Imagine eu, que tive a alegria de, além de todas as coisas boas que vivi lá, ainda entrar para a família de D. Zefinha, ao me casar com Simone, e conviver bem próximo, com essa gente tão especial.
Quem, dos mais antigos, não se lembra de minha primogênita Talitha, ainda bebê, fazendo as suas traquinagens e arrancando sorrisos fartos dos boêmios de plantão.
É... foram muitos dias felizes. Rodadas de viola regadas a boas conversas, confissões, desabafos, choros de emoção (e de alguma cerveja) e muitas coisas boas. Impossível de escrever sobre tantas.
Assim, eu, para fazer uma homenagem a todos os amigos, com quem passamos alí, juntos, tantos momentos maravilhosos, quero lembrar sobre dois episódios: os festejos de São José, de 1994, quando, junto com a Turma do Cocho, realizamos uma das maiores comemorações do Nosso Padroeiro e o meu aniversário de 1993 (se não me falha a memória).
Na festa de São José, pude sentir a fidelidade, a responsabilidade, o empenho, enfim, tudo de especial que essa turma representou e representa. Todos trabalhavam, revezando nas tarefas de garçom, limpeza, organização das novenas, etc. Não vou citar nomes, para não ser injusto me esquecendo de alguém. Mas os que participaram daquela empreitada se lembrarão daqueles dez dias incríveis que vivemos em março de 1994.
Quanto ao meu aniversário, o caso foi curioso. É que, como aniversario em um feriado, todos os anos eu fazia algum "BL" e convidava os amigos, com antecedência, para virem a minha casa.
Certa vez, se aproximando da data natalícia, Simone, preocupada com a recepção, me perguntou o que iríamos fazer no aniversário. Eu respondi que, naquele ano faria diferente. Não iria convidar ninguém. Pedi que ela fizesse uns “tira gostos” e eu compraria umas cervejas e refris. Assim, quem se lembrasse da data e fosse lá em casa, iríamos receber. E assim fizemos.
Só que a coisa não saiu como eu pensei, e somente apareceram em minha casa, eu diria, os “parentes de primeiro grau”. Lá pelo final do dia, eu, inconformado com a situação e vendo quase toda a cerveja sobrando, “entrei” nela e enchi os ouvidos de Simone com minhas lamúrias pelo esquecimento dos amigos.
Nos dias seguintes, é claro, a minha decepção chegou aos ouvidos dos frequentadores do Cocho, talvez por intermédio de Franz, que é parente de primeiro grau, e foi à minha casa. Tempo passado, assunto esquecido.
No ano seguinte, a mesma pergunta de Simone sobre o aniversário. Eu, me lembrando do fato do ano anterior, respondi que não iria fazer nada. E encerrei a discussão.
Mas no dia do aniversário, tive uma das mais gratas surpresas de minha vida. Acordei pela manhã, por volta das 09:00 horas, com pessoas conversando alto e chamando pelo meu nome. Quando abri a janela do quarto, vi quase toda a Turma do Cocho, com aquela alegria costumeira, me mandando levantar, já cantando os parabéns.
Traziam nas mãos todos os apetrechos do churrasco: carne, carvão, algumas caixas de cervas e até uma churrasqueira (achavam que a minha era muito grande). Disseram que aquilo era um pedido de desculpas pela falha cometida no ano anterior.
Naquele momento, senti a amizade e o carinho dessa Turma maravilhosa. Foi um dia inesquecível. A farra durou o dia inteiro, entrando madrugada adentro. Hoje, quase vinte anos depois, remexendo o baú de lembranças, agradeço a todos que me proporcionaram aquele belo momento.
Quando cheguei em casa anteontem, o clima era de tristeza, com a notícia que o Cocho havia sido demolido. Talitha chegou a chorar. Eu me calei, com o peito apertado, imerso em minhas lembranças.
Pensei comigo: Não. O Cocho não acabou. Apenas as suas paredes foram retiradas e aquele ponto físico de encontro já não existe mais. Mas as sementes plantadas ao longo de mais de 40 anos de funcionamento fizeram brotar em muitas e diferentes gerações de dianopolinos uma amizade sincera e duradoura, a qual, tenho certeza, fará com que procuremos meios de permanecermos juntos, independente da distância que as circunstâncias nos impuserem.
Péricles José Póvoa Junior (Pekin)




