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Carnaval dianopolino PDF Imprimir E-mail
Ter, 14 de Fevereiro de 2006 19:46

Muito já se falou sobre o Carnaval em Dianópolis. Festa de daquele povo,
alegria da comunidade, momento para o exibicionismo dos mais abastados, furor
jornalístico, modismo, fonte de recursos turísticos, e muita coisa mais...Mas
pouco se diz sobre o significado individual do Carnaval dianopolino, sobre os
sentimentos, as emoções da festa, os preparativos, as briguinhas sadias entre
os blocos, que duram muitas vezes um ano, e que se desfazem em quatro dias.

O Carnaval começa na Quarta-feira de cinzas, para muito dos organizadores e
pessoal envolvido com os blocos. Para o verdadeiro carnavalesco, a Quarta-feira
não significa o fim do Carnaval, mas o instante de começar a pensar no próximo
ano, o que será feito de novo, o que deveremos melhorar...Carnaval em DNO é
simplesmente uma energia circulante, uma onda interna que se move, que não têm
chegada e nem saída, porque está dentro dos foliões. É uma coisa meio
irracional, mas as melhores coisas dessa vida não têm muita razão mesmo!

Ninguém questiona um parto de poucas horas, diante de uma gestação de nove
meses. Ou um desabrochar de uma flor, que só vai durar um dia, necessitando,
para isso, que toda a planta cresça a partir da semente. Ninguém questiona os
poucos instantes do gozo, que precisou de muito envolvimento, excitação, para
chegar ao clímax de poucos segundos. Ninguém questiona a morte, que é tão
simples, e que se leva uma vida inteira para aceitar.

O Carnaval dianopolino é assim: preparativos, ensaios, escolha de adereços,
correria, criatividade nos abadás, ornamentações, para se desfilar por alguns
minutos e valer toda uma vida. Mas lhe pergunto. você já desfilou em algum
bloco? Não? Ah, é por isso que não compreende! Pois você precisa desfilar. É
muito bom. Alguma coisa muda dentro de você quando você está chegando na concentração, quando você começa a se vestir
do sonho. Você deixa o sonho para entrar no abadá - é, no mínimo, curioso. Você
se deixa envolver por aquele ambiente. Se deixa não, você não tem outra
escolha, você é invadido de brilho, de AXÉ, de um amor estranho. Você é todo
purpurina, em corpo e alma. Sua alma brilha um brilho esquisito. Uma alegria
que não tem muita razão mesmo, mas que, indubitavelmente, faz você sorrir e
gritar até ficar rouco.

O engraçado é que você pode estar de mãos dadas, de repente, com seu juiz, se
você for o réu, ou com seu paciente, se você for médico, ou com seu assaltante,
se você foi roubado, ou com um sem número de alternativas. Mas, naquele
momento, você está de mãos dadas com seu irmão de festa e de bloco.

Lê-se a mensagem do bloco, a música tema começa a tocar, o chão começa a
estremecer e a carregar de emoção um coração já castigado até então. E o
desfile começa. Nossa! Gritos ecoam, você vê os camarotes ali no alto, aquele
povo todo gritando, sorrindo pra você, tudo luz, tudo cor, tudo som, tudo
coração disparado. E, milagrosamente, os pés ensaiam uma coreografia - eles
andam! Correm, pulam, sambam! E você não está nem aí! Nem repara o quanto está
feliz, o quanto perdeu a noção de tempo e espaço, o quanto aquilo passa em
câmara lenta.

É um narcótico! Você está drogado, pela droga mais potente de todas:
FELICIDADE. De entorpecido, você passa a traficante e precisa que os outros, na
platéia, vibrem e sintam o que você está sentindo, e começa a incitar a
audiência a se drogar com você. Devia estar previsto em lei, haver legislação e
pena para quem contaminasse os outros dessa maneira. Mas não há, portanto, a
arquibancada e os camarotes, em comunhão, incorporam aquele sentimento
(transitório para eles, porque vem logo outro bloco atrás) de total e indecente
bem-estar, levando você a entender que está nos braços de Deus.

Aí você vai me dizer que tudo isso vai acabar na Quarta-feira, que a vida volta
ao seu normal, e que foi um desperdício. Ah, meu amigo, você nunca amou.

Você acha mesmo que, após terminado um amor, ele de nada lhe valeu? Que após a
felicidade que ele lhe proporcionou, ele não lhe operou mudanças? Que depois de
ficar extasiado com tanto sentimento nada de bom ocorreu com você? Pois então,
é por aí! Quando acaba, não acaba. Como o amor. Você vive em busca de amar. Não
escolhe a quem, mas quer amar. Pois é. Já está pensando no próximo ano, não é?
Na próxima fantasia.

E então? É isso... É Carnaval dianopolino na cabeça!

Carnaval dianopolino é fantasia... Carnaval dianopolino é amor.


Mário Sérgio Mello Xavier (indaga1@hotmail.com)