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| As antíteses entre lágrimas e sorrisos |
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| Qua, 02 de Fevereiro de 2005 17:53 |
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Muito embora preconizem sábios e filósofos que o sorriso constitui a chave imprescindível para abertura de inúmeras portas, sem embargo de revelar-se essencial no implemento de relações e convivências. Por outro lado, merece refletir que noutras circunstâncias este exterioriza mera encenação, com o propósito escuso de angariar vantagens, ou até mesmo com finalidade de ocultar tristezas e desilusões. À guisa de ilustração, o saudoso poeta-compositor Antônio Marcos já enfatizava que o palhaço oculta a lágrima detrás de uma máscara, ao mesmo tempo em que mercancia uma proposta de sorriso para sobreviver. Segundo os caminhos do Cristianismo, pouco sorriso seria externado, se ativéssemos aos inúmeros sofrimentos que aflige a espécie humana. Talvez, por isso, jamais se tenha ouvido falar de um sorriso do maior dos homens que esteve em nosso meio - o Rabino da Galiléia. O sorriso, na realidade, constitui-se num ciclo de expressões antagônicas, pois na seara dos inúmeros opostos de um cotidiano, ele comumente contracena bem próximo ao choro. Apesar de acatarmos com naturalidade a coexistência de sorrisos e lágrimas, o referido fato dá ensejo a uma evidente antítese, senão analisemos: a lágrima que comumente figura ao lado do sorriso teria lugar adequado próximo ao choro que externa a dor e o sofrimento, pois que à medida que coexiste com o sorriso exsurge como sarcasmo. De outra parte, o que afirmar acerca dos sisudos e cínicos, que variavelmente estão a expor um sorriso, esboçando um ar de superioridade, ironia e arrogância? Por certo, este sorriso denota a maior repugnância, só superando mesmo àquele outro carregado de desprezo, edificado apenas com o propósito de atingir e denegrir a espécie humana. Pior que tudo isso, é imaginar que ambas as modalidades constituem formas de sorriso, que se acredita ou espera, seja a verdadeira expressão de um sentimento espontâneo e altruísta! Em tais circunstâncias, ficamos a imaginar certas personalidades que ainda não aprenderam a se expressar através de um sorriso comercial, ou até mesmo a sorrir aleatoriamente, e por isso são esteriotipadas de carrancudos, sérios, fechados e até mesmo bossais. Ora, caso soubesse a vã filosofia, ou até mesmo tantos pré-julgadores de posturas humanas, que por detrás de uma aparência e rosto que expressam poucos sorrisos, podem existir antece-dentes de causas existenciais que moldaram o interior de cada ser, por certo, jamais emitiriam suas opiniões preconcebidas ou preconceituosas sobre tais posturas, principalmente se cônscios de que referidas impressões foram determinantes a uma aparência de pouco risos. Sem contar, que as expressões menos risonhas e simpáticas de um cidadão podem apenas revelar um gesto de proteção a tantas emoções duvidosas, pois como já assentou a Filosofia contemporânea: o humor é o açúcar da vida, apesar do mercado do riso estar cheio de sacarose. A convivência com o sorriso, seja simulado ou autêntico, tem revelado, no mínimo, ser uma conduta vantajosa nos convívios e relações sociais. Outrossim, impende salientar que o melhor sorriso continua sendo aquele inesperado, que surge abruptamente como um êxtase facial. Não importa se tem origem em algo pitoresco, ou até mesmo se oriundo de uma despretensiosa anedota. Na verdade, o que evidencia como relevante, nesta perspectiva, é que por algum momento, olhos, dentes, bocas, num misto de lágrimas, alegria ou mera aparência, revelarão uma das expressões mais inusitadas do ser humano - o sorriso. Inusitado, na própria voz dos chavões populares, quando afirma que muitas vezes se chora até mesmo de alegria. Zilmar Wolney Aires Filho (Zilô), advogado, com pós-graduação em Processo Civil e professor universitário |



