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A pasmaceira cíclica na estação vida

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Não é regra, mas comumente muitos só se atêm ao grande espetáculo da natureza, quando as impiedosas rugas e cansaço mandam as notícias da meia idade. Daí em diante, como que dando seqüência ao inexorável trajeto cíclico da vida, um ar de pasmo e aéreo e uma gagueira infantil volta a fazer lugar comum entre gestos e hábitos humanos, à guisa de ilustração, diante do casto striptease das estações; da sincronia perfeita entre dia e noite e, por fim, do imprescindível equilíbrio ecológico que felizmente ainda articulam a fauna e a flora em nome do meio ambiente.

Posturas assim, na infância, recobrando-se consciência e firmando-se valores, davam ensejo a valorosos aplausos. Na meia idade, geram críticas acerbas ou admoestações imperdoáveis, tais como, fulano perdeu as suas razões ou está em delírios nos caminhos de uma alucinação. Talvez, por isso, muitos, apesar de apreciarem o espetáculo natural da vida, prefiram ocultar tais preferências, antes de sofrerem pechas, apenas porque resolveram fugir da rotina estressante do dia-a-dia, para, por exemplo, sentados numa varanda, espiar o céu em dias de lua nova; andar descalços pelas ruas, banhar na chuva e até mesmo assoviar ou cantar desafinado pelo trânsito.

Asseverou o músico pop, Lulu Santos, com muita sabedoria: “Assim caminha a humanidade!” Apesar disso, e dos benefícios que tais comportamentos poderiam proporcionar, muitos admitem pacífica e hodiernamente uma escravidão, que já foi negra e hoje se revela mestiça ou morena, onde jornadas intermináveis de trabalho, a custo irrisório, são exercidas por toda uma existência, até quando uma incapacidade laboral, através da LER, estafa, depressão, se revelar por completa, efetivando a alforria forçada dos novos escravos mestiços.

A pasmaceira cíclica na estação da vida foi preconizada por filósofos, religiosos e pensadores, do porte de Isaac Newton, quando asseveraram que tudo que sobe desce; tudo que vai tem volta; o que fomos ontem é o que seremos amanhã; toda volta é o recomeço e, ao final, todos inexoravelmente regressarão às suas origens, na religiosa perspectiva de que a cria retorna ao Criador.

Por isso, apesar do necessário equilíbrio no convívio social, que se sustenta através dos preceitos impostos por um Ordenamento Jurídico, nada justifica tanta submissão às superáveis regras e etiquetas sociais, apenas para se projetar como autêntico vedete de uma sociedade, pois que já advertiam os bons sábios, que a sociedade continua sendo um grupamento de fugitivos de si mesmos, que tudo cobra ou exige do homem, apesar de pouco, ou quase nada, lhe dar em troca.

Em assim sendo, que não sejamos tão aversivos às regras de convívio social, mas que busquemos, por alguns minutos, quebrar a cíclica pasmaceira da estação, renovando, para melhor, hábitos, recriando pensamentos, modificando posturas, inclusive assistindo ao menos alguns trechos ou capítulos do espetáculo cotidiano da mãe-natureza, que certamente a estrela do meio ambiente, agradeceria a memorável audiência, sem embargo de uma recomposição mental e orgânica quedarem-se maravilhadas em nome do resgate involuntário da saúde e subsistência humanas.

Zilmar Wolney Aires Filho (Zilô), professor de Direito Internacional, IED, Direito Penal, Orientador de monografias e núcleo de prática jurídicas, pós-graduado em Processo Civil.

 

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