Texto de Mário Sérgio Mello Xavier, conhecido como Neném.
Praticamente em todos os blogs que eu leio, vejo um padrão que é tão antigo quanto nossa capacidade de escrita ou até nossa existência: a de escrever diários pessoais. Desde os tempos das cavernas o homem já pensa em deixar marcas, contar estórias, mostrar sua visão de mundo. Quem de nós nunca pensou em ler o diário de uma mulher, tentar saber o que se passa na vida delas, e a internet nos facilitou muito nesse sentido, já que atualmente existem inúmeros sites que dão esse serviço. Quase todas as pessoas (eu também), têm um desejo, uma paixão por coisas escritas, por escrever coisas novas, em tentar deixar sua contribuição para o mundo e, de alguma forma, estamos conseguindo.
Escrever é também um compromisso para com as gerações passadas de escritores e leigos, que deixaram cada qual seu tijolo na construção eterna da aventura humana. Compromete-se o escritor também com as gerações futuras, para as quais, quando escreve, faz história! Por isso, para mim, escrever é coisa séria! Quanto mais cedo fizermos novos amigos, mais cedo teremos velhas amizades! Palavras o vento leva, diz o provérbio, mas o que se escreve fica! Isto é sinônimo de comprometimento com a história da própria vida do escritor, com o seu pensar, com a sua visão cosmogônica do universo e da vida. Isto porque ao fim e ao cabo, o escritor será julgado pela História, e então, já não estará presente para refazer os textos mal alinhavados, irresponsáveis, ou simplesmente casuísticos.
O desaguar das idéias guardadas no íntimo, ainda não define completamente um escritor, a meu ver. Um verdadeiro escritor precisa trabalhar sob a lupa do bom senso, afastando-se dos exageros, dos modismos, do mau gosto e aproximando-se do senso estético que pode ser reconhecido através dos tempos, não importa quais culturas venham a analisar sua obra. Para o uso de gírias exageradas e outros modismos, grosserias puras e simples, pornografia sob o disfarce do “erótico” existem outras linguagens, mas que dificilmente poderão ser definidas como literatura.
Hoje mesmo recebi um e-mail de agradecimento de um dos poucos leitores que me acompanham. Em resumo, o e-mail dizia sobre uma realização pretendida há muito e encorajada por um poema escrito por mim. O que tenho a dizer sobre isso ? É que é muito gratificante saber que apesar de toda correria do dia-a-dia as pessoas conseguem encontrar algum tempinho para ler o que escrevemos, e indo mais além, saber que de alguma forma algo escrito por nós, pode ser capaz de ajudar uma pessoa é sem dúvida uma recompensa maravilhosa!
Claro, que cada pessoa só pode falar por si mesma, mas imagino que muitas tenham sensações parecidas com as minhas quando escrevem, falo de prazer e de necessidade de exteriorizar seus pensamentos, suas vontades, seus sonhos e delírios, certos textos carregam um tom mais solene, outros têm a voz da razão de maneira mais determinante, mas creio que todos eles trazem consigo pelo menos um pouco de emoção, quando não são totalmente movidos por ela.
Por fim, sou eu quem agradece ao leitor por ter me proporcionado essa alegria de poder ter contribuído um pouquinho em sua realização e também agradeço por ter me dado à satisfação de ficar sabendo disso. Venho treinando muito, buscando conhecimentos, lendo variados livros e identificando diversos estilos. Isso é bom, é algo que ninguém pode lhe roubar. Pretendo um dia ser um grande escritor, assim como milhares de pessoas neste mundo. Porem, por enquanto, fica aqui meu muitíssimo obrigado a você que me escreveu e que lê este texto neste momento...
Em todo caso, é preciso escrever e ler sempre. Sem medo de errar. Todo mundo erra. Não existe, afora os gênios, quem escreva melhor do que outro. É apenas uma questão de nível. De degrau. De onde estamos hoje e qual será o próximo passo. Sempre crescendo. Sempre subindo mais um degrau. O importante é dar a mão a quem estiver no degrau logo abaixo. Do mesmo modo que se deve ter a humildade de pedir a mão a quem está no degrau acima. O mais importante é ter o que dizer. São as idéias e as experiências que contam. E quando se juntam ao talento, que existe adormecido no interior de cada um de nós, desperta-se para o profícuo, para a qualidade e profundidade dos textos, vale dizer, das mensagens que pretendemos passar.
Quem nunca cometeu, ou ainda comete, um pequeno erro que seja, ou mesmo um engano, que é aparentemente a palavra mais fácil de aceitar, embora diga a mesma coisa, que atire a primeira pedra. Ou não as joguem nos outros. Ou as tirem do caminho para que os outros possam passar e realizarem seus sonhos...




