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Colégio João D´Abreu – Santuário de ensino em Dianópolis PDF Imprimir E-mail
Sex, 07 de Janeiro de 2011 00:00

Desde que as religiosas (freiras) da congregação “Escravas do Divino Coração”, com sede no Rio de Janeiro-RJ vieram à Terra das Dianas, por volta da década de 1950, exercer suas missões no resgate de almas, pela educação, que o antigo Norte Goiano, hoje sudeste do Tocantins, teria por inapropriada a expressão “corredor da miséria”. Assim, receberia merecidamente o título, que bem lhe cabe, como pólo irradiador de educação e cultura, que serviria aos filhos das cidades de Almas, Conceição do Tocantins, Natividade, Arraias, Campos Belos, Barreiras-BA, e demais aglomerados civizinhos.

Nos acostumamos, em reverenciar a estrutura física do Colégio João D´Abreu, que por oito(08) anos nos recebera, em seu interior, para catequese, primeira comunhão, e por fim, educação básica até o 1.º grau de ensino. Por isso, o grande pátio, onde nos posicionávamos para comemorações cívicas, festas juninas, bem assim, para os intervalos regados às músicas, dentre outras, do baiano Benito de Paula, ainda crepitam em nosso subconsciente.

Dias desses, tivemos o privilégio, no referido local, ao lado da Diretora, Irmã Lourdes, e irmã Laura, de adentrarmos locais, até então impenetráveis, em nossa juventude e adolescência. Vimos, portanto, que as escravas do divino coração levam uma vida simples, de abnegação e dedicação ao próximo. Os seus aposentos, sala de estar e de refeições são de uma modéstia e simplicidade realçantes.

No entanto, observamos que a modernidade e fiscalização de agentes sanitários, sob a âncora da infestação de mosquitos da dengue, foram determinantes na remodelação de alguns contornos físicos do nosso inesquecível educandário. Agora, por exemplo, a estátua do Cristo, que ficava no centro do pátio, foi recanteada às proximidades dos aposentos das freiras. No mesmo passo, em que o antigo santuário ou gruta, com Nossa Senhora, nas proximidades da capela, já não existe mais. Assim como o salão nobre, onde eram realizados dramas, peças teatrais, também, deixou de existir.


Irmã Amparo e Padre Magalhães, no pátio do Colégio


É certo que outros tantos empreendimentos foram realizados, pela atual gestão, como ampliação de salas de aula, e até um auditório para eventos da casa e do Estado e município. No entanto, nos causa pesar em ver a ausência do Cristo, no centro do pátio, apenas porque a sua base pudesse aglutinar mosquitos da dengue. Ora, que fosse então estancado o local que acumulava água, permanecendo o referencial cristão, com o destaque merecido. É bem verdade que toda a estrutura física, objeto da discussão, pertence à congregação das escravas do divino coração, muito embora caiba lembrar que este patrimônio já se encontra incorporado em nossas vidas e subconsciente, por tudo que representa e realizou.

Me lembro da dedicação e amor, que a madre Amparo, Aranzazú, tinha por nossa gente, que numa última visita que a conduzi, nas proximidades de um local, conhecido por antigo matadouro de gados, em Dianópolis-TO, para realizar extrema unção, num enfermo, ela me confessou, em último desejo, que desejaria morrer e ser enterrada na Terrinha. É certo que um movimento já teria sido deflagrado por seus ex-alunos, no sentido de trasladar o seu corpo, do Rio de Janeiro-RJ ao campo santo de Dianópolis-TO. No entanto, verifica-se uma certa inflexão da administração da congregação, no Rio, no sentido da autorização necessária.

Agora, conforme notícias que obtivemos, no referido Colégio, a Madre-Geral da congregação estará nesta cidade, no dia 24.01.2011, e por isso, é tempo de entabularmos nosso pleito, a fim de que o último pedido da escrava se concretize. E, quem sabe, com a efetivação deste, esta possa receber visitas e orações, mais de perto, e por cá, inspire as atuais gestões do Colégio, no sentido de assimilar a importância de manutenção das estruturações físicas, do santuário de ensino, Colégio João D´Abreu, a fim de que a história, por meio do reconhecimento material seja uma realidade, e a nostalgia, pelas imagens, não constitua um equívoco mentira no tempo.

Zilmar Wolney Aires Filho (Zilô), advogado, professor universitário, especialista em processo civil e mestrando em Direito