Sobre mim
| A alienação intelectual dos pseudos-incluídos: o necessário enfrentamento para o gestor público |
|
|
|
| Qui, 18 de Agosto de 2011 07:17 |
Desde a velha proposta do êxodo rural, que o homem simples do campo vem acreditando na possibilidade de sua inclusão social. Com isso, deixou o seu lugar, para ser excluído, nos centros urbanos, juntamente com sua família, salvo consideráveis exceções. É certo que o migrante resiste, por algum tempo. Após, cai na marginália, e se envereda pelo caminho do alcoolismo ou drogas, quem sabe, para esquecer. Por derradeiro, no fundo do poço, busca apoio onipotente, e assimila, por fim, que não tem condições de competir, porque não possui qualificação profissional. Não foi alfabetizado, e ainda possui a agravante, de não raras vezes, ser discriminado por sua origem. Reflete, após, que por longo tempo, foi aliciado por um sistema político, em troca do voto. Ao final, toma a boleia do caminhão, e retorna às suas origens, para viver com os seus, naquilo que ainda lhe resta de dignidade. No atual contexto político disseminaram a falsa ilusão de que qualquer cidadão, sem habilidade profissional ou estudos, poderia chegar ao cargo mais elevado do País, assim como se dera com Lula. Só não esclareçam aos novos emergentes, que por detrás de Luís Inácio Lula da Silva havia uma longa história de militância política e liderança sindical, sem embargo do natural carisma, que esse recebeu como dádiva dos céus. A verdade é que as cidades estão repletas por uma massa de cidadãos, que sob a âncora da inclusão social, vieram para as periferias. Agora, passeiam pelos centros urbanos, porque alguns aliciadores políticos, no transcurso das entressafras eleitorais, os encheram de promessas eleitoreiras, instigando-os a quimeras e sonhos irrealizáveis. Elevaram as suas auto-estimas, utilizando a retórica da projeção de Lula. No entanto, passado o período eleitoral, esses eleitores foram abandonados nas ruas, porque desprovidos de habilidades técnicas, para ocupação profissional, sem embargo da inexistência de alfabetização. Por isso, agora, eles reúnem o que lhes restam das cestas básicas e bolsas disso e daquilo, do último curral eleitoral, para, nos vapores etílicos do álcool, anestesiar o cérebro e coração. São os nossos irmãos, iludidos por falsas promessas, que perambulam pelas praças, em busca da famigerada inclusão. Eles já não frequentam clubes ou aniversários dessas ou daquelas famílias, porque foram restringidos pelos convites. Eles até desejariam compreender certas canções mais refinadas. Mas, enquanto não chega a inclusão, contentam-se com os ritmos que agregam às suas limitações. Para agravar, eles já entenderam que o carnaval não é mais para todos. Pois os atuais currais da festa é privilégio daqueles que podem custear abadás. O grande desafio para o político, que se espera ornado de perfil estadista, certamente, será enfrentar a celeuma. Encontrar, ou criar mecanismos, para incluí-los social e intelectualmente, a fim de que, dentro das fases e condições normais, como qualquer outro ser humano, esses, sintam-se estimulados para serem alfabetizados, e após, qualificados profissionalmente. É sempre bom lembrar que incluir socialmente, não significa atropelar as estações e etapas necessárias de um processo, incluindo, por exemplo, através pseudos-diplomas e certificados, antes mesmo da alfabetização. Como se assumindo uma mea culpa, quisesse o gestor público, do dia para noite, maquiar a exclusão social, para dar respostas aos órgãos e entidades internacionais. Ora, a inclusão deve ser feita, com todas as garantias, para que o incluído, não caia no descrédito como alguns profissionais, filhos da pressa do ensino superior, parido a cada esquina do país, sem maiores critérios. Insta salientar, que o verdadeiro sentido da palavra dignidade está aí, quando o ser humano conquista, com seu próprio suor e capacidade, o merecido pão, em prol de sua família e subsistência. Inclusive, para, como qualquer outro contribuinte, poder pagar os seus tributos, e usufruir, também, na mesma condição, dos benefícios do estado, a fim de não mais receber o rótulo de coitado. Nossos irmãos, esquecidos entre as entressafras eleitorais, necessitam mais que simples cestas básicas e algumas bolsas disso ou daquilo outro. Eles têm, sim, necessidade de serem inseridos no contexto social, com as mesmas prerrogativas de qualquer cidadão. Cabe refletir que muitas pessoas se acostumam, sim, com o ócio, da mesma forma como também poderão se acostumar, novamente, com o trabalho. Hoje, observa-se, que essa massa humana, principalmente de jovens, que transita entre as praças em busca de oportunidade e trabalho, já não necessita apenas de um olhar, direcionado às suas pessoas, para exaltá-los como coitadinhos. Eles querem, sim, se necessário o peixe, para subsistirem até a inclusão. Mas, necessitam, mais que isto, o justo direito de aprender a pescar. Zilmar Wolney Aires Filho (Zilô), advogado e professor especialista em Processo Civil, mestrando em Direito Civil, membro da Academia de Letras de DNO
|




Desde a velha proposta do êxodo rural, que o homem simples do campo vem acreditando na possibilidade de sua inclusão social. Com isso, deixou o seu lugar, para ser excluído, nos centros urbanos, juntamente com sua família, salvo consideráveis exceções.