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1, 2, 3, o povo é freguês!

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O artigo abaixo, de Robispierre Melo Xavier, foi publicado recentemente no Jornal do Tocantins, na seção Tendências e Idéias.


"O melhor do Brasil é o brasileiro". Esse é um dos slogans que o Governo Federal emplaca para ilustrar a importância do povo dentro do conceito de cidadania, ética e justiça social e, ainda, para insinuar que é a maior motivação que esse povo dá ao Governo para continuar lutando por dias melhores. Um outro slogan, sugere: "Dê um bom exemplo, que essa moda pega".

Primeiro: a grosso modo, se o melhor do Brasil é o povo brasileiro e estes (em sua maioria) estão na miséria, então, por analogia o Brasil é farinha do mesmo saco. Sendo farinha do mesmo saco, somos incondicionalmente ingredientes principais dessa farofada. Estou saturado, enjoado, com náuseas, com arritmias cardíacas, com estresse, depressivo, meus cabelos não param de cair e estou vendo a enorme possibilidade de desenvolver a síndrome do pânico de tanto ver economistas, analistas de mercado de capitais, sociólogos, filósofos, políticos, empresários bem sucedidos às custas do dinheiro público, padres, bispos, intelectuais, doleiros, comparsas, lobistas, gatunos e até mesmo jogadores de futebol arriscando dicas de como melhorar a situação do Brasil. Já andaram especulando a possibilidade de Pelé, de Silvio Santos, Antônio Ermírio de Moraes, entre outras notoriedades do meio a serem legítimos candidatos à Presidência da República Federativa do Brasil, acreditam? O brasileiro pode até ser o melhor do Brasil, e eu sou. E você caro leitor, o é também? Mas o brasileiro, do ponto de vista sociológico, é a chaga da sua própria vida.

Segundo: qual o conceito de "dias melhores"? Arnaldo Jabor (aquele que foi veementemente repudiado em nota pública pelo Deputado José Dirceu), num de seus brilhantes artigos, assinala: "Quando o Brasil vai crescer? Quando cairão afinal os "juros" da vida? Chego a ter inveja das multidões pobres do Islã: aboliram o tempo e vivem na eternidade de seu atraso. Aqui, sem futuro, vivemos nessa ansiedade individualista medíocre, nesse narcisismo brega que nos assola na moda, no amor, no sexo, nessa fome de aparecer para existir. Nosso atraso cria a utopia de que, um dia, chegaremos a algo definitivo. Mas, ser subdesenvolvido não é "não ter futuro"; é nunca estar no presente." Precisa dizer algo mais?

Atropelando esses slogans falaciosos, demagógicos e patogênicos, desde Deodoro da Fonseca até os dias atuais, já "tivemos" inúmeras chances de consertar o nosso País (e olha que não sentei em nenhuma cadeira política). Existem pessoas por aí beirando 80 anos de idade e que podem perfeitamente endossar minhas palavras. São chances que rimam com reais oportunidades de desenvolvimento, mas vejo que é "lucro" para a classe política conduzir o Brasil na condição do eterno subdesenvolvimento. O que prometer em cima dos palanques, se não há quase nada a fazer? Decapita-se a "galinha dos ovos de ouro"? Negativo!

Sob essa ótica, é preciso ter o que "ofertar" ao povo e utilizando o dinheiro do próprio povo para tal, pois sem essa carta na manga talvez as coisas não tivessem sentido, tomar dinheiro público sem avisar não teria sentido, lavar dinheiro sujo em contas no exterior não teria sentido, emprestar dinheiro a partido político com aval de estatais também não faria sentido, mentir e desmentir com sofisticação e curtir com a cara do povo brasileiro não teria nenhum sentido, talvez a vida não teria um sentido. Então, qual o real sentido das coisas? À essa altura, nem eu sei mais pra onde ir, o que fazer, o que comer, o que dizer, o que enxergar. Talvez seria melhor incorporar o personagem "Jatobá" na novela das oito, um cego idealista, filósofo, otimista, apaixonado pela vida, austero e "sangue bom". Devo realmente continuar trabalhando, até me aposentar com "dignidade", na tentativa de contribuir para a construção de um País próspero? Essa é a minha sina, assim como a de milhões de pessoas.

O lamaçal fétido em que o cenário político nacional se atolou (sem livrar a cara de nenhum partido) é o retrato do descaso e do abandono para com os interesses do povo. Um Deputado-Renunciante afirma que não entende o porquê de tamanho temporal acerca da descoberta do mensalão. Para ele, esse estereótipo é fruto dos dotes artísticos de um Deputado-Delator, e que é público e notório essa prática - que para ele não deveria ser chamado de mensalão- em todos os partidos, que a prática de "Caixa Dois" é comum e todos os parlamentares são cientes disso, ou seja, que eles estão fazendo "gol contra". Então o povo exige que se faça uma devassa em todos os partidos, limpem essa casa, literalmente!

Como cidadão brasileiro, trabalhador e em dias com as minhas "obrigações eleitorais" e impostos devidamente retidos na fonte, solicito dos integrantes das maiores cadeiras (não entenda-se portadores nádegas grandes) do Legislativo Nacional, que aproveitem o ensejo e investiguem a vida de todos os partidos políticos. Creio que só assim estarão prestando um serviço de excelentíssima qualidade ao povo brasileiro, o que não é nada mais que a obrigação de Vossas Excelências.

De outra forma, estaremos iminentemente fadados ao fracasso total como eminentes detentores do poder de voto, e, ainda, depois de toda essa turbulência e ao término do processo eleitoral de 2006 termos que ouvir o brado dos políticos que conseguiram se safar: "1, 2, 3, o povo é freguês... 1, 2, 3, o povo é freguês... 1, 2, 3, o po-vo é fre-guês!!!" Ops! Com relação ao outro slogan: já pensou se "essa moda pega"? Isso é o fim.

 

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