Acontece é que as coisa mudaram muito, não se sabe se foi o homem que mudou a natureza ou se foi a natureza que mudou o homem. Só sei que os pobres animais estão desorientados com esse impacto todo. Também pudera, pois em pleno mês de junho, que antes partia o meio da seca, hoje está no auge das chuvas. São brotos de por todas as partes, as matas estão verdes, os córregos estão transbordando, sapos cantando...
O certo é que no meio desse desequilíbrio todo um fato novo está acontecendo e certamente precisará de um bom advogado com especialização em meio ambiente. Aí eu me lembrei do meu primo Wilson José, que é fera nesse tipo de causa.Veja o caso.
Naqueles tempos, em que as estações eram bem definidas, o período chuvoso compreendia de setembro de um ano a março do ano seguinte e o período da seca de maio a agosto do mesmo ano. De modo que, com toda essa garantia, os sabiás, ao chegar o mês de dezembro de cada ano, construíam seus ninhos dentro dos cachos de banana, onde criavam seus filhos até criarem asas e voarem.
Já as Juritis, péssimas em construção civil, usavam como de costume o mês de junho, justamente por não chover, para construírem seus ninhos/garranchos, para também chocarem seus ovos. Mas com esse desequilíbrio todo, virou uma verdadeira confusão.
Os sabiás, pensando estar no período das chuvas, por estar chovendo, estão construindo seus ninhos, achando que já é dezembro; as juritis, por sua vez, ao verem constar em seus calendários que já faz um ano da última ninhada, também estão construindo seus ninhos e, às vezes, no mesmo local do então concorrente Sabiá. Quem tem direito nesse caso?
Antônio Rodrigues Pereira




