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| Dianópolis e as canções de se ouvir: um antigo caso de amor |
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| Sáb, 20 de Novembro de 2010 08:22 |
Ainda sobressalta à memória, o tempo em que os cancioneiros, de violão em punho, constituíam marcos indeléveis da gente dianopolitana. Não raras vezes, ouvíamos os nossos vizinhos e visitantes exaltarem, admirados, como os filhos da polis cantavam, e executavam tão bem um instrumento musical. E, foi assim que crescemos, vendo e ouvindo essa tradição, que foi transmitida de pai para filho, de amigo para amigo, enfim, de geração a geração.Num tempo mais remoto, nos idos de 1910, sabe-se que o coronel Joaquim Aires Cavalcante Wolney contratava músicos do Rio de Janeiro, para animar os festejos no casarão, cujo fato está retratado no filme, o Tronco, do cineasta, João Batista de Andrade. De outro lado, notícias nos são repassadas que Joaquina Póvoa Aires (Iaiá Quininha), por volta dos anos de 1930, nos rincões da Fazenda Beira D´Água, juntava suas filhas, em círculo, para executar um instrumento musical de cordas, cantarolando antigas modas. Após essa fase, por volta dos anos de 1940, seresteiros locais, como Abdias Antunes de Miranda, João Joca Leal Costa e João Leal Costa dirigiam-se até a praça, onde se localiza a igreja da sagrada família, e alí reunidos, próximo à Pedra Grande, entoavam os seus cânticos. Mas, enquanto isso, no Bandeirante-Bar, dirigido por Efraim Bandeira, Zózimo Fernandes encantava as multidões com seu vozeirão. E, nesta geração, não se pode ignorar o mestre Coquelin Leal Costa, executando a ontológica canção, Ramona. Cuja melodia, tomo a liberdade de relatar, tive o privilégio de vê-lo executar, em seus últimos dias de existência em nosso meio. Depois disso, nos anos 50, a primeira professora do Ginásio João D´Abreu, Diana Costa, teria feito composições musicais, como “Saudade doce mal que nos seduz [...]. Na sequência, surge em Dianópolis-TO, o pároco, João Magalhães Cavalcante, grande propagador da arte, através de suas aulas magnas, no Ginásio João D´Abreu, sem embargo do cine Atanaram. E, por fim, pela música de boa qualidade, que ia do latim ao inglês, e do italiano ao francês. Por conseqüência, se vê ex-alunas do citado educandário, até hoje, rezarem em canto, a Salve Rainha, em latim, com tanta perfeição. Aliás, como frutos oriundos daí, também, é difícil esquecer a canção Green Leaves de Nilo Amaro, e Ave Maria de Gounod. Por fim, na década de 50, não se pode ignorar, de outro lado, o saudoso Zé de Bento e sua Banda, com seu sax, alegrando as madrugadas. Após isso, nos anos 60, surge o período das serenatas, onde por ocasião das noites de luas, jovens enamorados, através de galanteios ou felicitações, por aniversários, acolhiam o ensejo para esnobar talento. Nesta época, surge nomes, como José Alencar Costa Aires, Francisco Liberato Costa Póvoa (Ié), Dinei Aires Antunes, José Liberato Costa Povoa, Alemiro Póvoa Leal, Luiz Eraldo Nunes Póvoa, Reginaldo Aires Antunes, Filon Nunes Póvoa, Maria Jussara Costa Aires, Ireneide Nunes Póvoa, Wellington Pereira Costa, Maria das Graças Aires Carvalho, Álvaro Alves Póvoa, Lamartine Rodrigues Cavalcanti, José Cândido Alves Póvoa, Alano Jacobina Aires, Custódio Gonçalves da Silva, Idinélia Nunes Póvoa, Tânia Cavalari Cavalcanti, Sóstenes Ribeiro Costa (Mifi), Wilson Pereira Ramos, Francisco Póvoa Ribeiro Filho (Chiquinho), além de outros tantos. De outro lado, o clássico Flávio Nepomuceno Araújo esnobava o mais destacado violão local, autografado por Reinaldo D´Giorgio. A inspiração musical, no aludido período, encontrou seu instante maior em exuberância, quando a Terrinha conheceu a sua primeira Banda Musical – Os miseráveis. Ou seja, a nominação, nos parece, dava-se pelo ar de rebeldia e caráter extrovertido, frutos da ebulição musical dos anos 60. Era composta a eclética banda, por seu criador, o saudoso Edilton de Sousa Lima, Wellington Pereira Costa, Álvaro Alves Póvoa (Avim) e Wander Pereira Costa. Talvez, por isso, seja compreensível ouvir tantas vozes e violão nos encontros festivos dos filhos de Dianópolis. Nesses, são entoadas velhas e novas canções, como mecanismo de exaltação da alegria e saudosismo - uma característica peculiar do nosso povo. É certo que, nos anos 70, o saudoso professor Carlos Alberto Wolney resolveu estruturar o movimento musical local, sob os reflexos produzidos mundialmente, pelo festival de Woodstock, com o lema paz e amor. Foi quando, então, tivemos os primeiros festivais da canção, arregimentados no palco do Colégio João D´Abreu. Ali, nomes como José Alencar Costa Aires, Wellington Pereira Costa, Maria Jussara Costa Aires, Edilton de Sousa Lima, Alcione Valente, Ireneide Nunes Póvoa, e outros tantos talentos se revelaram. Insta salientar, que com tais eventos, tornou-se possível levar adiante os valores culturais de Dianópolis-TO, além fronteiras do velho norte Goiano, hoje, sudeste do Tocantins. É certo que, na mesma ocasião, animando noites, serenatas e serestas, tivemos nomes como Antônio Costa Aires, Adonai Aires Carvalho, Jackson Aires Carvalho, Herculina Jacobina Rodrigues (Culixa), Maria Conceição Jacobina Rodrigues (Riquinha), Liberato Aires Cavalcante Filho (Berinha), Maria de Fátima Wolney Cavalcante Aires, Wilson Rodrigues, Osvaldo Aires Seabra, sem embargo de consideráveis músicos anônimos. Época em que Dianópolis conheceu, por exemplo, o inesquecível movimento Maré Mansa e a arte jornalística do Terra Boa. Vale lembrar que consideráveis músicos, vindo de outras paragens, deixaram, também, suas notas e lembranças em nossa terra. À guisa de ilustração, Edil do Saxofone, Joaquim Custódio de Sousa (Rebeca), José Aparecido Dantas (Cido), Cláudio Alencar Costa (Cacau), Herbal Alencar Costa Jr, Pedrão Póvoa, Walter de Sousa Guedes (Valtinho), Joãosinho da Banda Real Som 5, e Eloriano Alves de Sousa (Flepinha). Após isso, no final dos anos 70 e início dos anos 80, surge uma entresafra de novos valores musicais, como, por exemplo, Emival Jacobina Rodrigues, José Wilson Póvoa Ribeiro (Zezinho), Osvaldo Rodrigues Póvoa Filho, Edmilson Pereira da Silva (Xeroso), Malba Costa, Irene Nunes Póvoa, Vânia Rodrigues Santana, Marise Fernandes de Oliveira, Regina Aires Carvalho, Mônica Nunes Póvoa, Dioram Jacobina Rodrigues, Zilmar Wolney Aires Filho (Zilô), Magno Cerqueira Pantoja (Pan), Cocrane Rodrigues, Abílio Wolney Aires Neto Ruth de Oliveira, Estefânia Cavalari Cavalcanti, Marta Cerqueira Pantoja. As gerações atuais ainda questionam como Dianópolis-TO, passou, por exemplo, a apreciar a música do grupo Vozes e Acordes. A melhor resposta seria, através dos inesquecíveis festivais da canção, quando, num certame, peço licença para citar, Zilô e Malba sagraram-se vitoriosos com a música, Manhãs de Setembro, letra de Voltaire Wolney Aires. Cuja melodia, posteriormente, foi regravada pelo referido grupo, vencendo outros festivais em Taguatinga-DF e Unaí-MG. É fato memorável, e que não pode ser esquecido, na história da música dianopolitana, o último desejo da cantora Maysa Matarazzo, em gravar a música, Varanda do Mundo, de autoria do nosso conterrâneo José Alencar Costa Aires. Pois, que a saudosa cantora chegou a levar consigo, a fita gravada com a referida melodia. Todavia, logo após, um fatídico tiraria sua vida, num acidente na ponte Rio-Niterói. Depois do episódio, notáveis representantes da canção dianopolitana já alçaram vôos mais altos, gravando CD, tais como, Mônica Nunes Póvoa, onde destaco a parceria com minha mãe Irany Wolney, na canção o Canto das Aves. Berinha e Fátima em coletânea de músicas saudosas da Terrinha. Malba Costa, num misto de músicas pop e de festivais. E, por fim, Ana Virgínia com seleções sertanejas. A voz feminina nos aludidos festivais, em Dianópolis, foi uma realidade. Inicialmente, destacava-se Maria Jussara Costa Aires, ao lado de José Alencar Costa Aires. No mesmo passo em que Ireneide Nunes Póvoa e Mônica Nunes Póvoa, também entoavam, com os seus talentos, notáveis canções. Aliás, “o bangalô da Idinha” foi memorável e inesquecível. Após, veio Malba Costa, em parceria com Alcione Valente, e depois com Zilô Wolney. Em seguida, tivemos Moema Sousa Gomes, em parceria com Osimar Holanda. E, ao final, Estefânia Cavalari Cavalcanti, em parceria com Valter de Souza Guedes. Não há que se esquecer, que nomes como Nilson Bittar e Sérgio Rodrigues, através da comunicação, por meio de Rádios FM, resgataram a história da música de qualidade em Dianópolis. Além desses, uma nova geração, nos anos 1990 a 2000, composta, Geraldo Farias Neto, Marcos Rodrigues (Tubão), Leonardo Silva Wolney, Alexandre Cavalari Cavalcanti Wolney, Brow (filho de Dica e Marta), Teco (filho de Lito e Irene), Cássio Guedes (filho de Valtinho) e Henrique Wolney (filho de Manuela e Zilô) vão resgatando, e fazendo um link com as gerações anteriores, mostrando que a música ainda é uma das facetas culturais identificadoras da nossa gente. Realço, ao final, que é tempo, sim, de resgate dos nossos valores culturais. Principalmente, daquilo que de mais forte e notável identificava a nossa gente. Faz-se necessário, nesses caminhos, não nivelarmos por baixo. Devemos nos afugentar desse mar de mediocridade, que tomou conta da música popular brasileira, tão propalado por Chico Buarque de Holanda. Se criarmos resistência às modalidades musicais descartáveis, oportuneiras e inúteis, que se apresentam agora, poderemos fazer valer o que há de melhor no contexto musical, e que nos foi transmitido pelos nossos antecessores. Aliás, cabe refletir, segundo os grandes pensadores da humanidade, que o amor ensina a música, e sem esta, a vida seria um erro, porque o silêncio adquire forma por meio dela, e onde há música de qualidade, não há maldade. De outro lado, é bom que lembre que a música é uma das coisas que mais aproxima o homem de Deus. E, ao final, a música é para a alma, o que as palavras são para a mente. Zilmar Wolney Aires Filho, advogado, professor universitário, especialista em Processo Civil e mestrando em Direito Civil
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Ainda sobressalta à memória, o tempo em que os cancioneiros, de violão em punho, constituíam marcos indeléveis da gente dianopolitana. Não raras vezes, ouvíamos os nossos vizinhos e visitantes exaltarem, admirados, como os filhos da polis cantavam, e executavam tão bem um instrumento musical. E, foi assim que crescemos, vendo e ouvindo essa tradição, que foi transmitida de pai para filho, de amigo para amigo, enfim, de geração a geração.