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A culpa é sua, mãe. Graças a Deus PDF Imprimir E-mail
Sex, 04 de Fevereiro de 2005 17:54
Não me lembro exatamente que ano era. Mas devia ser coisa de 1985, por ali. A gente morava onde mora hoje a professora Nizinha. Era vizinho de Gerson Papagaio, ali na Av. Central, próximo ao Bar de Santana, em Dianópolis. Tinha eu cerca de sete anos, mais ou menos. Um menino envergonhado, tímido. E era carnaval...

Dona Mary, minha querida mãe, falou: “Vou levar vocês (eu, Jacque e Tinga) para a matinê no Clube Uirapuru”. Eu logo não gostei da idéia, pois não gostava de carnaval, não sabia dançar, tinha vergonha...enfim, desgostei daquela prosa.

Mas mãe prosseguiu e comprou fantasia para os três filhos. Jacque foi toda linda, de borboleta. De que era a minha fantasia? De palhaço, igualzinho a de Tinga. Aí que a vergonha aumentou ainda mais.

Lá vamos todos pro Uirapuru, na base dumas quatro horas. O saudoso Edílson de Sousa Lima, mais conhecido como Zé Bostinha, animava o baile. O salão tava repleto de crianças, a maioria fantasiada, eufóricas com aquela farra toda. E eu lá no canto, emburrado. E mãe dizia: “vai lá menino, dança lá no meio”. E nada dos filhos delas saírem de perto da mesa. Ela insistia, e nada.

Até que ela deu a idéia de seguirmos no “trenzinho”. A gente começou a gostar da idéia. Afinal, bastava segurar nas costas de alguém e “seguir o fluxo”. Acatamos a sugestão dela. Lá vai Geraldo, Jacqueline e Ednardo Júnior (Tinga) para o trenzinho, que mudaria para sempre suas vidas.

Entramos na fila e seguimos, meio acanhado. Aos poucos fomos tomando gosto pela coisa e, de repente, estávamos nós, soltos no salão, com os dois dedinhos indicadores apontados para o céu, numa cadência mágica. Pronto. Nascia ali três foliões. Mas foliões mesmo, daqueles que gostam muito de carnaval. Gostam tanto que, além da festa de fevereiro, vão a outros carnavais fora de época.

E hoje olhamos para a foto daquelas três crianças, fantasiadas, no Clube Social Uirapuru e dizemos: “Tá vendo, dona Mary? A culpa é sua. Culpa sua que hoje a gente é tão piolho de carnaval, de festas, de indagas, de muagem. A culpa é toda sua. Graças a Deus”.

Geraldo Neto