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Diplomacia de quinta PDF Imprimir E-mail
Ter, 13 de Abril de 2010 07:29
A diplomacia brasileira sempre nos orgulhou com sua política de boa vizinhança e por manter um quadro de exce-lentes profissionais. Porém, a partir de Lula o negócio desandou. Celso Amorim está mais para síndico de prédio do que para diplomata (com o devido respeito aos síndicos). Para piorar, Marco Aurélio Garcia é um destrambelhado. São esses senhores que aconselham Luiz Inácio e este, ao deus dará, vai praticando suas peripécias pelo mundo afora.  

Lula está sempre do lado errado, apoiando tudo o que os sensatos abominam. Sente uma atração quase física pelo maluco da Venezuela, Hugo Chaves, o perfeito idiota latino americano que deseja conquistar o mundo, uma carica-tura exata daqueles vilões de filme B. Também fez de conta que não percebeu Evo Morales, da Bolívia, desafiar o Brasil num entrevero com a Petrobrás. E não é novidade a proximidade que alas do PT mantêm com as Farc, grupo terrorista que assombra a Colômbia e o resto do planeta.

Na única oportunidade que teve de demonstrar um pouco de sensibilidade, o governo brasileiro cometeu um dos maiores vexames diplomáticos dos últimos tempos, ao alojar na embaixada em Honduras o caubói Manuel Zelaya e ter ficado contra as eleições democráticas naquele país.

Mas de todos esses desatinos, talvez o mais ridículo seja o apoio que o governo Lula dá ao esquizofrênico Ahmadi-nejad, que já declarou diversas vezes que o Holocausto (dizimação de judeus durante o nazismo) é uma invenção e não esconde seu desejo de riscar do mapa o Estado de Israel. Mesmo assim, recebeu-o com pompas e retribuirá a visita, abrindo braços e sorrisos largos ao tirano, sob o argumento de que a bomba atômica é um direito do Irã, mesmo que seja com a intenção clara de destruir um povo.

Juntamente com Franklin Martins, posou ao lado do comandante Fidel Castro com ar de fã que encontra o ídolo, enquanto um dissidente cubano morria nas masmorras depois de uma greve de fome, sem contar que ignorou o apelo de presos políticos cubanos, além de compará-los aos bandidos comuns das penitenciárias de São Paulo. Tempos atrás, mandou de volta aos braços do ditador caribenho dois pugilistas que imploraram asilo político ao Brasil. Mas não se constrange em defender a permanência, no país, de um terrorista e assassino italiano, simples-mente por ele ser de esquerda.  

Para coroar essa sucessão de destempero, a visita recente do nosso representante ao Oriente Médio foi de fazer dó, de corar qualquer brasileiro. Fez um discurso hilário, pretendendo se colocar como o mediador perfeito para resolver a questão do conflito entre palestinos e judeus, apresentando um projeto simplista, afirmando que apenas a construção de uma nação independente para os árabes resolveria o problema, esquecendo-se de que, hoje, o que mais preocupa naquela região é justamente a falta de juízo de seu amigo iraniano.

Lula estava nitidamente perdido. A aula que teve sobre Oriente Médio foi péssima. Celso Amorim e Marco Garcia fizeram uma confusão danada naquela cabecinha. Para piorar a situação – se é que pode ser pior – o presidente se recusou a depositar flores no túmulo de Theodor Herzl, considerado o fundador do movimento sionista, que muito antes da II Guerra já defendia a criação de um Estado Judeu independente. Para aumentar a provocação, visitou o túmulo de Yasser Arafat, com trajes palestinos, demonstrando toda sua reverência a quem foi considerado inimigo histórico dos judeus.  

O presidente Lula age no cenário internacional como se estivesse numa reunião do PT, transitando com desenvoltura e se lixando para os bons modos, o que deixa o cerimonial com os cabelos em pé, esquecendo-se de que é chefe da Nação. Essa diplomacia de quinta está desconstruindo uma imagem mais ou menos positiva que foi criada por Lula recentemente perante o mundo. Nesse ritmo, “o cara” – afago que recebeu de Barack Obama – se transformará rapidamente em persona non grata e não mais será acolhido nos meios democráticos e civilizados.

Dídimo Heleno, advogado, membro das Academias Dianopolina, Palmense e Tocantinense Maçônica de Letras