A AABB de Dianópolis teve uma fase de ouro. Chamo assim porque foi um período realmente muito rico, em que o clube contava com constantes e disputados torneios esportivos. Foi na década de 90.
Naquele tempo, existiam times tradicionais, como o time da AABB, time do Cocho, time “da rua de cima”, este último organizado por Santana, proprietário do Bar 2001.
Os torneios movimentavam a cidade. Durante os jogos, a lateral do campo society da AABB era tomada por torcedores, que soltavam foguetes e gritavam, eufóricos com os atletas.
Ao contrário do que ocorre hoje, era uma época em que o futebol na AABB era respeitado. As tradicionais peladas de terça e quinta-feira, no fim da tarde, também chamados de “bába”, eram conduzidas por regras rígidas. Xingar, por exemplo, implicava em expulsão. As brigas resultavam até três meses de afastamento dos campos.
Nas peladas, enquanto os times se enfrentavam, alguém do “time de fora” ficava no apito, portando os temidos cartões amarelo, azul e vermelho. Cada um representava uma punição. Isso também se aplicava nos torneios realizados pelo clube.
O juiz era uma autoridade respeitada, mesmo sendo um comum atleta que ocupava, temporariamente, o mais alto lugar na hierarquia nas proximidades daquelas quatro linhas. Sua decisão era acatada em silêncio, mesmo, vez por outra, com a contrariedade estampada na cara de muitos atletas. Restavam-lhe, no máximo, ficar azuados. Qualquer tipo de reclamação contra a sentença judicial implicaria em, no mínimo, ir mais cedo pro vestiário.
Tal rigor moralizou o futebol ali realizado. Foi reduzido a quase zero o índice de xingamentos ou troca-tapas. Ainda assim, vez por outra, alguém era punido. Já outros, por pouco, não iam pra guilhotina. Foi o caso de Santana.
Santana era o técnico e goleiro do time da rua de cima. Seu selecionado era composto por amigos e, principalmente, jogadores que moravam na Rua São José ou naquela rua que sai da Praça Ana Valente e segue até a Praça do Cemitério (mil perdões, esqueci o nome).
Num belo dia, estava em campo o time da rua de cima. Santana era o goleiro; Ibelmon, mais conhecido como Belmon (filho de Leônidas, da rua Baiana), era zagueiro. Num determinado momento do jogo, uma bola sobra na zaga e Belmon, mesmo sozinho, consegue perdê-la, resultando no gol do time adversário. Tomado pela raiva, Santana enche seu enorme diafragma e preparou um estrondoso palavrão.
Porém, numa rapidez de pensamento que contradizia com seu frondoso corpo apertado no uniforme, entre o a raiva e o xingamento, tomado pela ira do gol sofrido, Santana deu uma olhadela para o árbitro e gritou ao seu zagueiro furão: “Belmon, INFAME”.
Pronto: estava feito o registro de sua insatisfação, não dando margem para o juiz lhe aplicar nenhum tipo de punição. A gargalhada foi geral.
Geraldo Neto, radialista, pós-graduado em Assessoria de Comunicação e membro da Academia Dianopolina de Letras




