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| A arte da conquista e o enigma da sedução |
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| Seg, 27 de Junho de 2011 08:59 |
Quão difícil é imaginar que existam regras genéricas para o jogo da sedução, ou até mesmo um manual de regras insuperáveis, neste particular. Principalmente, quando se analisa a diversidade dos humanos, com seus inúmeros gostos e pendores. Talvez, por isso, costumeiramente, se ouça o clássico axioma: “gosto e aquilo, cada um tem o seu.”Se o mote destes escritos se ancorasse apenas na voz popular, esqueceríamos o assunto, lembrando que, neste mundo, cada balaio ou panela tem sua própria tampa. Assim, a conquista e o jogo da sedução seriam desnecessários, já que ninguém ficaria sozinho, por aqui, a não ser que insistisse na manutenção de sua casmurrice. Analisando o perfil da nova mulher, emancipada financeira, intelectual e sexualmente, verifica-se que o velho papel do homem sair à cata, mudou. Aliás, Cleópatra já tinha dado mostras deste perfil, quando utilizando os caminhos da sedução, colocou três imperadores no bolso e tomou conta do império romano. Ou seja, se possível fosse, o poeta francês Victor Hugo teria que inovar seus versos, no que tange à idéia de que o homem nasceu para conquistar, e a mulher para ser conquistada. As nossas irmãs mulheres deixaram de ser reprimidas em nome de arcaicos valores e preconceitos. Por isso, saíram ao encalço de sonhos e realizações pessoais, sem se vulgarizarem, ancoradas na lógica dos direitos isonômicos. Aliás, a natureza continua ofertando lições, neste sentido. Analisemos, portanto, que a fêmea continua mandando notícias quando quer acasalar-se. Quem, por exemplo, não parou para admirar o penacho da ave pavão. Em nossa espécie intelectualizada isso, também, se dá, quando elas emitem sinais discretos, ou até escandalosos, esnobando o charme sedutor, através de roupas provocantes, penteados, maquilagens, batons, etc. Na verdade, muitos seduzidos, recusam-se em acreditar, com o álibi de que seria muita “farinha para o seu caminhãozinho”. Outros permanecem amuados na cachaça, e se esquecem da conquista afetiva, ou até mesmo de abrir espaço para que elas cheguem, pois se Maomé não vai à Montanha, esta vai até ele. De outro lado, os temerosos, de um fora ou “taboca”, pela possível má interpretação do sinal sedutor, quedam-se indiferentes, por não acreditar na importante leitura das expressões corporais. Ou seja, não se pode ignorar, nelas, sinais sedutores como aquela secada estonteante (olhar 43), com as pupilas bem abertas, ou uma piscada de soslaio. A jogada de cabelo de um lado para outro, o cruzamento de pernas indisfarçável, além de outros tantos sinais. Enfim, é necessário acreditar no poder de sedução feminino, além do homem, senão o legislador penalista não teria abolido o crime se sedução do velho Código penal. Como lembrávamos, cada um tem o seu jeito próprio para a conquista e sedução, inclusive, por exemplo, através de uma injustificável indiferença. Pelo silêncio, pelas agressões inexplicáveis. Enfim, cada cabeça é uma sentença. E, neste campo, a voz popular sempre continua ensinando: “são os opostos que se atraem, mas é bom que se lembre que são os iguais que se juntam.” Talvez, a pessoa ideal para tratar destas questões fosse o garanhão Roger Vadim, que teve em suas mãos as mais belas estrelas de Hollywood, do nível de Brigitte Bardot. Assim, como o conquistador José Wilker, que fez a festa no cast da Rede Globo, além de outros tantos anônimos. O certo é que não há uma regra infalível. O momento, as circunstâncias, as cartas que cada um traz na manga. Vale lembrar, à guisa de ilustração, que alguns seduzem cantando; outros dançando; outros escrevendo, outros por meio de gestos e dons artísticos. O certo é que a arte da conquista e jogo da sedução deve ser uma constante nos caminhos afetivos. Os casais, e principalmente o homem, não deve acreditar que, após o casamento e filhos, ou namoro prolongado, tá tudo garantido com a primeira relação, e nada mais se deva acrescentar, nesta ordem. Ledo e torpe engano. Amiúde, numa época em que os divórcios cada dia estão mais céleres e comuns. Sem contar que a retomada da noite, para reaprender, depois de velho, os caminhos da sedução, nos parece mais complexo. Na mesma vertente, é bom que se lembre que assim como o homem vive em fluxo, ou seja, susceptível de novas atrações, a mulher, da mesma forma, e principalmente, agora, mais livre para as suas antigas manifestações reprimidas. Hoje, os pervertidos autores de novelas pacificaram que estas, também, devem ir a boates de strip-tease masculino, assim como ler e vê imagens do nu masculino, em revistas do gênero, e pela internet. Ainda bem, que escolhi uma curraleirinha, igual a mim, que não foi contaminada por tais práticas (risos), diferente daquelas de cá que possuem o zói ligeiro, salvo consideráveis exceções. Ou seja, “o que os olhos não vêem, a alma não deseja”. Até porque manter viva a chama do sentimento, com constantes jogos de sedução, não significa exagerar nas fantasias, até atingir um campo endógeno, cujos avanços e descobertas, antes de consolidar a afeição, podem extinguir pelo remorso daquilo que se extrapolou. Há um limite para tudo. E a consciência continua sendo a mãe de todas as horas. Portanto, no alto dos meus quase 50 anos, sugiro, se é posso fazê-lo, que alimentem as relações afetivas, de novidades compensadoras todos os dias, ainda que sejam de e-mails, flores, recados, bilhetes, para que não caia no marasmo, rotina, ou vala do arroz com feijão, chegando a um desgaste insuportável. Aliás, arroz e feijão, ou na forma de papai e mamãe, é muito bom quando a fome é avassaladora. Mas, de vez em quando, estrogonofe, lasanhas e pizzas não fazem mal a ninguém. Muito embora caiba lembrar, que cada um, já traz no seu interior, a insuperável mágica da sedução, a seu modo, onde certamente uma cara-metade, sem muita complexidade, o entenderá, neste jogo enigmático da sedução. Zilmar Wolney Aires Filho (Zilô), advogado e professor especialista em Processo Civil, mestrando em Direito Civil, Membro da Academia de Letras de DNO
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Quão difícil é imaginar que existam regras genéricas para o jogo da sedução, ou até mesmo um manual de regras insuperáveis, neste particular. Principalmente, quando se analisa a diversidade dos humanos, com seus inúmeros gostos e pendores. Talvez, por isso, costumeiramente, se ouça o clássico axioma: “gosto e aquilo, cada um tem o seu.”