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Cartas de Londres - Ser o que você é também é referência cultural

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Na Inglaterra, ter a mente conservadora não combina muito.

Nos primeiros meses em que vivi, minha cabeça estava muito voltado à cabeça da grande maioria de nós brasileiros; com certos tabus que, se eu expuser esse sentimento a qualquer inglês, eles me chamariam de “môco”.

Aqui algumas políticas são totalmente liberais. O mais incrível é que o próprio governo adota leis de tolerância, que certos países não concordariam, nem aqui e nem na China. Por exemplo: aqui foi um dos primeiros  lugares a liberar o casamento entre homossexuais, e até a prática de sexo entre casais, ao ar livre, em parques públicos. Claro durante horários e lugares específicos.

Quando eu fiquei sabendo disso, chamei Jesus de Genésio.  Logo já imaginei: se fosse no Brasil, especificamente em Dianópolis, com uma placa enorme na praça da Capelinha (Atenção – A prática de sexo só e permitida depois das 11hs). Acho que não combinaria com nosso perfil. Já não se fala sobre isso entre quatro paredes, imagina sem elas.

O ponto alto de toda a liberdade concedida pelos governantes locais está na descriminalização da união homossexual. O mais interessante é que não existe limite de idade para o tema ser discurtido. Como por exemplo: acordo uma certa manhã e ligo a TV por volta das 10 horas. Começa um programa infantil, ensinando as crianças a respeitar casais homossexuais. O tema era abordado através de uma peça teatral, quando, no final, aconteceu o final feliz (o beijo).

Gente: isso era 10 horas da manhã! Mas tudo sempre com certo limite. O importante estava sendo a mensagem transmitida às crianças.

Hoje, depois de 3 anos de convívio diário com ingleses, vejo que este é o País do respeito e que essa fórmula tem dado muito certo!

No centro da capital, existe um bairro, Candem Town. Trata-se de um bairro famoso, voltado ao público punk, um reduto dos astros do rock. Um lugar totalmente alternativo que, de primeira, já deu pra sentir na arquiteturas dos prédios, nas lojas e principalmente nas ruas. Pessoas com cabelos grandes, coloridos, tatuagens, piercing, tudo muito, mas muito exagerado e extravagante. Particularmente, quando vi aquilo, um dianopolino, que tinha como referência de metrópole Palmas (exagerei, rs), senti-me o “mininu do buchão”, do interiozão do Tocantins.

São diversas lojas especializadas, que vendem todo tipo de produtos. Alguns relacionados à maconha, como papel, cachimbos, máquinas para triturar a erva, camisetas e, o mais incrível: doces e pirulito de maconha..hahah! Achei o máximo! E, além disso, tem o poppers (nosso famoso lança perfume), sendo vendidos em plena praça pública, de forma legal. Tudo isso era demais pra mim!

Cada pessoa que cruzava, eu tinha que achar um defeito e começar a rir. Certamente fui me educando, com o tempo fui aprendendo a respeitar o estilo de vida das pessoas e achar normal o a vida deles. “To nem ai. To pouco me lixando!”, como você se veste e como você é. Não vai interferir em seu caráter, muito menos no seu trabalho.

Por exemplo: a gerente do meu banco tem um cabelo cor de rosa e um pircing de Javali no meio do nariz. Confesso que deu vontade de explodir de rir da cara dela, na primeira vez que a vi. Percebi que, o importante é que o trabalho acontece! E com bastante competência.

Basicamente, na terra da Rainha, a provocação para de ser fato chocante, mas em tudo há regras e limites, com as quais talvez só um povo evoluído como os ingleses seriam capazes de conviver respeitosamente com essas diferenças. Uma terra com um mundo verdadeiro merece ser visto, merece uma visita. Claro, sem compromisso e sem constrangimento. Pois essa liberdade de ser o que você é, pasmem!, também é referência cultural na Inglaterra e conquista turistas de todos os tipos.

O dianopolino Vinícius Parente é publicitário e fotógrafo em Londres, onde mora a 3 anos.

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O DnoTO inicia o projeto Cartas do Mundo, quando apresentaremos textos de conterrâneos que já estiveram ou vivem no exterior. Eles apresentarão fatos corriqueiros, o cotidiano de outras culturas. É pura observação do dia-a-dia. É a oportundiade de conhecermos o mundo, sob um olhar dianopolino. Se você mora ou já esteve no exterior e tem algo a dizer, escreva pra gente.

 

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