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A serenata da discórdia PDF Imprimir E-mail
Seg, 23 de Agosto de 2004 17:11

Serenata é uma coisa pra lá de romântica. Geralmente, são oferecidas quando há amor, ou quando se tenta reconciliar uma paixão. Mas a história que se segue, infelizmente, não tem um final muito feliz. Contarei o milagre, que é o que interessa. O santo não tem tanta importância. Vamos apelidar nosso personagem de Nego.

Esta história se passou há uns 5 ou 6 anos, em Goiânia. Nosso conterrâneo tinha brigado com a namorada e estava amargurado. Tomava todas. Num destes porres, ele convidou Magdal para ajudá-lo a conquistar a amada. “Vamos fazer uma serenata para a fulana. Você pega o seu pandeiro e vamos tentar tocar o coração dela”, planejava ele.

Segundo Magdal, que me contou tal causo, eles foram mastigar uma, que era pra tomar mais coragem. Só que o nosso conterrâneo apaixonado já tava pra lá de Bagdá. Com as pingas que tomaram, ambos ficaram pra lá de chumbados. O Nego tinha uma motoquinha, daquelas bem barulhentas e fazia uma fumaça danada. Parecia que era movida a lenha.

Magdal indagou: “e você vai chamá-la? Porque chegar lá fazendo barulho, o pai dela pode zangar.” O nego retrucou: “chegando lá eu acelero a marronzinha – apelido de sua magrela. Ela já conhece o barulho e prestará atenção em nossa serenata”. Assim ficou combinado.

Chegando na casa da moça, no setor Cidade Jardim, Nego acelerou a marronzinha. “Foi uma zuada terrível. Sem falar na fumaça que subiu”, recorda Magdal.

E o Nego falou:
- Puxa uma cantiga aí primo.
- Mas qual é a música que vocês gostam? Há sempre uma música que marca um relacionamento. Qual que você quer que eu cante? – indagou Magdal.
- Toca qualquer uma. Puxai.

Disse Magdal que deu um branco danado em sua cabeça, e nenhuma cantiga lhe veio a mente. Com o Nego lhe aperriando, ele bateu no pandeiro e começou a cantar os primeiros versos que lhe vieram a cabeça:

“êmêdêbê, cadê você, cadê seu povo, que ninguém vê; será que foi pra lua, e lá no alto, virou fumaça; a prefeitura já jurou que não é sua...”

Vê se pode! Música de política. E o pior foi que o Nego, cheio da cana, cantou junto, com entusiasmo. Acabando esta cantiga, puxaram outra, do mesmo gênero (um antigo jingle da campanha de Hagahús, quando o Tocantins nem existia):

”5142 é o nosso deputado estadual; a vitória é de Hagahús, a grande força de Goiás”

Foi a gota d’água. No dia seguinte a fulana disse ao Nego: “eu até achava que reconciliaríamos. Mas, depois daquela palhaçada de ontem a noite, não me procure mais”. E assim ficaram. Nunca mais se viram. Hoje nosso personagem é casado, com outra mulher, e tem um lindo filho.

Quando eu digo que o povo de Dianópolis é algo ímpar, jamais visto igual, acham que eu exagero....

Geraldo Neto