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| Carnaval – Resgatando o convívio do rebanho de São José e reconquistando um pólo cultural regional |
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| Sex, 16 de Fevereiro de 2007 20:23 |
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Apesar da apatia de alguns, que apenas observam à distância; outros que ouvem ou colhem notícias posteriores, uma coisa é certa: indiferença total não existe em relação ao carnaval, mesmo para aqueles que buscam atividades alternativas, como pescaria, encontros religiosos. Certamente, estes, logo após, estarão dando uma espiadinha básica nas imagens encontradiças no sites, patrimônios históricos de Dianópolis, onde nosso conterrâneo Geraldo Neto, vigilante e a postos, de forma gratuita e por sentimento, está registrando as páginas da nossa história. A mídia nacional procura, a todo tempo, restaurar a magia dos carnavais, através das velhas marchinhas, até porque tudo aquilo que se diz ter sido inovado, neste seguimento folclórico, através de novas posturas e comportamentos, e até mesmo por meio das músicas baianas, axés, ou demais nominações do gênero, foram muito descartáveis, restando insustentáveis, sob a égide da moda, que segundo os bons filósofos, é algo tão descartável que não dura mais que seis meses. Outrossim, quando se vê a busca desenfreada de se reavivar as marchinhas dos carnavais de ruas, dos entrudos, dos desfiles da velha guarda dos “caretas”, tantas vezes encabeçadas por Dona Josa Araújo e pelo saudoso Gustavo Macedo, em Dianópolis-TO, a tese é reforçada de que o folclore é vínculo inamovível da identidade cultural de um povo, e por isso, não será relegado, suplantado, esquecido ou inovado. O grande legado de Lamartine Babo e João de Barro, o “Braguinha”, com as suas inesquecíveis marchas, tais como: Uma andorinha não faz verão; Turma do Funil; Balancê, As pastorinhas; Chiquita bacana continuam sendo repassadas de geração a geração, como algo saudável e inesquecível. Por isso, os blocos carnavalescos que agora ganham as ruas da “Terrinha” despertam algo muito grandioso: a aproximação do povo, por uma mesma história, sem qualquer imposição, vínculo político, a não ser celebrar a própria existência. Nunca se viu num festejo, composto por pessoas tão heterogêneas, que apesar de morarem tão próximas, pudessem, enfim, conversar, estar juntas, e descobrirem que viviam numa mesma cidade, que partilhavam dos mesmos sentimentos, mas que apenas por uma casta social, estiveram impedidas de se aproximarem e até dizerem um olá. Por isso, o carnaval não pode ser considerado ópio do povo. O carnaval, também, é a celebração da vida, onde as pessoas vivem os manifestos e festejos do seu tempo, esboçando sorriso à graça de viver, expurgando cansaços, problemas cotidianos, e por fim, extravasando, se possível for, sem exageros. Se de um lado, Dianópolis-TO encontrava-se, de certo modo, pouco alentada ante a ausência de seus marcos culturais de uma época, tendo em conta uma inexorável renovação cíclica existencial; de outra parte, o carnaval, através de foliões como Prof. Custódio Pixuri, Dr. Dalan Rodrigues, Dr. Wilson Veneno, Paulo Zanony, Wilson Costa Araújo, além de outros renomados na área, revelam que a cidade ganha notoriedade, aproxima os seus filhos, e os foliões podem exaltar os seus talentos. Nesta perspectiva, merece ainda destaque a atuação de anônimos colaboradores, que terminam proporcionando a felicidade, não só aos conterrâneos, amigos, mas também, a uma grata surpresa: o turista, que movimenta o comércio, que gera emprego, e ainda divulga o local. Por isso, o carnaval tem essa força de convocar o rebanho de São José, seja a nova geração, seja a velha guarda, para em nome do folclore do lugar, renovar e reafirmar os vínculos de uma gente e região, independentemente de qualquer preceito discriminatório. Ao final, insta refletir que é tempo de beijar as velhas ruas da cidade das Dianas, através do sorriso, do suor, da alegria, do festejo, do folguedo, superando velhas mágoas, ranços políticos, principalmente, para entoar as velhas marchas, ou novas, porque, sempre é bom refletir que: dançar e cantar, segundo a vetusta sabedoria popular, continua sendo uma boa forma de espantar os males, atrair afetos e esnobar o sorriso. Zilmar Wolney Aires Filho (Zilô), advogado e professor universitário |



