Sobre mim

Convocação geral PDF Imprimir E-mail
Sex, 25 de Maio de 2007 20:34

Peço licença para pisar no seu calo. Vou pisar sem nenhuma dó e com toda a força, com minha bota nº. 42 e você não vai dizer nada, vai ficar bem comportadinho(a) e cordato(a). Por quê? Porque você, independentemente de sua situação financeira, com quase 100% de certeza é massa de manobra; “admirável gado novo”; parte integrante de uma manada acéfala e burra que não tem idéia da força que tem.

Isso não é uma provocação, é uma convocação. Convocação pra você liberar uma fagulha do poder de fogo que há dentro de si em estado latente. Não se assuste, a proposta não é pra derrubar o Congresso Nacional, não, (se bem que está precisado), é menos, bem menos. A convocação é pra você ter um pouco de brio na cara (pedi licença!) e reagir contra a taxa que certos shopings estão cobrando (e caro) pelo estacionamento de seu veículo, enquanto você está lá dentro, bestialmente feliz, deixando seu suado dinheirinho nos cofres de seus donos, que estão cada dia mais ricos (dizem até que estão podres). A cada ida nesses estabelecimentos, você fica mais pobre pelo menos R$ 3,50, só por conta do estacionamento. Ressalte-se que, o que está em pauta não é tão-somente a questão da pecúnia, essa é a parte de somenos importância, mas, sobretudo, uma questão de respeito ao cliente (ou freguês, como nos idos tempos da loja do patrício?), uma questão de cidadania (que é isso, coisa de comer ou de passar na canela?). A coisa é tão desavergonhada, que no maior desses empórios os trabalhadores do próprio condomínio pagam R$ 30,00 por mês para estacionarem seus veículos, enquanto trabalham.

Sua colaboração nesse movimento é mínima: simplesmente deixe de ir aos estabelecimentos que cobram pelo estacionamento, mesmo que você não tenha veículo, seja solidário(a), lembre-se que mais dia, menos dia, você vai ter um.

Agora, se depois de ter lido essas mal traçadas linhas, você achar que não lhe diz respeito, “data vênia”, vossa excelência já morreu, embora continue respirando e não terá nenhum direito, no futuro, de reclamar da taxa que instituirão para usar suas instalações sanitárias.

Apêndice:

NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI
Eduardo Alves da Costa

Na primeira noite eles se aproximam/e roubam uma flor de nosso jardim./
E não dizemos nada./Na segunda noite, /já não se escondem:/pisam as flores,/matam nosso cão, e não dizemos nada./ Até que um dia,/ o mais frágil deles/
entra sozinho em nossa casa,/ rouba-nos a luz e,/ conhecendo nosso medo,/
arranca-nos a voz da garganta./E já não podemos dizer nada.


Wilson José Rodrigues Gomes