorrido nos anos 60, tivessem sido discípulos de Hobin Hood e artífices da caridade?
E se o conterrâneo Gilson Jáder Vieira, durante sua contratação pelo Botafogo, viesse a jogar pela seleção brasileira, e ali se sacramentasse campeão do mun-do?
E se Airton Sena, antes da morte, tivesse confessado que foi aluno de Flávio Nepomuceno Araújo, na Fazenda Brejo, e que pilotou Jeep, em primeiras lições, nas velhas ruas de Dianópolis?
E se Maysa Matarazzo, antes da morte, tivesse confessado que a última música que desejava gravar, intitulava-se Varanda do Mundo, de autoria do conterrâneo José de Alencar Costa Aires, que chegou a executar a canção para a saudosa cantora, momentos antes do acidente que ceifou a vida desta, na ponte Rio-Niterói?
E se o ex-presidente Juscelino Kubitschek, antes da morte, tivesse confessado que a melhor cerveja que tomou, estava ensacada e enterrada no chão duro que São José abençoou, sob a guarda e proteção do Dep. Abílio Wolney?
E se os clássicos de futebol entre Cometa e Comercial, Guarani e Juventus se perpetuassem nas tardes de Domingo, nos gritos de Otavinho, Otacilinho (Rádio Globo) e Edilton Bartolomeu, e que o terminal rodoviário, que se encontra no atual espaço físico, fosse habitar noutra região, deixando o nosso velho campo de futebol no seu lugar, para que as fotografias e as lembranças não revelassem apenas mentiras e elucubrações mentais?
E se tivéssemos dito os merecidos valores, rendido as merecidas honras aos estadistas, Dep. Abílio Wolney, João Rodrigues Leal, Prof. Carlos Alberto Wolney, Madre Arranzazu, Madre Belém e ao casal Coquelin e Diana?
E se resolvêssemos exaltar, em vida, de forma aleatória, sem ordem prévia de destaque ou merecimento, os valores e as merecidas honras para alguns dos nossos conterrâneos ilustres, sem desmerecer outros tantos anônimos, tais como: Alexandre (o cientista da orquídea); Francisco Liberato Póvoa (Ié); Voltaire Wolney Aires; Abílio Wolney Aires Neto; Jovita Wolney Valente; Zoélia Aires Antunes; Zé Liberato Póvoa; Osvaldo Rodrigues Póvoa; Antônio Costa Aires; Jáder de Melo; Saulo Resende Póvoa; Gilson Jáder Vieira; Wilson Rodrigues (Veneno); José Alencar Costa Aires; Geraldo Farias Neto; Yara Araújo; Dídimo Heleno; Nizinha Jacobina Aires; Marcelo Santos; Ednilson Soares (Bita); Mônica Nunes; Malba Costa; Washington Póvoa; Zanone Rodrigues...?
A partícula SE, dentre suas inúmeras funções gramaticais, revela-se condicionante e apassivadora. Talvez, por isso, fosse possível nos louvar dessa técnica da língua culta, a fim de tentar reparar omissões, reescrever a história, e por fim, quem sabe, dei-xar bem vivo em nossos sulcos memoriais, os nossos fatos e questionamentos, uma vez que estes constituem, de forma inconteste, os nossos autênticos referenciais no tempo, já que os referenciais físicos alguns administradores caprichosamente fazem questão de destruí-los.
Zilmar Wolney Aires Filho (Zilô), advogado e professor universitário




