Sobre mim
| A culpa é sua, mãe. Graças a Deus |
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| Sex, 04 de Fevereiro de 2005 17:54 |
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Dona Mary, minha querida mãe, falou: “Vou levar vocês (eu, Jacque e Tinga) para a matinê no Clube Uirapuru”. Eu logo não gostei da idéia, pois não gostava de carnaval, não sabia dançar, tinha vergonha...enfim, desgostei daquela prosa. Mas mãe prosseguiu e comprou fantasia para os três filhos. Jacque foi toda linda, de borboleta. De que era a minha fantasia? De palhaço, igualzinho a de Tinga. Aí que a vergonha aumentou ainda mais. Lá vamos todos pro Uirapuru, na base dumas quatro horas. O saudoso Edílson de Sousa Lima, mais conhecido como Zé Bostinha, animava o baile. O salão tava repleto de crianças, a maioria fantasiada, eufóricas com aquela farra toda. E eu lá no canto, emburrado. E mãe dizia: “vai lá menino, dança lá no meio”. E nada dos filhos delas saírem de perto da mesa. Ela insistia, e nada. Até que ela deu a idéia de seguirmos no “trenzinho”. A gente começou a gostar da idéia. Afinal, bastava segurar nas costas de alguém e “seguir o fluxo”. Acatamos a sugestão dela. Lá vai Geraldo, Jacqueline e Ednardo Júnior (Tinga) para o trenzinho, que mudaria para sempre suas vidas. Entramos na fila e seguimos, meio acanhado. Aos poucos fomos tomando gosto pela coisa e, de repente, estávamos nós, soltos no salão, com os dois dedinhos indicadores apontados para o céu, numa cadência mágica. Pronto. Nascia ali três foliões. Mas foliões mesmo, daqueles que gostam muito de carnaval. Gostam tanto que, além da festa de fevereiro, vão a outros carnavais fora de época. E hoje olhamos para a foto daquelas três crianças, fantasiadas, no Clube Social Uirapuru e dizemos: “Tá vendo, dona Mary? A culpa é sua. Culpa sua que hoje a gente é tão piolho de carnaval, de festas, de indagas, de muagem. A culpa é toda sua. Graças a Deus”. Geraldo Neto |



