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| Aos artífices e anônimos pintores dos murais do Duro |
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| Qua, 03 de Dezembro de 2008 21:08 |
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Lá estão eles, em cada manhã, de pincel e borracha na mão, mandando notícias para o clã de São José do Duro, esperando, com este gesto, que o rebanho permaneça unido pelo visgo que o prende há tantos anos. Dão notícias de festas, encontros, viagens, experiências anedotas. Eles pintam o mural e chamam atenção, pela saudade daqueles que estão à distância. Todos querem estar pertos e próximos. Desejam se interagirem e se informarem dos contos e casos da gente da Terrinha. Os murais foram erigidos à condição de páginas do mundo, na ciranda da internet. Agora, curiosos de outros paragens espiam, observam, ou até se interessam, pesquisando e conhecendo sobre o lugar. Nos murais das home pages de DNO todos são gabaritados e autorizados, independentemente de idade, sexo, religião, condi-ção cultural, para registrar o seu choro, felicidade, lamento, saudade, alegria e críticas. É certo que aqui e ali, faz-se necessário passar a borracha, para que expressões menos contidas, xingatórios, não saiam do campo da emoção e atinjam pessoas em suas dignidades, honras e liberdades. Os murais da Terra das Dianas ganharam preferência e privilégio em nome de tantas páginas escritas de jornais e revistas de renome. Há uma sensível mudança de costume, para melhor, pois que a notícia quente, fresca, está nos sites a cada manhã, cujo sítio virou, também, território comum de serviço social de informações entre perdidos e achados, vendas e compras e até notícia de óbitos. Nunca as fofocas e notícias foram tão paradoxais, na medida em que são íntimas e, a um tempo só, são escancaradas, uma vez que o mundo inteiro poderá espiá-las e tentarem compreender a lógica que aproxima os filhos de Dianópolis-TO, no contexto de suas diversidades e na sincronia do heterogêneo que se adequa a um todo homogêneo. Cabe refletir que entre ausência de publicidades, recursos próprios para manutenção e circulação dos murais (home pages), as páginas resistem. Aliás, de forma até imperceptível, vão registrando a história da gente do Lugar, seus conflitos, suas festas, alegrias e tristezas. Oxalá, que possamos, um dia, antes da expiração dos muros (que isso nunca aconteça), ver em coletânea de registros formais, os destaques das notações feitas. Ou, quem sabe, presenciarmos setores culturais, inclusive da administração local, fazer incentivos para registros e manutenção de algo, que até então, pela sua magnitude e proporção, vai tomando características, não só de instrumento de utilidade pública, mas cima de tudo, de patrimônio histórico da Terrinha. De cá, resta a nós, os posseiros do sítio, render as nossas sinceras homenagens e gratidão pelos artífices dos murais: Antônio Costa Aires, Geraldo Farias Neto, Mário Sérgio Melo Xavier, além de outros notáveis, por tudo aquilo que, de bom e de bem, têm proporcionado à nossa gente, que pode estreitar os seus laços, diariamente, pelo encurtamento das distâncias, através dos murais, que nos trazem informações frescas e matinais, entretenimento e cultura.
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