Devemos abrir as janelas do mundo ainda não devassadas por racker´s nas pulsilâmines veias da Internet. Aliás, janelas reais devem estar abertas recebendo o bafejo da vida. Fechá-las, somente quando virtuais e desavisadas, à guisa de ilustração, através das navegações cibernéticas, em que mercantilistas querem nos empurrar todas as mercadorias do mundo.
É certo que as janelas virtuais, nas vitrines da globalização, tam-bém nos proporcionam prazer pelas imagens, notícias selecionadas, além de ofertar coletânea de dados e pesquisas, sem embargo de encurtarem distâncias pelos e-mails, salas de bate-papo, cujas práticas, se não possuem o mesmo calor e magia do plano real, podem conspirar até mesmo prósperas uniões afetivas.
Se as janelas nos dão a sensação de liberdade, pela fuga que tan-tas vezes empreendemos para festas e bailes não autorizados pelos nossos genitores, no mesmo passo estas revelam a sensação de insegurança ante o escape que encontram os meliantes para adentrarem os nossos lares e promoverem a subtração daquilo que não lhes pertencem. São os prós e contras que somente a tênue diferença entre janelas reais e virtuais podem nos alentar, ante os seus valiosos escapes de liberdade.
Janelas são eternas antíteses. De um lado, se vê a casta postura da namorada provinciana, que se debruça sobre a janela, espiando a vida passar na eterna espe-ra do seu amor; noutra janela, o detento que persegue o seu sonho de liberdade entre janelas, ladeadas de grades. Sonhos, esperas e liberdade - um misto que anima os portais das janelas da vida.
Por todos os lugares onde se anda, lá estão as janelas. Inúmeras com grades, vitraux, ornadas em madeiras, ou com diversos aparatos de segurança. Elas consti-tuem a imagem da liberdade, que se busca na pressa e na solidão cotidiana, muito embora te-nhamos uma multidão de pessoas ao redor. Elas, enquanto reais, nos ofertam um ar puro que contrapõem-se àquele outro, gélido e condicionado, cheio de tártaros, mas, onipresente nas repartições públicas.
As janelas nos comovem, pela reflexão, no resgate de etapas feli-zes de uma trajetória existencial. Mesmo nas janelas ornadas por grades de segurança, restam suas frestas, onde a luz invade nos convocando para a vida. Por isso, as janelas reais, antes que as virtuais, nos ensinam que é possível parar, por algum instante, e detectar que os bafejos das manhãs e das noites não estão tão ofegantes quanto a nossa respiração, apesar da insuperável idade daquelas.
A tênue diferença entre janela virtual e real caracteriza-se na dis-tância e nitidez dos corpos, numa perspectiva que revela liberdade e proporciona sonhos. Por isso, merece refletir que a oscilação térmica, a brisa da tarde, a ventania das ruas, os pingos da chuva, somente se revelam em suas inteirezas no plano das janelas reais, já que as janelas virtu-ais, apesar das suas valiosas fontes de pesquisa e aproximação entre humanos, ainda não criou mecanismos para aclimatar imagens na perspectiva da ordem natural das coisas.
Em sendo assim, curvemos a nossa limitada habilidade de inter-nautas, rendendo as merecidas honrarias às janelas reais, que ainda nos transportam à liberdade num prisma real, ao passo que as virtuais, apesar das fontes de conhecimento, da comunicação à distância, apenas nutre e instiga os nossos sonhos. Outrossim, não pasmem, senhores amigos meus de uma era virtual, pois que ontem as idéias mais absurdas e pitorescas, hoje, já constitu-em realidades banais. Ou seja, nesta vertente, o que separa a janela real da virtual é apenas o lapso temporal entre a ficção e a realidade.
Zilmar Wolney Aires Filho (Zilô), advogado, com pós-graduação em Processo Civil e professor universitário




