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122 anos de Dianópolis PDF Imprimir E-mail
Sáb, 26 de Agosto de 2006 20:06


Esta é mais do que uma história de pujança. É a história de uma gente pueril, guerreira, uma característica genética que há mais de um século está presente no sangue das gerações a partir dos desbravadores bandeirantes, dos baianos, dos goianos, e dos primitivos habitantes deste torrão querido, recanto leal gentil. É a história de pessoas que hoje comemoram 122 anos. Os seus 122 anos, embora, cronologicamente, tenham mais ou nem tenham completado o primeiro ano ainda. Não é a lei do tempo que vale hoje, é a herança. A hospitalidade que abriga e agrega, aconchega e enaltece; a firmeza que defende, opõe, argumenta, resiste.

A rudeza forjada no cerne dos distritos e sub-distritos em cada capão de mato; em cada lombo de animal, em cada cerro; rudeza resistente que permitiu ousar e jamais desistir. Como foi sob a fumaça de velhas brigas e tristes episódios sangrentos; nas tropeadas e muito mais; no linguajar franco ou no estender de uma mão amiga, numa indaga, ou na seriedade do trabalho.

A fé originou esta história. Uma capela que descansa 9 guerreiros. A religiosidade. Fé
que persiste, com a Sucupira, Missões e etc.. Vencendo obstáculos do chamado tempo e transpondo os corações e mentes. Uma capela de culto às gerações que se sucederam, a partir de uma estância construída para transformar-se em símbolo. A religiosidade que habita cada lar. Lares dianopolinos de São José do Duro.

São José do Duro, embora os mais desavisados não saibam a importância deste nome, centrando-se somente na grafia oficial. História escrita a cada segundo. A cada ato ou palavra. A cada gesto ou olhar. Parabéns à história, pelo que ela representa, afinal de contas, a história somos nós, todos nós, há 122 anos.

Esta é nossa eterna Dianópolis, cravada no bioma mais rico do planeta, que é o cerrado. Do verde excessivo de mangubas, araucárias, pindaíbas, buritis, gameleiras, todas cercadas de poeira ruiva em pós granulados e insolúveis, brotaram lentamente o asfalto, as casas e o esgoto que destruiu ribeirão Getúlio. Hoje, algumas praças conseguem brilhar o excesso de flores multicores, mas as pastagens, o progresso que veio e que hora se anunciam, com barramentos e hidrelétricas. Já devastaram com vários pontos turísticos: Novo Horizonte, Palmira, Barreiro e outros que minha pouca idade não sabe especificar...

Carroças, as bicicletas, velhas gaseiras e o velho carro de boi que ainda range nos pontos mais isolados da cidade. Ninguém nega o conforto da tecnologia, mas a memória ainda se lembra das figuras isoladas, das figuras que já se foram, dos desbravadores do sertão, do gosto de fogão à lenha, do pequi, da guariroba, do milho assado e da pamonha.

Temos competentíssimos escritores, músicos e estudiosos que fazem pioneirismo e encantam o mundo. Falta-nos hoje, penso eu, lideranças políticas de verdade, comprometidas com a cidade e a região. Falta representação para nossa terra tão sofrida. Por aqui, por lá, em todos lugares, permanecem guerreiros ideológicos e pessoas humildes que andam em diferentes caminhos, mas chegam numa mesma estrada, todos orgulhosos por serem dianopolinos.

A lágrima saudosa aperta os olhos dos que partiram e umedece a esperança nos olhos dos que ficam ou acabam de chegar...

Vamos à luta meu povo!

E parabéns, Dianópolis.

Mário Sérgio Mello Xavier